Brasil concentra 84% dos ataques cibernéticos na América Latina e Canadá em 2025, aponta estudo

Brasil lidera ataques cibernéticos na América Latina em 2025, com 84% dos incidentes. Mercado de cibersegurança cresce e exige novas estratégias.

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Brasil concentra 84% dos ataques cibernéticos na América Latina e Canadá em 2025, aponta estudo

Relatório revela que o Brasil foi alvo de 314,8 bilhões de atividades maliciosas no primeiro semestre de 2025, tornando-se o epicentro das ameaças cibernéticas na região. Empresas aceleram transição de defesas reativas para estratégias proativas, impulsionando o mercado de cibersegurança.

por Atlas Upnetix Review Team · 6 de agosto, 2026 · 8 min de leitura
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O cenário da cibersegurança no Brasil atingiu um novo patamar em 2025, segundo o estudo ISG Provider Lens Cybersecurity Services and Solutions, produzido pela TGT ISG. O país tornou-se o epicentro das ameaças cibernéticas na América Latina e Canadá, concentrando 84% dos ataques registrados na região no primeiro semestre. No total, foram 314,8 bilhões de atividades maliciosas detectadas, um volume que evidencia não apenas a magnitude do desafio, mas também a urgência de uma mudança de postura das empresas brasileiras diante da crescente sofisticação dos ataques.

Profissionais brasileiros trabalhando em centro de operações de cibersegurança com mapas digitais da América Latina destacando o Brasil.
Centro de operações de cibersegurança no Brasil monitora o país que concentra 84% dos ataques cibernéticos na América Latina e Canadá em 2025.

Brasil no centro das ameaças digitais: números e contexto

Os dados do FortiGuard Labs, destacados no estudo, colocam o Brasil em uma posição de destaque nada desejada no mapa global da cibersegurança. O volume de 314,8 bilhões de atividades maliciosas no primeiro semestre de 2025 representa um aumento significativo em relação a anos anteriores, consolidando o país como alvo preferencial de agentes maliciosos. Este cenário é agravado por fatores estruturais, como o histórico de subinvestimento em segurança digital e as particularidades do ambiente local, incluindo a popularização do Pix e a expansão das redes 5G.

Apesar dos avanços regulatórios, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e a atuação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), o monitoramento contínuo de ameaças ainda apresenta lacunas importantes. O estudo aponta que, após anos de foco em respostas a incidentes, as empresas brasileiras começam a migrar para uma abordagem mais estratégica, na qual a segurança digital é vista como fator de competitividade, confiança e crescimento sustentável.

Mercado de cibersegurança em expansão: investimentos e tendências

O impacto desse novo cenário reflete diretamente no mercado brasileiro de cibersegurança. Segundo o IMARC Group, o setor foi avaliado em US$ 5,5 bilhões em 2025 e deve atingir US$ 12 bilhões até 2034. Entre 2025 e 2028, estão previstos investimentos de US$ 18,6 bilhões, consolidando a cibersegurança como um dos pilares da resiliência e geração de valor para os negócios no país.

João Carlo Mauro, distinguished analyst da TGT ISG e autor do estudo, destaca: “O Brasil se tornou um epicentro de ameaças cibernéticas na América Latina. Esse cenário, aliado ao histórico de subinvestimento em segurança e às particularidades locais, como o Pix e o 5G, exige uma rápida transição de defesas reativas para estratégias mais proativas e inovadoras. Esse movimento também impulsiona o mercado brasileiro de cibersegurança”.

O relatório identifica que fornecedores brasileiros têm demonstrado agilidade para adaptar seus portfólios às demandas emergentes, avançando em direção a modelos preditivos de segurança e se preparando para cenários cada vez mais complexos. A capacidade de resposta rápida e a antecipação de ameaças são vistas como diferenciais estratégicos para extrair valor concreto dos investimentos em segurança.

Gráfico de barras mostrando que o Brasil concentra 84% dos ataques cibernéticos na América Latina e Canadá em 2025.
Distribuição percentual dos ataques cibernéticos na América Latina e Canadá em 2025, com o Brasil concentrando 84% das ameaças.

Obstáculos à transformação: custo, orçamento e talentos

Apesar do crescimento do mercado e da evolução das ameaças, a transformação da cibersegurança nas empresas brasileiras ainda enfrenta barreiras significativas. A percepção da segurança como centro de custos é apontada como o principal obstáculo por metade das empresas entrevistadas na pesquisa global da ISG “Cost Center No More: How to Turn Cybersecurity into a Value Driver”. Orçamento limitado e escassez de talentos são mencionados por 30%, enquanto processos manuais e desorganizados aparecem para 20% dos respondentes.

Essa visão de segurança como despesa, e não como investimento estratégico, dificulta a adoção homogênea de novas práticas e tecnologias. O resultado é uma maturidade desigual entre setores, com empresas mais avançadas liderando a transição para modelos proativos, enquanto segmentos menos maduros permanecem vulneráveis aos riscos acelerados pela inovação digital.

Novas ameaças e o papel da inteligência artificial

O avanço da inteligência artificial (IA) corporativa adiciona novas camadas de complexidade ao cenário de cibersegurança. O estudo destaca que agentes autônomos já executam tarefas críticas dentro das organizações, ampliando a necessidade de governança robusta e checkpoints humanos. “Imagine um agente de IA corporativa analisando dados de clientes. Sem uma governança robusta, ele pode expor informações críticas. Com checkpoints humanos e observabilidade contínua, no entanto, torna-se um aliado seguro e eficiente”, explica João Mauro.

A adoção crescente de IA acelera tanto as ações ofensivas quanto defensivas, introduzindo riscos relacionados à gestão de identidades não humanas e à comunicação entre agentes. Por isso, a governança da inteligência artificial generativa torna-se prioridade, com foco na prevenção de vazamento de dados e na gestão de novos riscos.

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Entre as tendências apontadas pelo estudo, destacam-se modelos como Continuous Threat Exposure Management (CTEM), Zero Trust e criptografia pós-quântica. O fortalecimento dos centros de operações de segurança de nova geração e das plataformas de detecção e resposta estendida (XDR) também é ressaltado, pois permitem monitoramento contínuo e resposta ágil a ameaças sofisticadas.

Panorama dos fornecedores e maturidade setorial

Executivo brasileiro de tecnologia em reunião estratégica sobre cibersegurança e transformação digital.
Executivo brasileiro discute estratégias para transição de defesas reativas para abordagens proativas em cibersegurança.

O relatório ISG Provider Lens mapeia o ecossistema de fornecedores de cibersegurança no Brasil, reconhecendo empresas que se destacam em diferentes quadrantes de atuação. A ISH Tecnologia é apontada como líder em cinco quadrantes, enquanto Accenture, EY, IBM, Logicalis e Stefanini lideram em quatro quadrantes cada. Capgemini, Deloitte e NTT DATA aparecem como líderes em três quadrantes, e Agility, Edge UOL, Kyndryl e PwC em dois quadrantes cada.

Outros nomes relevantes incluem Broadcom, Cipher, CrowdStrike, iT.eam, Kaspersky, KPMG, Microsoft, SEK, TIVIT, Trend Micro, T-Systems, Unisys, Vortex Security e Vultus, todos reconhecidos como líderes em pelo menos um quadrante. O relatório ainda destaca Asper, Clavis e FUTURE TECHNOLOGIES como Rising Stars, empresas com portfólio promissor e alto potencial futuro, além de BluePex, Scunna, TCS e T-Systems, também reconhecidas como Rising Stars em pelo menos um quadrante.

Apesar da presença de grandes players e do surgimento de novos protagonistas, a adoção efetiva das defesas mais avançadas ainda é desigual. Setores com menor maturidade em segurança digital permanecem mais expostos, enquanto empresas líderes investem em plataformas preditivas e em centros de operações de última geração.

Implicações práticas para empresas e o desafio da infraestrutura

O avanço das ameaças cibernéticas e a necessidade de respostas rápidas e eficazes colocam a infraestrutura de conectividade no centro da estratégia de segurança. Monitoramento contínuo, resposta a incidentes em tempo real e integração com plataformas de detecção avançada dependem de redes estáveis, de baixa latência e alta disponibilidade. Para empresas do Polo Industrial de Manaus e de outros polos produtivos, a robustez da infraestrutura de telecomunicações é fator crítico para garantir a resiliência operacional e a proteção de dados sensíveis.

Além disso, a expansão de tecnologias como 5G e o uso intensivo de IA corporativa exigem capacidade de tráfego, redundância e suporte especializado. A integração entre operações de segurança (SOC), plataformas XDR e sistemas de governança de IA só é viável em ambientes com conectividade confiável e suporte técnico local, especialmente em regiões estratégicas para a indústria nacional.

À medida que o mercado brasileiro de cibersegurança cresce e se diversifica, a capacidade das empresas de extrair valor dos investimentos em segurança dependerá não apenas da adoção de tecnologias de ponta, mas da solidez da infraestrutura que sustenta essas soluções. O desafio não é apenas tecnológico, mas também de gestão, cultura e integração entre áreas de negócio, TI e operações.

Diagrama digital conceitual ilustrando crescimento e investimentos no mercado brasileiro de cibersegurança entre 2025 e 2034.
Crescimento do mercado brasileiro de cibersegurança avaliado em US$ 5,5 bilhões em 2025, com investimentos projetados de US$ 18,6 bilhões até 2028 e expectativa de alcançar US$ 12 bilhões em 2034.

O estudo ISG Provider Lens Cybersecurity Services and Solutions 2026 revela que o Brasil não apenas lidera em volume de ataques cibernéticos, mas também está em processo de amadurecimento estratégico, impulsionado por investimentos robustos e pela adoção de novas práticas de governança e inovação. Para empresas que operam em ambientes críticos ou altamente regulados, como o Polo Industrial de Manaus, a construção de uma infraestrutura de conectividade resiliente e alinhada às demandas de segurança digital é o próximo passo fundamental para transformar ameaças em oportunidades de crescimento sustentável.

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