Brasil ultrapassa 249 bilhões de ataques cibernéticos em sete meses e redes corporativas voltam ao foco dos criminosos

Ataques cibernéticos no Brasil crescem 44% em 2026, com foco em redes corporativas. Empresas precisam revisar estratégias de segurança e infraestrutura.

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Brasil ultrapassa 249 bilhões de ataques cibernéticos em sete meses e redes corporativas voltam ao foco dos criminosos

Relatórios da Fortinet e N-able mostram crescimento explosivo dos ataques cibernéticos no Brasil em 2026, com mudança de alvo para infraestrutura de rede e limites evidentes das defesas tradicionais. Volume de ameaças já supera a capacidade de resposta humana, exigindo automação e revisão de estratégias de segurança nas empresas.

por Atlas Upnetix Review Team · 10 de setembro, 2026 · 7 min de leitura
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O Brasil registrou um marco preocupante em 2026: entre janeiro e julho, o volume de ataques cibernéticos chegou a 249,3 bilhões, superando em apenas sete meses todo o total do ano anterior. O dado, divulgado pelo relatório Cenário Global de Ameaças da Fortinet e repercutido tanto pelo IT Forum quanto pelo IPNews, aponta para uma aceleração inédita da exposição digital das organizações brasileiras. O crescimento de 44% nas varreduras ativas, com 9 bilhões de tentativas de mapeamento de vulnerabilidades no semestre, reforça o alerta para o ambiente corporativo, que volta a ser o epicentro das investidas dos criminosos.

Painel digital moderno mostrando o número 249,3 bilhões representando ataques cibernéticos no Brasil.
Brasil registrou 249,3 bilhões de ataques cibernéticos entre janeiro e julho de 2026, superando o total do ano anterior.

Explosão de ataques e mudança no perfil dos alvos

Ambas as publicações destacam o consenso sobre a mudança de foco dos cibercriminosos. Depois de anos priorizando nuvem e dispositivos de usuários finais, os ataques voltaram a mirar a infraestrutura de rede e o perímetro das empresas. O relatório State of the SOC Report 2026, da N-able, analisou mais de 900 mil alertas de segurança entre março e dezembro de 2025 e revelou que 18% desses alertas passaram a ter origem na rede e no perímetro organizacional, uma inversão significativa em relação ao padrão anterior, segundo o IPNews.

Esse movimento é particularmente relevante para o universo corporativo brasileiro, pois evidencia que a superfície de ataque se ampliou. O IT Forum ressalta que, para pequenas e médias empresas, cuja infraestrutura costuma ser híbrida e construída gradualmente, essa tendência representa aumento de risco operacional. O CEO da Addee, Rodrigo Gazola, sintetiza: “Durante muito tempo, muitas organizações acreditaram que investir apenas em antivírus de nova geração ou detecção e resposta a endpoints (EDR) resolveria praticamente todos os problemas. Agora, temos dados que comprovam exatamente o contrário, já que os criminosos passaram a explorar as lacunas entre as diferentes camadas de segurança.”

Limites das defesas tradicionais e a “falácia da camada única”

Os dois relatórios convergem ao apontar que metade dos ataques consegue contornar soluções tradicionais de proteção de endpoints. Isso significa que confiar apenas em antivírus, EDR ou monitoramento de dispositivos não é mais suficiente. O estudo da N-able, citado por ambas as fontes, detalha a chamada “falácia da camada única”: milhares de ameaças foram detectadas exclusivamente por ferramentas de monitoramento de rede e perímetro, sem qualquer sinal nos endpoints.

Na prática, organizações que monitoram apenas computadores e servidores deixam de identificar etapas críticas de ataques, como exploração de VPNs, movimentação lateral dentro da rede, comprometimento de firewalls e ataques à identidade digital. O IT Forum e o IPNews concordam que essa limitação expõe empresas a riscos silenciosos, especialmente em ambientes híbridos ou com múltiplos pontos de acesso.

Profissionais de segurança cibernética monitorando alertas de rede e perímetro em uma sala SOC.
18% dos alertas de segurança em 2025 tiveram origem na rede e perímetro organizacional, indicando mudança no foco dos ataques.

Outro vetor de preocupação é a ascensão dos ataques ligados à mineração ilegal de criptomoedas, conhecidos como cryptominers. Segundo ambos os veículos, o Brasil já registrou cerca de 69 mil ocorrências desse tipo de ataque em 2026, superando o total do ano anterior. O financiamento de atividades criminosas por meio de criptomoedas amplia a complexidade do combate e exige monitoramento constante de tráfego suspeito.

Escassez de profissionais e automação como necessidade operacional

O volume de ameaças atingiu um patamar em que os modelos tradicionais de operação de segurança, baseados em resposta humana, não conseguem mais acompanhar a velocidade dos ataques. O State of the SOC Report 2026 mostra que o Security Operations Center (SOC) da N-able recebeu, em média, dois alertas por minuto. Atualmente, 90% das investigações já contam com automação baseada em inteligência artificial (IA), mantendo o especialista humano apenas nas decisões mais críticas.

Esse cenário é agravado pela escassez histórica de profissionais de cibersegurança no Brasil, como destaca Rodrigo Gazola. A consequência prática, segundo ele, é que a IA deixa de ser um diferencial e passa a ser uma necessidade operacional. “A IA não substitui o especialista, mas amplia enormemente sua capacidade de resposta, reduzindo o tempo entre a identificação e a contenção de um incidente”, afirma.

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Ambos os relatórios alertam ainda para um futuro próximo em que a própria IA se tornará alvo e ferramenta de ataques, com criminosos explorando agentes autônomos, orquestradores de IA e novas formas de ataque contra sistemas inteligentes. A superfície de ataque, portanto, tende a se expandir não só em volume, mas também em sofisticação e imprevisibilidade.

Implicações para empresas e desafios para a infraestrutura corporativa

Diagrama didático mostrando a falácia da camada única na segurança cibernética, destacando lacunas entre proteção por endpoints e monitoramento de rede.
Metade dos ataques contorna defesas tradicionais baseadas apenas em endpoints, evidenciando a falácia da camada única.

Para empresas brasileiras, especialmente aquelas situadas em polos industriais ou regiões com infraestrutura crítica, como Manaus, o recado dos relatórios é claro: a segurança cibernética precisa ser pensada em múltiplas camadas e integrada à estratégia de gestão de riscos. O aumento dos ataques à rede e ao perímetro obriga as organizações a revisarem suas práticas de monitoramento, investindo em soluções que cubram não apenas endpoints, mas também tráfego interno, VPNs, firewalls e fluxos de dados entre unidades.

O contexto local adiciona complexidade: no Polo Industrial de Manaus, por exemplo, a dependência de conectividade confiável e a necessidade de manter operações industriais ininterruptas tornam a exposição a ataques ainda mais sensível. A indisponibilidade de rede ou a exploração de vulnerabilidades pode significar perdas operacionais, comprometimento de dados estratégicos e impacto direto na reputação e no compliance regulatório. O desafio é ainda maior para pequenas e médias empresas, que muitas vezes carecem de equipes de TI especializadas e recursos para implementar defesas avançadas.

Outro ponto crítico é a necessidade de automação e integração entre ferramentas de segurança. Com o volume de alertas ultrapassando a capacidade humana, empresas que não adotam processos automatizados de detecção e resposta ficam vulneráveis a ataques rápidos e sofisticados. A adoção de inteligência artificial, embora não substitua o fator humano, torna-se elemento-chave para manter a resiliência operacional.

O que ainda não se sabe e próximos passos para a segurança digital

Apesar do consenso sobre o aumento dos ataques e a mudança de perfil dos alvos, os relatórios não detalham a distribuição setorial dos incidentes nem especificam quais segmentos da economia brasileira estão mais expostos. Também não há informações consolidadas sobre o impacto financeiro direto desses ataques, nem sobre a eficácia comparativa de diferentes modelos de arquitetura de segurança em ambientes híbridos.

O que se sabe é que a tendência de crescimento dos ataques, combinada à sofisticação dos métodos e à escassez de profissionais, coloca pressão inédita sobre as áreas de TI e gestão de risco das empresas. O desafio passa a ser estrutural: revisar processos, investir em infraestrutura de rede robusta e garantir visibilidade total do tráfego interno e externo. Para organizações em regiões como Manaus, onde a conectividade é fator crítico, a escolha de parceiros de infraestrutura e a adoção de soluções com SLA garantido e suporte local tornam-se diferenciais estratégicos para a continuidade do negócio.

Especialista em segurança cibernética utilizando automação para monitorar ataques de cryptominers e ameaças avançadas.
Brasil registrou cerca de 69 mil ataques de mineração ilegal de criptomoedas em 2026, reforçando a necessidade de automação na segurança.

O cenário de 2026 deixa claro que a segurança cibernética não é mais apenas uma questão de software ou de endpoint, mas de arquitetura integrada e resiliência operacional. Empresas que não adaptarem sua infraestrutura e processos à nova realidade de ataques massivos e multifacetados correm o risco de transformar vulnerabilidades técnicas em prejuízos concretos para o negócio.

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