IA · análise
CIOs do setor financeiro aceleram projetos de IA, mas 52% não confiam na governança para escalar inovação
Pesquisa Logicalis aponta que quase todos os CIOs do setor financeiro intensificaram investimentos em inteligência artificial, mas enfrentam entraves de governança, segurança e cultura organizacional para transformar pilotos em capacidades corporativas.

O setor financeiro global está vivenciando uma aceleração sem precedentes na adoção de inteligência artificial (IA), impulsionada por demandas de eficiência, personalização de serviços e competitividade. Entretanto, segundo o Logicalis CIO Report 2026, analisado por IT Forum e TI Inside, esse avanço é acompanhado por um cenário de incertezas e desafios estruturais que colocam em xeque a sustentabilidade e a segurança das iniciativas.

Os dados do estudo, que ouviu mil profissionais de negócios e tecnologia em regiões como Europa, Ásia-Pacífico e Américas, incluindo 100 executivos brasileiros, revelam uma clara tensão entre a velocidade da inovação e a capacidade das organizações financeiras de estruturar governança e controles robustos para IA.
IA avança rápido, mas roteiro de implementação é frágil
De acordo com ambas as publicações, 96% dos CIOs do setor financeiro relataram aumento no interesse e nos investimentos em IA ao longo de 2025. O movimento é quase unânime, com nove em cada dez executivos acelerando projetos nos últimos 12 meses. No entanto, o entusiasmo esbarra em dúvidas internas: 52% dos CIOs afirmam não confiar plenamente no roteiro de implementação de IA de suas organizações para os próximos anos. Esse dado, destacado nas duas fontes, evidencia uma preocupação generalizada com a falta de clareza sobre como transformar experimentos em capacidades corporativas duradouras.
Outro ponto de consenso entre IT Forum e TI Inside é que 52% dos executivos percebem que a adoção da tecnologia está ocorrendo rápido demais, sem tempo hábil para amadurecer processos de governança. A maioria (89%) admite que a aprendizagem ocorre “na prática”, conforme novas soluções são implantadas, um padrão que pode ampliar riscos e dificultar o controle sobre o uso da IA.
Ganhos reais, mas dificuldade para escalar além dos pilotos
Apesar das incertezas, o setor financeiro já colhe resultados concretos com IA. Segundo o levantamento, 55% dos CIOs apontam melhorias na prestação de serviços, 51% relatam avanços na experiência do cliente e 47% enxergam ganhos em análises preditivas. Esses benefícios, porém, ainda se concentram em projetos-piloto ou iniciativas isoladas.
O principal desafio, segundo 68% dos executivos consultados, é expandir essas soluções para toda a organização. A dificuldade não reside apenas em limitações tecnológicas, mas sobretudo em questões de maturidade organizacional. Regulamentação e conformidade são motivo de preocupação para 90% dos entrevistados, enquanto desafios relacionados a dados (89%), cultura organizacional (84%) e falta de competências técnicas (82%) também aparecem como barreiras relevantes.

Essa análise é corroborada por ambas as fontes, que destacam o papel estratégico do CIO na criação de modelos de governança capazes de acompanhar o ritmo da inovação. Fabio Hashimoto, CTO da Logicalis Brasil, enfatiza que “os CIO do mercado financeiro estão assumindo um papel ainda mais estratégico. Eles não são apenas responsáveis por implementar novas tecnologias, mas por criar modelos de governança que permitam escalar a inteligência artificial com segurança, transparência e alinhamento aos objetivos do negócio”.
Segurança cibernética sob pressão: novos riscos e pontos cegos
O avanço da IA também remodela o cenário de segurança cibernética no setor financeiro. De acordo com os dados cruzados das duas publicações, 78% das instituições financeiras nas regiões pesquisadas sofreram incidentes cibernéticos no último ano. Além disso, 27% dos CIOs já classificam a IA como um risco significativo para os negócios.
Os desafios se multiplicam: 35% dos executivos afirmam que a IA criou novos pontos cegos de segurança, enquanto 40% relatam aumento no tempo de resposta a incidentes. A falta de visibilidade sobre as ferramentas de IA utilizadas é outro fator crítico, 65% dos CIOs não têm confiança de que possuem controle completo sobre as soluções empregadas e 66% avaliam que os modelos de governança não acompanham a velocidade de evolução da tecnologia.
O fator humano reforça a vulnerabilidade: 67% dos entrevistados consideram o treinamento dos colaboradores insuficiente, e 48% acreditam que o uso inadequado de ferramentas de IA pelos funcionários representa risco direto à segurança dos dados corporativos. Esses números, presentes nas duas fontes, indicam que a segurança da informação depende tanto de processos quanto de cultura e capacitação.
IA agêntica e computação quântica: tendências que exigem nova arquitetura operacional
O relatório aponta que o setor financeiro já se prepara para a próxima onda de automação: 59% das organizações pretendem investir em IA agêntica nos próximos 12 meses. Essa tecnologia, que permite a agentes inteligentes executar tarefas e tomar decisões com mínima intervenção humana, deve exigir mudanças profundas na arquitetura operacional das empresas.

Para sustentar essa transformação, 97% dos CIOs afirmam que pretendem ampliar o uso de provedores de serviços gerenciados (MSPs) nos próximos anos, buscando acelerar a inovação e suprir a carência de competências especializadas. A computação quântica também começa a entrar no radar estratégico, 28% dos executivos acreditam que ela poderá impactar seus modelos de negócio já nos próximos dois anos, segundo o levantamento citado por ambas as fontes.
Hashimoto, da Logicalis, avalia que “estamos entrando em uma era em que os CIO deixam de liderar apenas projetos de transformação digital para arquitetar ecossistemas inteligentes, nos quais pessoas, agentes de IA e parceiros tecnológicos trabalham de forma integrada. O diferencial competitivo será construir ambientes em que inovação, governança, segurança e responsabilidade evoluam na mesma velocidade”.
Implicações para empresas: o que muda na gestão de infraestrutura e conectividade
Para organizações financeiras e empresas de outros setores que buscam escalar projetos de IA, os dados do Logicalis CIO Report 2026 sugerem que o desafio vai além da escolha de algoritmos ou plataformas. A capacidade de expandir iniciativas de IA com segurança depende de uma arquitetura operacional que una governança, cultura organizacional, conformidade regulatória e, sobretudo, infraestrutura tecnológica resiliente.
Em particular, a dependência crescente de agentes inteligentes e serviços gerenciados exige conectividade estável, baixa latência e disponibilidade garantida, sobretudo em ambientes críticos como o financeiro. O aumento dos riscos cibernéticos e a necessidade de visibilidade total sobre ferramentas de IA reforçam a importância de redes seguras, monitoramento contínuo e políticas claras de acesso e uso de dados.
No contexto brasileiro, e especialmente em polos industriais como Manaus, a escassez de competências técnicas e a pressão por inovação podem ser agravadas por limitações de infraestrutura. Empresas que operam em regiões com desafios logísticos precisam avaliar não apenas a maturidade interna, mas também a robustez da conectividade local e a capacidade de resposta dos parceiros tecnológicos.
Conclusão: escalar IA exige mais do que inovação, pede controle, cultura e infraestrutura

O cenário traçado pelo Logicalis CIO Report 2026, a partir das análises do IT Forum e do TI Inside, deixa claro que a corrida pela IA no setor financeiro já não é apenas sobre quem adota primeiro, mas sobre quem consegue transformar pilotos em capacidades corporativas seguras e escaláveis. Com metade dos CIOs inseguros quanto ao roteiro de implementação e a maioria admitindo aprender na prática, o risco de incidentes e pontos cegos cresce na mesma proporção da inovação. Para empresas que desejam avançar sem comprometer a segurança ou a conformidade, a prioridade deve ser investir em governança, treinamento e, sobretudo, infraestrutura de conectividade capaz de suportar operações críticas e garantir visibilidade sobre todo o ecossistema de IA.
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