Google Cloud aposta em IA para estruturar dados clínicos e acelerar interoperabilidade

Google Cloud utiliza IA para estruturar dados clínicos e impulsionar a interoperabilidade na saúde, focando em desafios estratégicos das instituições.

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Google Cloud aposta em IA para estruturar dados clínicos e acelerar interoperabilidade

No Fórum Saúde Digital 2026, Google Cloud defende o uso de IA para organizar dados clínicos e transformar a interoperabilidade em ferramenta estratégica para instituições de saúde. Especialistas destacam que integração de dados deve ser orientada por desafios reais, não pela tecnologia em si.

por Atlas Upnetix Review Team · 5 de agosto, 2026 · 8 min de leitura
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No Fórum Saúde Digital 2026, realizado na AACD, o Google Cloud apresentou sua visão sobre a importância da inteligência artificial (IA) na estruturação de dados clínicos e na aceleração da interoperabilidade no setor de saúde. Priscila Cruzatti, Especialista em Inovação e Saúde Digital do Google Cloud para a América Latina, foi a porta-voz dessa abordagem, destacando que a interoperabilidade deve ser vista não como um objetivo final, mas como uma ferramenta fundamental para resolver desafios concretos das organizações de saúde.

Priscila Cruzatti apresentando no Fórum Saúde Digital 2026 na AACD.
Priscila Cruzatti, especialista do Google Cloud, apresenta a visão da empresa sobre IA e interoperabilidade no setor de saúde durante o Fórum Saúde Digital 2026 na AACD.

Fragmentação dos dados clínicos: um obstáculo persistente

Segundo Priscila Cruzatti, a fragmentação dos dados é uma realidade tanto entre diferentes instituições quanto dentro dos próprios hospitais. Muitas vezes, cabe ao próprio paciente a tarefa de conectar informações entre atendimentos, levando exames e repetindo seu histórico a cada novo profissional. Essa situação revela que o problema da interoperabilidade não se restringe à troca de informações entre sistemas externos, mas também à integração interna dos dados dentro das instituições.

Essa fragmentação prejudica a eficiência dos processos clínicos e administrativos, além de dificultar a adoção de novas tecnologias. Um exame laboratorial, por exemplo, ganha significado ampliado quando pode ser comparado ao histórico completo do paciente, permitindo decisões mais embasadas e análises mais profundas.

Interoperabilidade como meio, não como fim

Durante o painel “Interoperabilidade como prioridade executiva para destravar escala e eficiência na saúde”, Priscila Cruzatti enfatizou que um dos principais equívocos das organizações é tratar a interoperabilidade como objetivo final. Segundo ela, a integração de dados deve ser encarada como um caminho para atingir metas mais amplas, como eficiência operacional, melhoria da experiência do paciente e implantação de serviços digitais inovadores.

A especialista defende que a discussão sobre interoperabilidade deve partir dos desafios estratégicos das instituições. Em vez de perguntar como implantar interoperabilidade, hospitais, operadoras e centros diagnósticos precisam identificar seus principais problemas e objetivos. Só então a integração de dados deve ser utilizada como instrumento para alcançar esses resultados.

Essa abordagem pragmática sugere que a tecnologia, por si só, não é suficiente para transformar a saúde. É necessário alinhar as iniciativas de integração de dados aos objetivos de negócio, garantindo que a interoperabilidade contribua efetivamente para a resolução de problemas reais.

Abordagem incremental: integrando por etapas

Paciente com exames em papel e médicos usando sistemas distintos em hospital.
Fragmentação dos dados clínicos dentro das instituições de saúde dificulta a integração e o uso eficiente das informações para decisões clínicas.

Outro ponto relevante trazido por Priscila Cruzatti foi a necessidade de evitar projetos de interoperabilidade excessivamente ambiciosos. Ela argumenta que não é necessário integrar todos os sistemas ou reunir todo o histórico clínico dos pacientes antes de começar a gerar valor. Uma abordagem incremental, seja por áreas assistenciais ou por períodos específicos da jornada do paciente, pode ser mais eficaz.

Por exemplo, a análise de dados dos últimos sete ou trinta dias já permite identificar padrões importantes, como casos de reinternação ou revisitas ao pronto-socorro. Essas informações podem ser utilizadas para melhorar a experiência do paciente e os resultados clínicos e financeiros das instituições, sem a necessidade de uma integração total e imediata de todos os dados.

Essa visão incremental reduz a complexidade dos projetos, permite ganhos rápidos e facilita o engajamento das equipes envolvidas. Além disso, possibilita ajustes contínuos com base nos resultados obtidos, tornando o processo de integração mais flexível e adaptável às necessidades da organização.

O papel da IA na estruturação dos dados clínicos

A inteligência artificial surge como aliada fundamental na transformação dos dados clínicos em informações úteis. Priscila Cruzatti destacou que, embora o setor de saúde seja um dos que mais produzem informações, ainda há grande dificuldade em transformar esse volume em conhecimento acionável.

Segundo a especialista, “não existe inteligência artificial sem dados, e sem dados bons, de qualidade, confiáveis e disponíveis”. Modelos de linguagem já estão sendo utilizados para estruturar informações clínicas originalmente não estruturadas, como textos livres e registros feitos durante o atendimento. Esses modelos especializados em saúde conseguem transformar dados dispersos em informações organizadas, prontas para aplicações clínicas e analíticas.

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Essa capacidade de estruturar dados reduz a necessidade de impor fluxos rígidos de preenchimento aos profissionais de saúde, melhora a captura das informações e fortalece tanto a interoperabilidade quanto o desempenho das soluções de IA. Na prática, isso significa que a tecnologia pode se adaptar à realidade dos profissionais, em vez de exigir que eles se adaptem à tecnologia.

Desafios e oportunidades para instituições de saúde

Diagrama incremental de integração de dados clínicos com períodos e benefícios.
Abordagem incremental para integração de dados clínicos permite gerar valor antes da integração total, facilitando a análise de casos recentes e melhorando resultados.

A adoção de IA para estruturar dados clínicos e promover a interoperabilidade traz desafios importantes para as instituições. A qualidade dos dados é o principal fator de sucesso: sem dados confiáveis, as aplicações de IA perdem eficácia e podem até gerar riscos. Além disso, a integração de sistemas exige investimentos em infraestrutura digital, governança de dados e capacitação das equipes.

Por outro lado, as oportunidades são significativas. A interoperabilidade orientada por desafios estratégicos pode destravar ganhos de eficiência, melhorar a jornada do paciente e viabilizar novos modelos de atendimento digital. Instituições que adotam uma abordagem incremental conseguem colher resultados mais rápidos e reduzir o risco de projetos paralisados por excesso de complexidade.

No contexto brasileiro, onde a fragmentação dos dados e a diversidade de sistemas são desafios recorrentes, a experiência do Google Cloud aponta para a importância de alinhar tecnologia e estratégia. Projetos bem-sucedidos começam pela definição clara dos objetivos e utilizam a integração de dados como meio para alcançá-los.

Implicações para infraestrutura e conectividade empresarial

A crescente dependência de dados estruturados e aplicações baseadas em IA reforça a necessidade de infraestrutura digital robusta nas instituições de saúde. Para que a interoperabilidade e a inteligência artificial entreguem valor, é fundamental garantir conectividade estável, disponibilidade dos sistemas e segurança na troca de informações sensíveis.

Hospitais, clínicas e operadoras que atuam em regiões com desafios logísticos, como Manaus e o Polo Industrial, precisam considerar a redundância de acesso, a baixa latência e o suporte técnico local como elementos críticos para o sucesso dos projetos de integração de dados. A engenharia local e o acompanhamento próximo são diferenciais importantes para adaptar as soluções às realidades regionais e garantir a continuidade dos serviços de saúde, mesmo diante de eventuais instabilidades de rede.

Além disso, a adoção de práticas de governança e a contratação de serviços com SLA (Acordo de Nível de Serviço) garantido em contrato tornam-se essenciais para mitigar riscos e assegurar que os dados estejam sempre disponíveis para as aplicações de IA e para a tomada de decisão clínica.

Em um cenário onde a interoperabilidade deixa de ser apenas uma meta tecnológica e passa a ser um instrumento estratégico, a infraestrutura digital deixa de ser coadjuvante para se tornar protagonista na transformação do setor de saúde.

Centro de dados moderno do Google Cloud com servidores para IA e interoperabilidade.
Infraestrutura tecnológica do Google Cloud suporta soluções de IA para estruturar dados clínicos e acelerar a interoperabilidade no setor de saúde.

O avanço da IA na saúde, impulsionado por iniciativas como as do Google Cloud, evidencia que a integração de dados clínicos só gera resultados quando sustentada por conectividade confiável e alinhada aos desafios reais das instituições. Em regiões como Manaus, onde a infraestrutura pode ser um gargalo, o sucesso desses projetos depende de decisões técnicas bem fundamentadas e de parceiros que compreendam as especificidades locais.

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