IA · análise
IA redefine prioridades e acelera investimentos em tecnologia nas empresas brasileiras, aponta IDC e ABES
Estudo da IDC para a ABES mostra que 95% das empresas brasileiras já utilizam IA, mudando o foco dos investimentos em TI para produtividade, inovação e integração de infraestrutura. Governança de dados e maturidade digital se tornam desafios centrais.

A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser uma promessa distante para se tornar o epicentro das decisões estratégicas nas empresas brasileiras. O mais recente estudo “Estratégias Digitais em Alta Performance: os vetores tecnológicos impulsionados pela IA”, conduzido pela International Data Corporation (IDC) a pedido da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES), revela uma virada de chave: 95% das organizações já utilizam IA em suas operações, e os 5% restantes planejam adotá-la em até um ano. O levantamento, apresentado em transmissão ao vivo no canal da ABES, reflete uma aceleração inédita na transformação digital do país, com impactos diretos na estrutura e nas prioridades de investimento das organizações.

IA passa de aposta a eixo central das estratégias de TI
Segundo a pesquisa da IDC, a discussão sobre IA nas empresas brasileiras já não gira mais em torno da adoção, mas sim da capacidade de integração segura, escalável e orientada a resultados. O estudo ouviu 107 tomadores de decisão de TI em empresas com mais de 100 funcionários, e os dados apontam para uma aceitação quase universal da tecnologia. A IA, que antes figurava como projeto experimental, agora ocupa posição central nas estratégias empresariais, superando temas como segurança, nuvem e automação.
Esse novo cenário é destacado por Jorge Sukarie, membro do Conselho da ABES e responsável pelo estudo: “A Inteligência Artificial tornou-se o principal vetor organizador das decisões tecnológicas nas empresas. A transformação digital entra em uma nova etapa, em que inovação, infraestrutura, dados e segurança deixam de competir por prioridade e passam a atuar de forma integrada para sustentar novos modelos de negócio”.
O levantamento mostra que 86% das empresas já utilizam Inteligência Artificial Generativa, percentual que sobe para 98% considerando as organizações que planejam implementá-la nos próximos 12 meses. Além disso, 69% já superaram a fase de testes e possuem investimentos estruturados em IA Generativa para os próximos 18 meses, incluindo capacitação, aquisição de software e contratação de serviços especializados.
Investimentos em TI crescem e mudam de foco
O avanço da IA está diretamente ligado ao aumento dos orçamentos de tecnologia. Segundo o estudo, 86% das empresas pretendem ampliar seus investimentos em TI em 2026, enquanto apenas 0,9% planejam reduzi-los. O dado indica uma mudança significativa no papel da tecnologia dentro das organizações, que passam a enxergar a IA como motor de crescimento e inovação, e não apenas como ferramenta de eficiência operacional.
As prioridades dos investimentos também mudaram. O aumento da produtividade lidera a lista de motivações (43%), seguido pela melhoria da experiência dos clientes (35%), enfrentamento da concorrência (34%) e desenvolvimento de novos produtos e serviços (33%). A redução de custos, tradicionalmente um dos principais argumentos para adoção de novas tecnologias, aparece apenas na décima posição, com 13%. Esse deslocamento do foco ilustra como a IA está sendo incorporada como diferencial competitivo e não apenas como mecanismo de corte de despesas.

Fabio Martinelli, Senior Analyst Enterprise da IDC Brasil, sintetiza a mudança: “A IA deixou de ser um projeto experimental para ocupar posição central na estratégia empresarial. As organizações agora buscam transformar investimentos em ganhos concretos de produtividade, inovação e competitividade”.
Infraestrutura e governança de dados: os novos gargalos
Apesar do avanço acelerado, a pesquisa destaca desafios estruturais que podem limitar o potencial da IA nas empresas brasileiras. Apenas 48% das organizações afirmam possuir dados bem estruturados e governados, enquanto 49% reconhecem operar com dados parcialmente estruturados ou com lacunas. Outros 3% classificam a gestão de dados como um gargalo significativo. Esses números revelam que a maturidade em IA depende menos da disponibilidade da tecnologia e mais da qualidade da infraestrutura digital, governança e preparo organizacional.
O estudo também aponta que tecnologias como computação em nuvem, infraestrutura de data centers, governança de dados e cibersegurança deixam de ser iniciativas isoladas e passam a formar a base necessária para que a IA gere valor real aos negócios. Em outras palavras, a integração dessas áreas é condição para escalar projetos de IA com segurança e eficiência.
Esse cenário coloca pressão sobre as equipes de TI para revisar processos, investir em qualificação e, principalmente, garantir que a infraestrutura digital acompanhe o ritmo das demandas impostas pela IA. O risco de projetos de IA fracassarem por falta de dados de qualidade ou por infraestrutura insuficiente é real, especialmente em setores que dependem de processamento intensivo e baixa latência.
Brasil ganha protagonismo, mas desafios de maturidade persistem
O estudo da IDC indica que o mercado brasileiro de TI corporativa deverá crescer a uma taxa média anual de 12,3% entre 2024 e 2028, ficando atrás apenas da China entre os dez maiores mercados globais. Esse dado reforça o protagonismo do Brasil na corrida tecnológica, mas também evidencia que o desafio agora é de maturidade e não mais de adoção.

Para a ABES, o país entra em uma nova etapa da transformação digital, em que a competitividade dependerá menos da simples adoção de IA e mais da capacidade de utilizá-la com estratégia, governança, segurança e desenvolvimento de competências. A pesquisa sugere que as empresas que não avançarem nessas frentes correm o risco de perder relevância diante de concorrentes mais preparados para extrair valor dos dados e da automação inteligente.
Outro ponto de atenção é a necessidade de integração entre inovação, infraestrutura, dados e segurança. A fragmentação dessas áreas pode criar gargalos que limitam a escalabilidade e a efetividade dos projetos de IA, especialmente em setores que operam com grandes volumes de dados sensíveis ou que exigem alta disponibilidade.
Implicações práticas para empresas: infraestrutura e integração como diferenciais
Para empresas que atuam em ambientes de alta competitividade, como o Polo Industrial de Manaus, as conclusões do estudo da IDC e da ABES têm implicações diretas. A universalização da IA eleva o patamar de exigência sobre a infraestrutura digital: conexões de alta disponibilidade, baixa latência e capacidade de escalar rapidamente tornam-se pré-requisitos para que projetos de automação, análise preditiva e atendimento inteligente tragam resultados concretos.
Além disso, a governança de dados emerge como fator crítico. Organizações que ainda operam com dados fragmentados ou sem processos claros de qualidade e segurança correm o risco de ver seus investimentos em IA limitados ou até mesmo desperdiçados. O desafio não está mais em “ter IA”, mas em garantir que ela funcione de forma integrada ao restante da operação, com dados confiáveis e infraestrutura robusta para suportar picos de processamento e demandas de conectividade.
Na prática, para gestores de TI e tomadores de decisão, isso significa revisar contratos de conectividade, avaliar a resiliência das redes corporativas, investir em soluções que permitam integração entre matriz e filiais, e adotar práticas de governança de dados alinhadas às exigências de segurança e privacidade. O ambiente regulatório, cada vez mais rigoroso, também demanda atenção especial, especialmente em setores industriais e de serviços críticos.
O próximo passo: infraestrutura digital integrada para escalar IA com segurança

O estudo da IDC para a ABES deixa claro: a corrida pela IA já não é sobre quem adota primeiro, mas sobre quem consegue integrá-la de forma segura, escalável e orientada a resultados. Empresas que investem apenas em algoritmos ou ferramentas isoladas correm o risco de esbarrar em limitações de dados, infraestrutura ou governança. O diferencial competitivo, especialmente em polos industriais e mercados dinâmicos como Manaus, passa a ser a capacidade de construir uma base digital integrada, capaz de sustentar projetos de IA do laboratório à operação em larga escala. Para quem lidera a transformação digital, o desafio agora é garantir que a infraestrutura de conectividade, processamento e dados esteja à altura das novas demandas de produtividade e inovação.
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