Fragmentação de TI limita retorno sobre IA nas empresas brasileiras, aponta estudo da ManageEngine

Fragmentação de TI trava retorno sobre IA no Brasil, segundo ManageEngine. Empresas enfrentam desafios de integração, segurança e alinhamento estratégico.

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Fragmentação de TI limita retorno sobre IA nas empresas brasileiras, aponta estudo da ManageEngine

Novo levantamento da ManageEngine revela que 89% das empresas no Brasil enfrentam barreiras para escalar iniciativas de IA devido à dispersão de sistemas e ferramentas. O problema, agravado por riscos de segurança e desalinhamento entre áreas, desafia o avanço da transformação digital no país.

por Atlas Upnetix Review Team · 8 de setembro, 2026 · 8 min de leitura
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O avanço da inteligência artificial (IA) nas empresas brasileiras esbarra em uma barreira incômoda: a fragmentação da infraestrutura de tecnologia da informação (TI). Apesar do Brasil liderar a maturidade digital na América Latina, segundo o estudo O Estado da Transformação Digital na América Latina 2026 da ManageEngine, a multiplicidade de sistemas e a falta de integração entre eles têm impedido que os investimentos em IA se convertam em ganhos concretos de produtividade e segurança. O dado mais contundente: 89% das organizações nacionais reconhecem que a dispersão tecnológica limita diretamente a capacidade de escalar iniciativas de IA.

Profissionais de TI e executivos brasileiros em reunião em escritório moderno discutindo múltiplos sistemas de TI fragmentados.
Reunião de líderes de TI brasileiros discutindo os desafios da fragmentação tecnológica que limita o retorno sobre investimentos em inteligência artificial, conforme estudo da ManageEngine.

Fragmentação: o obstáculo invisível ao ROI da IA

O levantamento, realizado pela consultoria Censuswide a pedido da ManageEngine (divisão de TI da Zoho Corporation), ouviu 1.000 tomadores de decisão de TI e executivos C-level na América Latina, sendo 250 no Brasil. O retrato que emerge é desconfortável para quem investe em automação e IA: embora 92% das empresas brasileiras acreditem que seus ambientes tecnológicos estejam prontos para IA, 62% relatam dificuldades para medir retornos mensuráveis desses investimentos.

O principal motivo, segundo Tonimar Dal Aba, gerente técnico da ManageEngine no Brasil, está na desorganização dos dados provocada pela fragmentação de sistemas. Ele afirma: “A maior parte das empresas não consegue medir o retorno da IA pela falta de organização dos dados. Quando a casa está desarrumada, a IA vai entrar por qualquer porta.” O estudo mostra que, em média, as organizações operam com 18 soluções pontuais simultâneas, a maior taxa de fragmentação da região.

Essa dispersão não decorre, segundo Dal Aba, de decisões de compra equivocadas, mas da ausência de integração entre ferramentas adquiridas ao longo do tempo para resolver problemas pontuais. O resultado é uma infraestrutura complexa, que exige manutenção constante: 63% dos entrevistados gastam mais orçamento de TI mantendo sistemas existentes do que inovando.

Riscos de segurança e o custo oculto da complexidade

A fragmentação tecnológica não apenas reduz a eficiência dos investimentos em IA, mas também eleva o risco de incidentes de segurança. Mais da metade das empresas brasileiras (56%) relatou aumento de ataques cibernéticos bem-sucedidos em 2025 em relação a anos anteriores, segundo o estudo da ManageEngine. Além disso, 74% expressam preocupação com vazamentos de dados causados pelo uso não autorizado de ferramentas de IA generativa por funcionários.

Dal Aba destaca que a necessidade de acessar múltiplos sistemas para obter uma única informação contribui para a elevação dos riscos: “Hoje, ainda é necessário usar quatro ou cinco consoles para extrair uma informação, o que contribui para o aumento dos incidentes de cibersegurança.” A multiplicidade de interfaces e a falta de governança centralizada criam brechas exploráveis por agentes maliciosos e dificultam a resposta rápida a incidentes.

O cenário se agrava diante da escassez de profissionais qualificados em IA e cibersegurança. O executivo aponta que a desconexão entre equipes técnicas e de segurança amplifica o problema: “As áreas têm preocupações diferentes: quem programa acaba não se alinhando com quem cuida da cibersegurança.”

Gráfico de barras vertical em português mostrando dados do estudo da ManageEngine sobre fragmentação de TI e inteligência artificial no Brasil.
Dados do estudo ManageEngine evidenciam o impacto da fragmentação da TI na adoção e retorno da inteligência artificial nas empresas brasileiras.

Alinhamento estratégico: percepção e realidade se distanciam

Outro ponto crítico revelado pelo estudo é o desalinhamento entre as lideranças de negócios e de TI. Embora 91% dos entrevistados latino-americanos digam que as áreas estão alinhadas, apenas 40% dos executivos brasileiros consideram suas lideranças “muito alinhadas” quanto às prioridades reais de transformação digital.

A responsabilidade pela estratégia de transformação digital permanece dividida: 39% a atribuem ao CEO ou à liderança executiva, outros 39% ao CIO ou à liderança de TI, e apenas 22% relatam um modelo de responsabilidade verdadeiramente compartilhada. Quase um terço dos entrevistados (32%) afirma que simplificar e unificar o conjunto de tecnologias sequer é prioridade estratégica compartilhada entre a alta liderança e as equipes de TI.

Para Kishore Kumaar, diretor-geral da ManageEngine no Brasil, esse desalinhamento já influencia o comportamento de compra: “Os clientes estão dando maior ênfase à otimização de custos de TI, à redução de despesas operacionais e à consolidação de ferramentas, sem comprometer os recursos que seus negócios exigem.”

O contra-argumento: maturidade digital e setores regulados

Apesar do diagnóstico preocupante, o estudo também identifica avanços. O Brasil lidera a região em adoção de modelos de TI centrados em plataformas (32%) e em empresas consideradas orquestradas por IA (25%). Setores mais regulados, segundo Dal Aba, já colhem benefícios da integração forçada por exigências externas, conseguindo reduzir custos e alcançar maior maturidade digital.

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O próprio relatório sugere que a fragmentação não é um problema insolúvel. Executivos da ManageEngine defendem que a mudança pode ser gradual, começando por pequenas iniciativas de organização e integração, sem a necessidade de uma reestruturação completa da infraestrutura de TI. “O importante é começar a organização, mesmo que seja pequena, para gerar progresso”, afirma Kumaar.

Há, portanto, consenso entre especialistas de que a consolidação e integração de sistemas é o caminho para destravar o potencial da IA. No entanto, a velocidade dessa transição depende do setor, do grau de regulação e da disposição das lideranças em priorizar a governança de TI.

Profissional brasileiro de segurança da informação monitorando múltiplas telas com alertas de cibersegurança e dashboards em sala de controle de TI.
Monitoramento ativo de segurança cibernética em ambiente fragmentado, evidenciando o aumento de ataques e riscos decorrentes da diversidade de sistemas, segundo ManageEngine.

O que ainda não se sabe: ROI real e limites da integração

O estudo da ManageEngine é uma das poucas pesquisas recentes a quantificar o impacto da fragmentação de TI sobre o retorno dos investimentos em IA no Brasil. No entanto, ainda faltam dados públicos sobre o tempo médio necessário para que empresas brasileiras consigam consolidar suas plataformas e sobre os custos reais desse processo. Também não há consenso sobre quais modelos de integração são mais eficazes para diferentes portes e setores de empresa.

Outro ponto em aberto é a mensuração do retorno da IA em ambientes parcialmente integrados. Se a maioria das empresas não consegue medir o ROI, como saber se os investimentos atuais estão de fato gerando valor? O próprio relatório aponta que 62% das organizações têm dificuldade para obter retornos mensuráveis, mas não detalha quais métricas são usadas nem como elas variam entre setores.

Por fim, permanece a dúvida sobre o impacto de novas regulações, especialmente em setores menos maduros digitalmente. A experiência dos setores regulados sugere que exigências externas podem acelerar a integração, mas não está claro se esse modelo pode ser replicado em larga escala.

Implicações para empresas: o custo da fragmentação em Manaus e no Polo Industrial

Para empresas instaladas em Manaus e no Polo Industrial, onde a competitividade depende de processos ágeis e seguros, a fragmentação de TI representa um risco operacional e financeiro relevante. A multiplicidade de sistemas aumenta a complexidade da infraestrutura, eleva o custo de manutenção e dificulta a adoção de soluções avançadas de IA. Em setores industriais, a integração de dados entre chão de fábrica, logística e áreas administrativas é fundamental para garantir eficiência e conformidade regulatória.

Além disso, a exposição a riscos de segurança cresce em ambientes fragmentados, especialmente quando múltiplos fornecedores e sistemas legados coexistem sem governança clara. Para organizações que operam com recursos limitados e prazos apertados, cada incidente de segurança ou falha de integração pode resultar em perdas operacionais e reputacionais difíceis de recuperar.

O estudo da ManageEngine reforça que a maturidade digital do Brasil só se converterá em ganhos reais se vier acompanhada de maior integração entre áreas de negócio e tecnologia. Para empresas que buscam escalar iniciativas de IA ou otimizar custos de TI, a consolidação de plataformas e a simplificação da infraestrutura surgem como prioridades estratégicas inadiáveis.

Diagrama realista ilustrando a fragmentação de 18 sistemas de TI sem integração em empresas brasileiras, dificultando o uso eficiente da inteligência artificial.
Fluxo fragmentado de dados entre múltiplas soluções pontuais de TI destaca a complexidade que limita o sucesso da inteligência artificial nas empresas brasileiras, conforme estudo da ManageEngine.

O desafio da fragmentação de TI não é apenas técnico, mas estratégico: sem integração, a promessa da IA se transforma em custo invisível e risco ampliado. Para quem opera em ambientes industriais ou mercados regulados, a decisão de consolidar sistemas pode ser o divisor entre liderar a transformação digital ou ficar preso à complexidade do passado.

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