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Ataques DDoS acima de 1 Tbps disparam no 2º trimestre de 2026 e Brasil lidera como origem
Relatório da Cloudflare mostra salto de mais de 500% em ataques DDoS gigantes, com Brasil ultrapassando os EUA como principal fonte. Setores de mídia e governo são os mais visados, e ataques prolongados preocupam organizações.

O mercado corporativo costuma confiar que ataques DDoS volumosos são eventos raros, direcionados apenas a grandes players globais e rapidamente contidos por soluções de mitigação. O novo relatório da Cloudflare, divulgado simultaneamente por veículos como CISO Advisor, Bleeping Computer e SiliconANGLE, expõe uma realidade desconfortável: ataques de negação de serviço distribuído (DDoS) acima de 1 terabit por segundo (Tbps) se multiplicaram em ritmo sem precedentes no segundo trimestre de 2026, e o Brasil emergiu como principal fonte desses ataques. A crença de que apenas organizações de perfil internacional precisam se preocupar com ameaças desse porte está, segundo os dados, cada vez mais distante da verdade.

Explosão de ataques acima de 1 Tbps: consenso sobre a escala e a velocidade
Três fontes independentes convergem em um ponto central: o salto nos ataques DDoS massivos foi abrupto e generalizado. Segundo a Cloudflare, citada pelo CISO Advisor e Bleeping Computer, foram mitigados mais de 800 ataques acima de 1 Tbps entre abril e junho de 2026, contra apenas 130 no trimestre anterior, um aumento de 519% no comparativo trimestral. O SiliconANGLE, por sua vez, quantifica em 805 os ataques desse porte no segundo trimestre, levando o total do semestre para 935, quase seis vezes mais que o registrado no último trimestre de 2025.
O volume total de ataques DDoS em camada de rede mitigados pela Cloudflare no semestre atingiu 23,2 milhões, enquanto requisições HTTP maliciosas chegaram a 29,64 trilhões. A companhia, responsável por proteger cerca de 20% da internet global, afirma que o ritmo atual é de mais de 5 mil ataques de rede por hora, ou cerca de 128 mil por dia.
O pico de atividade ocorreu em abril, com 6,46 trilhões de requisições HTTP maliciosas e 165 petabytes (PB) de tráfego de ataque em camada de rede. Após esse mês, todas as fontes relatam queda significativa, atribuída pela Cloudflare à operação internacional PowerOFF, que resultou em prisões, derrubada de domínios e alertas a dezenas de milhares de usuários de serviços de aluguel de botnets.
Brasil assume protagonismo como origem dos ataques
Uma das revelações mais incômodas do relatório, destacada pelo SiliconANGLE, é que o Brasil ultrapassou os Estados Unidos como principal fonte de tráfego de ataque DDoS no semestre, respondendo por 15% do total global, e chegando a 21% no segundo trimestre. Esse dado, exclusivo do SiliconANGLE, não é contestado pelas demais fontes, mas também não aparece em seus textos, o que ressalta a necessidade de cautela na generalização. Ainda assim, o salto coloca o país no centro das preocupações de provedores e empresas que dependem de infraestrutura digital robusta para operar.
O crescimento brasileiro coincide com a ascensão de técnicas de ataque mais sofisticadas e com maior poder de amplificação, como as inundações DNS e ataques CLDAP, que permitem que botnets baseadas em dispositivos comprometidos disparem volumes massivos de dados contra alvos específicos.

Mudança no perfil dos ataques: técnicas, duração e alvos
O consenso entre as fontes é que, embora a maioria dos ataques permaneça relativamente pequena e breve, há sinais claros de mudança no perfil das ameaças. Segundo a Cloudflare, 96,6% dos ataques de rede ficaram abaixo de 50 Mbps e 90,6% duraram menos de 10 minutos. No entanto, o número de ataques prolongados, aqueles com mais de três horas de duração, mais que dobrou no trimestre, passando de 0,387% para 0,828% do total, o que representa cerca de 109 mil incidentes no segundo trimestre, de acordo com o SiliconANGLE.
As técnicas também evoluíram. As inundações DNS responderam por 40% dos ataques em camada de rede no segundo trimestre, ante 25,7% no primeiro, um salto confirmado por todas as fontes. Ataques de amplificação CLDAP cresceram 881,9% no período, tornando-se o terceiro vetor mais comum, enquanto métodos mais antigos, como SSDP e SNMP Flood, perderam relevância.
Quanto aos setores mais visados, há consenso de que mídia, produção e publicação lideraram, recebendo 14% das requisições HTTP maliciosas mitigadas no semestre, quase quatro vezes mais que o segundo colocado, o setor de jogos e apostas. O governo aparece como destaque em 2026, subindo da 29ª para a 9ª posição em volume de ataques mitigados, movimento atribuído a eventos geopolíticos como a operação militar EUA-Israel contra o Irã, que desencadeou ondas de hacktivismo e ataques coordenados contra órgãos públicos em diversos países.
Contra-argumentos e limites da análise: o que (ainda) não se sabe
Apesar da clareza dos números, algumas limitações precisam ser reconhecidas. Todos os dados vêm de uma única empresa, a Cloudflare, que protege uma fatia relevante, mas não total, da internet. O relatório não detalha o impacto efetivo dos ataques mitigados, ou seja, quantos deles chegaram a interromper serviços críticos, especialmente em mercados menos cobertos por soluções de mitigação global. Também não há consenso sobre a participação de cada país como alvo, apenas como origem do tráfego malicioso.

Outro ponto de debate é a eficácia das operações policiais internacionais. A queda nos ataques após abril é atribuída à operação PowerOFF, mas a própria Cloudflare admite que a relação é “tentativa” e não definitiva. Não está claro se o efeito será duradouro ou se os operadores de botnets encontrarão rapidamente novas formas de contornar as ações de repressão.
Por fim, há pouca transparência sobre a taxa de sucesso dos ataques mais prolongados e volumosos em setores críticos de infraestrutura, especialmente em países fora do eixo EUA-Europa. O relatório também não detalha a exposição de empresas de médio porte, que podem não contar com defesas equivalentes às de grandes corporações globais.
O que muda para empresas e setor público: riscos operacionais e decisões de infraestrutura
O aumento exponencial dos ataques DDoS acima de 1 Tbps, aliado à evidência de que o Brasil é hoje um dos principais polos emissores desse tipo de ameaça, impõe um novo patamar de risco para organizações que dependem de disponibilidade digital. Para empresas do Polo Industrial de Manaus, órgãos públicos e qualquer operação que não pode parar, seja por questões de receita, reputação ou missão crítica, o cenário exige revisão urgente das estratégias de resiliência e continuidade.
Os dados mostram que ataques massivos não são mais exceção, e que a janela de resposta pode ser curta: mesmo ataques breves, se volumosos, podem saturar links e derrubar aplicações essenciais. A ascensão de técnicas de amplificação, como DNS Flood e CLDAP, eleva o potencial de dano e reduz o tempo de reação. Além disso, a tendência de ataques prolongados sugere que, sem redundância e contratos de SLA (acordo de nível de serviço) claros, o risco de indisponibilidade prolongada cresce, especialmente em regiões onde a infraestrutura de backbone é mais limitada.
Para o setor público, a escalada de ataques motivados por eventos geopolíticos e hacktivismo demanda não apenas proteção técnica, mas também integração com órgãos de resposta a incidentes e políticas de comunicação de crise. A exposição de dados e a interrupção de serviços essenciais podem ter impactos sociais e políticos imediatos.
Conclusão: a nova fronteira da disponibilidade exige ação local e decisões informadas

O salto nos ataques DDoS acima de 1 Tbps, com o Brasil figurando como principal fonte global, desmonta a ideia de que ameaças desse porte estão distantes da realidade das empresas e órgãos públicos nacionais. A combinação de ataques mais volumosos, sofisticados e prolongados, somada à evolução constante das técnicas de amplificação, obriga decisores a repensar não só a capacidade de mitigação, mas também a arquitetura de conectividade e os acordos de disponibilidade. Em um cenário onde o tempo de reação é cada vez mais curto e o tráfego malicioso pode partir do próprio território, a escolha de fornecedores com engenharia local, redundância e SLA contratual deixa de ser diferencial para se tornar pré-requisito de sobrevivência digital.
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