Falta de infraestrutura já restringe 35,6% das startups de IA no Brasil e amplia dependência do exterior

Infraestrutura limita 35,6% das startups de IA no Brasil, segundo pesquisa da Axia Energia. Falta de recursos locais amplia dependência de nuvens internacionais.

ATLAS.
tech & business · o portal da Upnetix
IA · análise

Falta de infraestrutura já restringe 35,6% das startups de IA no Brasil e amplia dependência do exterior

Pesquisa da Axia Energia mostra que mais de um terço das startups brasileiras de inteligência artificial já enfrentou gargalos de infraestrutura, com impacto direto na escalabilidade e operação. A carência de recursos locais pressiona empresas a buscar alternativas e expõe riscos de custo, latência e governança.

por Atlas Upnetix Review Team · 24 de agosto, 2026 · 8 min de leitura
Compartilhe este artigo: WhatsApp

O avanço da inteligência artificial (IA) no Brasil enfrenta um obstáculo estrutural: a limitação da infraestrutura de processamento de dados. Segundo levantamento da Axia Energia, divulgado por IT Forum, Correio Braziliense e Jornal União, 35,6% das startups brasileiras de IA já tiveram projetos, atendimento a clientes ou capacidade de escalar o negócio impactados por restrições de infraestrutura. O dado, obtido a partir de entrevistas com 90 empresas do setor, revela um cenário em que a tecnologia esbarra em gargalos concretos, afetando diretamente a competitividade e a autonomia das organizações nacionais.

Reunião corporativa de profissionais brasileiros discutindo infraestrutura de inteligência artificial em sala de conferência moderna
Startups brasileiras de IA enfrentam limitações de infraestrutura; 35,6% relatam impacto em projetos e escalabilidade, segundo pesquisa com 90 empresas.

Gargalos técnicos e operacionais: o que falta para escalar IA no Brasil

O estudo da Axia Energia detalha que a principal demanda das startups é por ambientes seguros e aderentes a requisitos de compliance, apontada como essencial por 61,1% das empresas consultadas. A necessidade de unidades de processamento gráfico (GPUs) para treinamento de modelos foi citada por 34,4%, enquanto armazenamento de alta performance aparece como prioridade para 25,6% e GPUs para inferência, para 21,1%.

Esses números, reportados de forma convergente pelas três fontes, indicam que a discussão sobre IA no Brasil evoluiu do potencial tecnológico para desafios práticos de escala, governança, custo e operação. Juliano Dantas, vice-presidente de Tecnologia e Inovação da Axia Energia, resume o novo estágio do debate: “A infraestrutura passa a ser um elemento estratégico da competitividade, tão relevante quanto produto, talento ou acesso a mercado”.

O impacto se concentra especialmente na fase de crescimento das startups. Maiza Pimenta Goulart, diretora do grid de inovação da Axia, afirma ao Correio Braziliense que a limitação ocorre sobretudo “no momento de escalar o negócio”, forçando empresas a buscar alternativas fora do padrão de nuvem pública tradicional.

Dependência do exterior: 60% dos dados processados fora do país

Outro ponto de consenso entre as fontes é a dependência significativa de infraestrutura internacional. Estimativa do Ministério da Fazenda, citada pelo Correio Braziliense e Jornal União, aponta que cerca de 60% dos dados brasileiros são processados em nuvens localizadas no exterior. Esse cenário expõe empresas nacionais a riscos adicionais, como custos de câmbio, latência elevada e desafios de governança de dados sensíveis.

Para 61,1% das startups, manter dados e processamento em território nacional é uma condição preferencial, enquanto 35,6% já tratam essa exigência como obrigatória em ao menos parte das operações, segundo o Jornal União. A busca por alternativas leva parte das empresas a considerar a construção de infraestrutura própria com GPUs ou o uso de processamento diretamente nos clientes, conforme destaca Maiza Pimenta Goulart.

Essa dependência do exterior não é apenas uma questão técnica, mas também estratégica, pois limita a autonomia das startups brasileiras diante de regulações internacionais e oscilações de custo e disponibilidade das grandes nuvens globais.

Gráfico de barras mostrando demandas prioritárias das startups de IA no Brasil em relação à infraestrutura
Principais necessidades das startups de IA no Brasil: 61,1% demandam ambientes seguros com compliance; 34,4% GPUs para treinamento; 25,6% armazenamento de alta performance; 21,1% GPUs para inferência.

Pressão sobre energia e data centers: crescimento acelerado, mas infraestrutura insuficiente

O crescimento da demanda por IA pressiona não só a infraestrutura digital, mas também a rede elétrica nacional. Os pedidos de conexão de data centers à rede de transmissão já somam 26,2 gigawatts (GW), mais de um quarto da capacidade elétrica atual do Brasil, segundo dados da Axia Energia destacados pelo Correio Braziliense e Jornal União. No entanto, após exigências regulatórias da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) considera uma fila válida de 10,3 GW.

Maiza Pimenta Goulart chama atenção para a necessidade de planejamento: “A gente tem um país que tem oferta de energia renovável, que é um diferencial competitivo. Mas é preciso casar essa oferta com a demanda por processamento de dados. É preciso planejamento para não ter um impacto no grid de energia”.

Essa pressão sobre a infraestrutura elétrica evidencia que o gargalo da IA não se limita ao acesso a hardware, mas envolve também a disponibilidade de energia confiável e sustentável, especialmente diante do crescimento acelerado da demanda previsto pelas startups.

Gostando do conteúdo? Compartilhe: WhatsApp

Critérios de escolha e barreiras de migração: custo, SLA e confiabilidade em foco

O levantamento da Axia Energia revela que, embora o custo por hora de processamento, token ou gigabyte seja citado por 71% das startups como critério de escolha de fornecedor, a confiabilidade e o nível de serviço (SLA) têm peso semelhante, sendo apontados por 70%. Isso indica que, para empresas de IA, a estabilidade e a previsibilidade da infraestrutura são tão relevantes quanto o preço.

Outro dado relevante, apontado por Correio Braziliense e Jornal União, é que 59% das startups estariam abertas a migrar de provedor de infraestrutura, mas 70% consideram o custo dessa transição um fator preponderante. Essa barreira à migração pode perpetuar dependências e dificultar a busca por soluções mais eficientes ou alinhadas a requisitos de compliance e localização de dados.

Data center moderno no Brasil com equipamentos de processamento e armazenamento para IA
Crescimento acelerado da demanda por IA pressiona infraestrutura e energia; pedidos de conexão de data centers somam 26,2 GW, mais de um quarto da capacidade elétrica atual do Brasil.

O cenário de escolha de infraestrutura para IA, portanto, é complexo: envolve não só o preço, mas também questões regulatórias, de governança, latência, SLA e custos de mudança. Isso cria um ambiente em que decisões técnicas e de negócio precisam ser tomadas de forma integrada, considerando riscos e oportunidades de médio e longo prazo.

O que muda para empresas e gestores: riscos, oportunidades e o papel da infraestrutura local

Para quem decide em empresas ou no setor público, a limitação de infraestrutura de IA no Brasil representa um risco operacional concreto. A dependência de processamento no exterior pode aumentar custos, expor dados a legislações estrangeiras e comprometer a resposta a incidentes de segurança ou indisponibilidade. Além disso, a latência mais elevada pode afetar aplicações críticas, especialmente em setores que demandam respostas em tempo real ou processamento de grandes volumes de dados sensíveis.

O contexto de Manaus e do Polo Industrial ganha relevância nesse debate. A distância dos grandes data centers nacionais e internacionais pode acentuar desafios de latência e disponibilidade, tornando ainda mais estratégico o acesso a infraestrutura local robusta, com SLA garantido e suporte próximo. Para empresas que operam em setores regulados, ou que precisam garantir a soberania dos dados, a escolha de fornecedores com presença física no Brasil e aderência a padrões de compliance é cada vez mais decisiva.

O crescimento da demanda por IA, previsto por 75,6% das startups para os próximos 12 meses segundo o Jornal União, reforça a necessidade de planejamento de infraestrutura. Para 30% das empresas, a demanda por processamento pode até dobrar no período, enquanto 31,1% projetam crescimento entre duas e cinco vezes. Esse cenário exige atenção redobrada à capacidade de expansão, à flexibilidade dos contratos de infraestrutura e à viabilidade de migração entre provedores, caso necessário.

Perspectivas e próximos passos: infraestrutura como diferencial competitivo

O panorama consolidado pelas três fontes indica que a infraestrutura de IA deixou de ser um tema restrito à TI e passou a ocupar o centro da estratégia de negócios. Empresas que antecipam gargalos e investem em soluções locais, com alta disponibilidade e aderência a compliance, tendem a reduzir riscos e ampliar sua autonomia frente ao cenário global.

Para gestores de TI, diretores e compradores, o desafio está em equilibrar custo, confiabilidade e governança, avaliando não só o preço imediato, mas também os impactos de médio prazo de uma eventual dependência de infraestrutura internacional. O contexto regulatório brasileiro, somado à pressão por soberania dos dados, pode acelerar a busca por alternativas locais, inclusive em regiões tradicionalmente menos atendidas pelos grandes players globais.

Executivo brasileiro analisando dados sobre processamento de dados no exterior em ambiente corporativo moderno
Cerca de 60% dos dados brasileiros são processados em nuvens estrangeiras, aumentando a dependência do exterior e expondo startups a riscos técnicos e estratégicos.

Em síntese, a limitação de infraestrutura já afeta mais de um terço das startups brasileiras de IA e pressiona todo o ecossistema a repensar estratégias de processamento, armazenamento e localização de dados. O próximo passo para empresas que buscam competitividade e resiliência está na avaliação criteriosa da infraestrutura disponível e na escolha de parceiros capazes de garantir não apenas performance, mas também segurança, compliance e suporte local. O cenário aponta para um futuro em que a infraestrutura deixa de ser um detalhe operacional e passa a ser um ativo central na agenda de inovação e crescimento.

Compartilhe com sua equipe: WhatsApp
Receba os próximos artigos no seu e-mail

Conteúdo B2B sobre conectividade, infraestrutura digital e gestão de TI, direto na caixa de entrada, sem spam.





Upnetix · Conectividade empresarial em Manaus

IA não escala sem infraestrutura local confiável.

Processar IA no exterior pode aumentar custos, latência e riscos de compliance. O IP Premium Dedicado da Upnetix oferece link empresarial de fibra dedicada, SLA em contrato e IP fixo para garantir performance e governança. Avaliamos a viabilidade técnica no seu endereço antes de qualquer proposta.

Fale com o comercial

Fale com um especialista da Upnetix

Nossa equipe entra em contato em até 1 dia útil com uma proposta sob medida.