Estudo indica que bancos levam até 12 dias para restaurar aplicações críticas após ciberataques

Bancos levam até 12 dias para recuperar aplicações críticas após ciberataques, aponta estudo da Everpure. Entenda os impactos para a operação e regulação.

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Estudo indica que bancos levam até 12 dias para restaurar aplicações críticas após ciberataques

Levantamento da Everpure revela que instituições financeiras enfrentam atrasos significativos na recuperação de sistemas essenciais após ataques cibernéticos. O dado expõe limitações dos modelos tradicionais de continuidade e eleva a pressão regulatória sobre o setor.

por Atlas Upnetix Review Team · 18 de agosto, 2026 · 9 min de leitura
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Um novo estudo divulgado pela Everpure, analisado pelo portal TI Inside, revela um cenário preocupante para a resiliência cibernética no setor financeiro: bancos podem levar até 12 dias para restaurar aplicações críticas após sofrerem ciberataques. O dado, embora proveniente de uma única fonte, lança luz sobre desafios operacionais e regulatórios que extrapolam a área de tecnologia e impactam diretamente a continuidade dos negócios e a confiança no sistema financeiro.

Centro de operações cibernéticas em banco brasileiro com técnicos monitorando segurança digital.
Centro de operações de segurança cibernética em banco brasileiro ilustrando a complexidade da recuperação de aplicações críticas após ataques, conforme estudo da Everpure.

Recuperação lenta após ataques: o que os números mostram

Segundo o relatório ‘The State of Cyber Resilience’, produzido pela Everpure e destacado pelo TI Inside, a frequência e a sofisticação dos ataques cibernéticos contra instituições financeiras têm aumentado, dificultando a retomada rápida dos serviços essenciais. O levantamento aponta que, em média, pode-se chegar a um intervalo de até 12 dias para que aplicações consideradas críticas voltem a operar plenamente após um incidente.

O estudo destaca que 36% dos dados mantidos por organizações do setor são classificados como de missão crítica. Isso significa que mais de um terço das informações armazenadas são essenciais para o funcionamento básico das operações bancárias. Ainda assim, apenas 41% das instituições afirmam confiar plenamente na gestão de dados distribuídos em diferentes ambientes, o que evidencia uma lacuna importante em processos de governança e recuperação.

Outro dado relevante do relatório é que 31% do custo total de um ataque cibernético está relacionado à recuperação de dados íntegros e atualizados. Esse percentual reforça o peso financeiro das falhas de resiliência, indo além do impacto reputacional e atingindo diretamente a linha de custos operacionais dos bancos.

Limitações dos modelos tradicionais de continuidade operacional

O relatório da Everpure, citado pelo TI Inside, argumenta que muitos bancos ainda operam com modelos de recuperação de desastres e failover desenvolvidos para indisponibilidades técnicas, como falhas de hardware ou quedas de energia, e não para ataques cibernéticos direcionados aos dados. Douglas Wallace, diretor regional de Vendas da Everpure para a América Latina e o Caribe, afirma que ‘o que muitos bancos ainda entendem como resiliência, recuperação de desastres e mecanismos de failover, foi desenvolvido para indisponibilidades, não para ataques cibernéticos. Esse modelo já não funciona.’

Essa distinção é fundamental: enquanto planos tradicionais de continuidade focam em restaurar sistemas após eventos físicos ou técnicos, ataques cibernéticos frequentemente visam corromper, sequestrar ou destruir dados, tornando a simples restauração de backups insuficiente ou até mesmo impossível sem processos de validação e integridade muito mais rigorosos.

O estudo sugere que a recuperação de dados deve ocupar papel central nas estratégias de resiliência cibernética, exigindo abordagens específicas para garantir a integridade e a disponibilidade de informações essenciais. A dependência de modelos antigos pode prolongar a indisponibilidade de serviços críticos e aumentar os riscos de não conformidade regulatória.

Gráfico de barras mostrando percentuais de dados críticos, confiança na gestão e custo de recuperação em bancos.
Dados do estudo da Everpure indicam que 36% das informações são críticas, apenas 41% dos bancos confiam na gestão de dados distribuídos e 31% do custo de ataques está na recuperação.

Estratégias emergentes: o conceito de Minimum Viable Bank

Em resposta à complexidade crescente dos ataques e à necessidade de respostas mais ágeis, a pesquisa da Everpure destaca a adoção do conceito de Minimum Viable Bank (MVB). Essa estratégia propõe que bancos definam previamente quais serviços devem ser priorizados na retomada durante um incidente cibernético. Entre os exemplos citados estão pagamentos, acesso a contas, canais digitais, requisitos regulatórios e sistemas que sustentam outras operações essenciais.

O objetivo do MVB é garantir que, mesmo diante de um ataque severo, as funções mais críticas do banco sejam restauradas o mais rápido possível, minimizando o impacto para clientes e parceiros. Essa abordagem exige mapeamento detalhado dos processos, definição clara de prioridades e testes regulares de recuperação, além de integração entre equipes de TI, segurança e compliance.

O relatório observa ainda que, embora haja variações nos marcos regulatórios entre diferentes regiões, os órgãos reguladores convergem na exigência de que instituições financeiras não apenas mantenham planos de continuidade documentados, mas demonstrem, na prática, a capacidade de recuperar serviços críticos dentro dos prazos estabelecidos. Isso inclui restaurar dados íntegros, validar continuamente os processos de recuperação e apresentar evidências auditáveis de resiliência operacional.

Pressão regulatória e expectativas do mercado

De acordo com a análise do TI Inside sobre o estudo, a pressão regulatória sobre bancos e instituições financeiras está aumentando. Órgãos supervisores exigem não só a existência de planos de resposta a incidentes, mas também a comprovação de que esses planos são eficazes diante de ataques sofisticados. A capacidade de restaurar operações críticas rapidamente tornou-se, assim, um diferencial competitivo e um requisito para manter a confiança de clientes, investidores e do próprio sistema financeiro.

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O relatório da Everpure enfatiza que a resiliência cibernética deixou de ser um tema restrito à área de tecnologia e passou a ser tratada como uma capacidade de negócio. Isso implica que decisões sobre investimentos em infraestrutura, processos de backup, redundância de dados e testes de recuperação devem envolver as lideranças das áreas de negócios, compliance e governança, e não apenas os times de TI.

Além disso, a necessidade de evidências auditáveis de resiliência operacional eleva o nível de maturidade exigido das empresas. Não basta mais declarar que um plano existe: é preciso demonstrar, por meio de testes e validações periódicas, que a organização está preparada para restaurar rapidamente seus serviços essenciais em caso de ataque.

Retrato profissional de Douglas Wallace, executivo da Everpure.
Douglas Wallace, diretor regional da Everpure, destaca que modelos tradicionais de recuperação não atendem mais aos desafios dos ataques cibernéticos direcionados aos dados.

Implicações para empresas e setores além do financeiro

Embora o estudo da Everpure foque no setor bancário, as conclusões têm implicações diretas para qualquer organização que dependa de aplicações críticas e dados sensíveis para operar. Empresas de setores como saúde, indústria, logística e governo enfrentam desafios semelhantes no que diz respeito à recuperação de sistemas após incidentes cibernéticos.

No contexto brasileiro, onde a digitalização de serviços avança rapidamente e a dependência de infraestruturas digitais é cada vez maior, a vulnerabilidade a ataques e a necessidade de recuperação ágil ganham relevância estratégica. Para organizações localizadas em regiões como Manaus, que concentra polos industriais e centros logísticos, a indisponibilidade prolongada de sistemas pode gerar prejuízos operacionais e financeiros significativos, além de comprometer obrigações regulatórias e contratuais.

Outro ponto relevante é a crescente exigência de integração entre ambientes on-premises (infraestrutura própria) e nuvem, o que amplia a superfície de ataque e complexifica as estratégias de backup e restauração. A baixa confiança na gestão de dados distribuídos, evidenciada pelo dado de que apenas 41% das instituições confiam plenamente nesse processo, sugere que muitas empresas ainda não possuem processos robustos para garantir a continuidade dos negócios em ambientes híbridos.

O que muda na decisão de infraestrutura digital

Para gestores de TI, compliance e operações, os dados apresentados pelo estudo da Everpure, ainda que provenientes de uma única publicação, reforçam a urgência de revisar estratégias de continuidade e resiliência. Não se trata apenas de investir em backups, mas de garantir que esses backups sejam íntegros, atualizados e testados regularmente para cenários de ataque cibernético, e não apenas para falhas técnicas tradicionais.

Além disso, a escolha de fornecedores de infraestrutura digital deve considerar não só a capacidade de entrega de banda ou disponibilidade, mas também a oferta de recursos como redundância de acesso, suporte humano especializado e integração com soluções de recuperação de dados. Para empresas do Polo Industrial de Manaus e de setores regulados, a capacidade de demonstrar evidências auditáveis de resiliência pode ser decisiva em processos de auditoria e renovação de contratos.

Em última análise, a resiliência cibernética passa a ser tratada como um diferencial competitivo e um requisito para a sustentabilidade do negócio. Organizações que conseguem restaurar rapidamente seus serviços críticos após um incidente não apenas reduzem prejuízos, mas fortalecem sua reputação junto a clientes, parceiros e reguladores.

Diagrama conceitual do conceito de Minimum Viable Bank para recuperação prioritária em bancos.
Conceito de Minimum Viable Bank propõe priorização de serviços essenciais para acelerar a retomada após incidentes cibernéticos, conforme estudo da Everpure.

O estudo da Everpure, citado pelo TI Inside, deixa claro que a resiliência cibernética não é mais uma questão apenas técnica, mas estratégica. Para empresas que operam em ambientes digitais complexos e regulados, a capacidade de recuperar aplicações críticas em tempo hábil pode ser o fator determinante entre a continuidade e a interrupção dos negócios. O desafio, agora, é transformar essa necessidade em processos, infraestrutura e cultura organizacional capazes de responder à altura das ameaças atuais.

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