Wi-Fi & Segurança · análise
Brasil concentra 84% dos ataques cibernéticos na América Latina e Canadá em 2025, aponta estudo
Relatório revela que o Brasil foi alvo de 314,8 bilhões de atividades maliciosas no primeiro semestre de 2025, tornando-se o epicentro das ameaças cibernéticas na região. Empresas aceleram transição de defesas reativas para estratégias proativas, impulsionando o mercado de cibersegurança.

O cenário da cibersegurança no Brasil atingiu um novo patamar em 2025, segundo o estudo ISG Provider Lens Cybersecurity Services and Solutions, produzido pela TGT ISG. O país tornou-se o epicentro das ameaças cibernéticas na América Latina e Canadá, concentrando 84% dos ataques registrados na região no primeiro semestre. No total, foram 314,8 bilhões de atividades maliciosas detectadas, um volume que evidencia não apenas a magnitude do desafio, mas também a urgência de uma mudança de postura das empresas brasileiras diante da crescente sofisticação dos ataques.

Brasil no centro das ameaças digitais: números e contexto
Os dados do FortiGuard Labs, destacados no estudo, colocam o Brasil em uma posição de destaque nada desejada no mapa global da cibersegurança. O volume de 314,8 bilhões de atividades maliciosas no primeiro semestre de 2025 representa um aumento significativo em relação a anos anteriores, consolidando o país como alvo preferencial de agentes maliciosos. Este cenário é agravado por fatores estruturais, como o histórico de subinvestimento em segurança digital e as particularidades do ambiente local, incluindo a popularização do Pix e a expansão das redes 5G.
Apesar dos avanços regulatórios, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e a atuação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), o monitoramento contínuo de ameaças ainda apresenta lacunas importantes. O estudo aponta que, após anos de foco em respostas a incidentes, as empresas brasileiras começam a migrar para uma abordagem mais estratégica, na qual a segurança digital é vista como fator de competitividade, confiança e crescimento sustentável.
Mercado de cibersegurança em expansão: investimentos e tendências
O impacto desse novo cenário reflete diretamente no mercado brasileiro de cibersegurança. Segundo o IMARC Group, o setor foi avaliado em US$ 5,5 bilhões em 2025 e deve atingir US$ 12 bilhões até 2034. Entre 2025 e 2028, estão previstos investimentos de US$ 18,6 bilhões, consolidando a cibersegurança como um dos pilares da resiliência e geração de valor para os negócios no país.
João Carlo Mauro, distinguished analyst da TGT ISG e autor do estudo, destaca: “O Brasil se tornou um epicentro de ameaças cibernéticas na América Latina. Esse cenário, aliado ao histórico de subinvestimento em segurança e às particularidades locais, como o Pix e o 5G, exige uma rápida transição de defesas reativas para estratégias mais proativas e inovadoras. Esse movimento também impulsiona o mercado brasileiro de cibersegurança”.
O relatório identifica que fornecedores brasileiros têm demonstrado agilidade para adaptar seus portfólios às demandas emergentes, avançando em direção a modelos preditivos de segurança e se preparando para cenários cada vez mais complexos. A capacidade de resposta rápida e a antecipação de ameaças são vistas como diferenciais estratégicos para extrair valor concreto dos investimentos em segurança.

Obstáculos à transformação: custo, orçamento e talentos
Apesar do crescimento do mercado e da evolução das ameaças, a transformação da cibersegurança nas empresas brasileiras ainda enfrenta barreiras significativas. A percepção da segurança como centro de custos é apontada como o principal obstáculo por metade das empresas entrevistadas na pesquisa global da ISG “Cost Center No More: How to Turn Cybersecurity into a Value Driver”. Orçamento limitado e escassez de talentos são mencionados por 30%, enquanto processos manuais e desorganizados aparecem para 20% dos respondentes.
Essa visão de segurança como despesa, e não como investimento estratégico, dificulta a adoção homogênea de novas práticas e tecnologias. O resultado é uma maturidade desigual entre setores, com empresas mais avançadas liderando a transição para modelos proativos, enquanto segmentos menos maduros permanecem vulneráveis aos riscos acelerados pela inovação digital.
Novas ameaças e o papel da inteligência artificial
O avanço da inteligência artificial (IA) corporativa adiciona novas camadas de complexidade ao cenário de cibersegurança. O estudo destaca que agentes autônomos já executam tarefas críticas dentro das organizações, ampliando a necessidade de governança robusta e checkpoints humanos. “Imagine um agente de IA corporativa analisando dados de clientes. Sem uma governança robusta, ele pode expor informações críticas. Com checkpoints humanos e observabilidade contínua, no entanto, torna-se um aliado seguro e eficiente”, explica João Mauro.
A adoção crescente de IA acelera tanto as ações ofensivas quanto defensivas, introduzindo riscos relacionados à gestão de identidades não humanas e à comunicação entre agentes. Por isso, a governança da inteligência artificial generativa torna-se prioridade, com foco na prevenção de vazamento de dados e na gestão de novos riscos.
Entre as tendências apontadas pelo estudo, destacam-se modelos como Continuous Threat Exposure Management (CTEM), Zero Trust e criptografia pós-quântica. O fortalecimento dos centros de operações de segurança de nova geração e das plataformas de detecção e resposta estendida (XDR) também é ressaltado, pois permitem monitoramento contínuo e resposta ágil a ameaças sofisticadas.
Panorama dos fornecedores e maturidade setorial

O relatório ISG Provider Lens mapeia o ecossistema de fornecedores de cibersegurança no Brasil, reconhecendo empresas que se destacam em diferentes quadrantes de atuação. A ISH Tecnologia é apontada como líder em cinco quadrantes, enquanto Accenture, EY, IBM, Logicalis e Stefanini lideram em quatro quadrantes cada. Capgemini, Deloitte e NTT DATA aparecem como líderes em três quadrantes, e Agility, Edge UOL, Kyndryl e PwC em dois quadrantes cada.
Outros nomes relevantes incluem Broadcom, Cipher, CrowdStrike, iT.eam, Kaspersky, KPMG, Microsoft, SEK, TIVIT, Trend Micro, T-Systems, Unisys, Vortex Security e Vultus, todos reconhecidos como líderes em pelo menos um quadrante. O relatório ainda destaca Asper, Clavis e FUTURE TECHNOLOGIES como Rising Stars, empresas com portfólio promissor e alto potencial futuro, além de BluePex, Scunna, TCS e T-Systems, também reconhecidas como Rising Stars em pelo menos um quadrante.
Apesar da presença de grandes players e do surgimento de novos protagonistas, a adoção efetiva das defesas mais avançadas ainda é desigual. Setores com menor maturidade em segurança digital permanecem mais expostos, enquanto empresas líderes investem em plataformas preditivas e em centros de operações de última geração.
Implicações práticas para empresas e o desafio da infraestrutura
O avanço das ameaças cibernéticas e a necessidade de respostas rápidas e eficazes colocam a infraestrutura de conectividade no centro da estratégia de segurança. Monitoramento contínuo, resposta a incidentes em tempo real e integração com plataformas de detecção avançada dependem de redes estáveis, de baixa latência e alta disponibilidade. Para empresas do Polo Industrial de Manaus e de outros polos produtivos, a robustez da infraestrutura de telecomunicações é fator crítico para garantir a resiliência operacional e a proteção de dados sensíveis.
Além disso, a expansão de tecnologias como 5G e o uso intensivo de IA corporativa exigem capacidade de tráfego, redundância e suporte especializado. A integração entre operações de segurança (SOC), plataformas XDR e sistemas de governança de IA só é viável em ambientes com conectividade confiável e suporte técnico local, especialmente em regiões estratégicas para a indústria nacional.
À medida que o mercado brasileiro de cibersegurança cresce e se diversifica, a capacidade das empresas de extrair valor dos investimentos em segurança dependerá não apenas da adoção de tecnologias de ponta, mas da solidez da infraestrutura que sustenta essas soluções. O desafio não é apenas tecnológico, mas também de gestão, cultura e integração entre áreas de negócio, TI e operações.

O estudo ISG Provider Lens Cybersecurity Services and Solutions 2026 revela que o Brasil não apenas lidera em volume de ataques cibernéticos, mas também está em processo de amadurecimento estratégico, impulsionado por investimentos robustos e pela adoção de novas práticas de governança e inovação. Para empresas que operam em ambientes críticos ou altamente regulados, como o Polo Industrial de Manaus, a construção de uma infraestrutura de conectividade resiliente e alinhada às demandas de segurança digital é o próximo passo fundamental para transformar ameaças em oportunidades de crescimento sustentável.
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