IA brasileira reduz crimes violentos em 27% em Luziânia e desafia modelo tradicional de investigação policial

IA Pax reduz crimes em 27% em Luziânia, Goiás, e exige infraestrutura digital robusta para adoção em larga escala por órgãos públicos.

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IA brasileira reduz crimes violentos em 27% em Luziânia e desafia modelo tradicional de investigação policial

A adoção da IA Pax por forças policiais de Goiás e Paraná acelerou investigações e cortou índices criminais, mas impõe novas demandas de infraestrutura, privacidade e custódia de dados para o setor público.

por Atlas Upnetix Review Team · 1 de setembro, 2026 · 8 min de leitura
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O uso de inteligência artificial (IA) em operações policiais brasileiras está desafiando a crença de que tecnologia disruptiva é privilégio de grandes centros ou de países desenvolvidos. Segundo reportagem do TecMundo, a plataforma Pax, apelidada de “ChatGPT da Segurança”, proporcionou redução de 27% nos crimes violentos em Luziânia (GO) após seis meses de uso. O dado, atribuído à Secretaria de Segurança Pública de Goiás, não apenas contraria a expectativa de que inovação em segurança pública é lenta e cara, mas também expõe um novo patamar de exigência para a infraestrutura digital dos órgãos públicos.

Equipe policial e especialistas em tecnologia operando plataforma de inteligência artificial para segurança pública em sala de operações moderna
Equipe de segurança pública de Luziânia utilizando a plataforma de inteligência artificial Pax para monitoramento e investigação, que contribuiu para a redução de 27% nos crimes violentos na cidade.

Resultados concretos e alcance da IA Pax

De acordo com o TecMundo, a Pax foi implementada inicialmente em Goiás e, em menor escala, no Paraná. O sistema atua em casos de homicídio, latrocínio, roubo e furto, apoiando tanto investigações quanto patrulhamento e ocorrências em andamento. O subsecretário de Segurança Pública de Goiás, Gustavo Carlos Ferreira, afirma que a efetividade policial “praticamente dobrou nas unidades que operam com a plataforma”. Em Luziânia, o projeto-piloto resultou em uma queda de 27% nos índices de crimes violentos, enquanto mais de 2,2 mil casos foram solucionados no estado desde abril de 2025.

Nos municípios do Paraná, a Pax foi responsável pela resolução de mil casos, segundo a própria empresa. Embora o número seja menor, o CEO da Pax, David Peixoto, atribui isso ao estágio inicial da adoção local. O sistema já está presente em mais de 50 cidades entre Goiás e Paraná, mas a empresa não detalha a lista completa por razões estratégicas e de segurança.

Como funciona a tecnologia e o que muda para as operações

A Pax utiliza um modelo open-weight, ou seja, de código aberto, com componentes disponíveis para personalização. O sistema cruza dados de boletins de ocorrência, imagens de câmeras públicas e depoimentos, permitindo buscas semânticas e identificação visual detalhada, como cor, modelo e adesivos em veículos. A IA opera em modo conversacional, facilitando o uso por agentes de campo e acelerando investigações que antes exigiam horas de trabalho manual.

O CEO da Pax defende que a tecnologia “torna o trabalho da polícia 100 vezes mais rápido” e devolve a capacidade investigativa ao policial, permitindo atuação simultânea em múltiplos casos. Em um exemplo citado pelo TecMundo, a busca semântica por suspeitos de roubo em Aparecida de Goiânia resultou na prisão de dois indivíduos, graças à análise de imagens e cruzamento de informações sobre vestimentas e veículos.

Tela de computador exibindo análise de imagens e busca semântica detalhada para investigação policial com IA
Interface da plataforma Pax realizando cruzamento de dados, imagens e depoimentos em busca semântica para acelerar investigações policiais em Goiás e Paraná.

Custos, escala e satisfação dos usuários

O custo anual da Pax para uma prefeitura como Luziânia é de cerca de R$ 1 milhão, segundo o CEO da empresa. Para efeito de comparação, o município destinou R$ 27 milhões à segurança pública em 2024. Ou seja, a IA representa menos de 4% do orçamento local para o setor. O Net Promoter Score (NPS), métrica de satisfação dos usuários, atingiu 92% entre as polícias que já utilizam a plataforma, de acordo com Peixoto.

Apesar do entusiasmo dos responsáveis pela Pax e da Secretaria de Segurança de Goiás, o TecMundo ressalta que não há um levantamento nacional consolidado sobre a resolução de crimes patrimoniais. No caso de homicídios dolosos, apenas 36% foram esclarecidos no Brasil em 2023, segundo o Instituto Sou da Paz. A expectativa é que a IA possa elevar esses índices, mas ainda faltam dados de longo prazo e avaliações independentes.

Privacidade, custódia de dados e desafios de infraestrutura

A adoção de IA em segurança pública traz à tona preocupações com privacidade e integridade dos dados. Segundo Peixoto, a Pax não armazena informações em servidores próprios: toda a operação ocorre em cloud do órgão de segurança, com acesso restrito a agentes oficiais e tráfego criptografado. Todas as ações são auditáveis, com registros mantidos por até cinco anos. Apenas 0,02% dos dados alimentados são acessados pelos policiais, o que, segundo a empresa, é resultado de camadas de proteção e autenticação.

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O CEO explica que a IA não produz provas jurídicas, mas preserva a integridade do dado original por meio de hash (código único gerado a partir do arquivo), permitindo rastreabilidade e conferência matemática. A cadeia de custódia formal permanece sob responsabilidade dos órgãos de persecução penal, enquanto a tecnologia assegura que o dado chegue intacto ao processo.

No entanto, a expansão da IA para todas as unidades policiais, como planeja a Secretaria de Segurança de Goiás, depende de infraestrutura digital robusta: servidores em nuvem, conectividade estável e políticas claras de acesso e auditoria. Em regiões com limitações de banda larga ou instabilidade de rede, a eficácia do sistema pode ser comprometida, afetando tanto a velocidade de resposta quanto a segurança dos dados sensíveis.

Policiais efetuando prisão de suspeitos de roubo em operação apoiada por inteligência artificial em Aparecida de Goiânia
Operação policial em Aparecida de Goiânia resultando na prisão de dois suspeitos de roubo após uso da IA Pax para análise detalhada de vestimentas e veículos.

O contra-argumento: riscos, limitações e o que ainda não se sabe

O TecMundo destaca que, embora os resultados preliminares sejam positivos, ainda não existe consenso nacional sobre o impacto da IA em segurança pública. Não há, por exemplo, avaliação independente sobre o efeito da Pax em diferentes contextos urbanos ou rurais, nem dados sobre possíveis vieses algorítmicos ou falhas de identificação. A própria empresa reconhece que não divulga todas as cidades atendidas por motivos estratégicos, o que limita a transparência e dificulta a comparação entre regiões.

Além disso, a dependência de infraestrutura digital levanta dúvidas sobre a viabilidade de expansão para municípios com orçamento restrito ou infraestrutura precária. O custo de R$ 1 milhão por ano pode ser viável para cidades médias, mas representa desafio para localidades menores. Por fim, a integração com sistemas legados de segurança pública e a capacitação de agentes para uso eficiente da IA são gargalos ainda pouco discutidos publicamente.

Implicações para gestores públicos e empresas de infraestrutura digital

Para gestores públicos e decisores de TI, a experiência de Goiás e Paraná com a Pax sinaliza uma mudança de paradigma: a capacidade de reduzir crimes e acelerar investigações depende cada vez mais de infraestrutura digital resiliente. A adoção de IA em segurança pública não é apenas uma questão de software, mas de garantir conectividade estável, servidores seguros e políticas de acesso rigorosas.

No contexto do Polo Industrial de Manaus e de cidades da Amazônia, onde desafios logísticos e de conectividade são conhecidos, a replicação de resultados como os de Luziânia exige planejamento específico. A latência da rede, a disponibilidade do acesso e a redundância de links tornam-se fatores críticos para o sucesso de projetos de IA em segurança pública. Além disso, a transparência nos processos de custódia de dados e a capacidade de auditar acessos são requisitos que extrapolam o debate tecnológico e impactam diretamente a confiança da sociedade nas instituições.

Reunião entre CEO da Pax e representantes da Secretaria de Segurança Pública discutindo resultados da IA na segurança pública
CEO da Pax, David Peixoto, e subsecretário Gustavo Carlos Ferreira discutem resultados do projeto-piloto em Luziânia, que solucionou mais de 2,2 mil casos desde 2025.

Em suma, a redução de 27% nos crimes violentos em Luziânia, atribuída à IA Pax, demonstra o potencial transformador da tecnologia, mas também escancara a necessidade de investimentos contínuos em infraestrutura digital. Para que a promessa de investigações mais rápidas e eficientes se concretize em larga escala, será preciso enfrentar limitações de conectividade, orçamento e capacitação técnica, desafios que não se resolvem apenas com algoritmos, mas com decisões estratégicas sobre a base tecnológica do setor público.

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