IA redefine prioridades e acelera investimentos em tecnologia nas empresas brasileiras, aponta IDC e ABES

Estudo IDC/ABES revela adoção quase universal de IA nas empresas brasileiras e destaca desafios de infraestrutura e governança de dados.

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IA redefine prioridades e acelera investimentos em tecnologia nas empresas brasileiras, aponta IDC e ABES

Estudo da IDC para a ABES mostra que 95% das empresas brasileiras já utilizam IA, mudando o foco dos investimentos em TI para produtividade, inovação e integração de infraestrutura. Governança de dados e maturidade digital se tornam desafios centrais.

por Atlas Upnetix Review Team · 6 de agosto, 2026 · 8 min de leitura
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A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser uma promessa distante para se tornar o epicentro das decisões estratégicas nas empresas brasileiras. O mais recente estudo “Estratégias Digitais em Alta Performance: os vetores tecnológicos impulsionados pela IA”, conduzido pela International Data Corporation (IDC) a pedido da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES), revela uma virada de chave: 95% das organizações já utilizam IA em suas operações, e os 5% restantes planejam adotá-la em até um ano. O levantamento, apresentado em transmissão ao vivo no canal da ABES, reflete uma aceleração inédita na transformação digital do país, com impactos diretos na estrutura e nas prioridades de investimento das organizações.

Executivos de TI brasileiros discutindo estratégias digitais em sala de reunião moderna.
Executivos brasileiros discutem estratégias digitais com foco em Inteligência Artificial, conforme estudo da IDC e ABES.

IA passa de aposta a eixo central das estratégias de TI

Segundo a pesquisa da IDC, a discussão sobre IA nas empresas brasileiras já não gira mais em torno da adoção, mas sim da capacidade de integração segura, escalável e orientada a resultados. O estudo ouviu 107 tomadores de decisão de TI em empresas com mais de 100 funcionários, e os dados apontam para uma aceitação quase universal da tecnologia. A IA, que antes figurava como projeto experimental, agora ocupa posição central nas estratégias empresariais, superando temas como segurança, nuvem e automação.

Esse novo cenário é destacado por Jorge Sukarie, membro do Conselho da ABES e responsável pelo estudo: “A Inteligência Artificial tornou-se o principal vetor organizador das decisões tecnológicas nas empresas. A transformação digital entra em uma nova etapa, em que inovação, infraestrutura, dados e segurança deixam de competir por prioridade e passam a atuar de forma integrada para sustentar novos modelos de negócio”.

O levantamento mostra que 86% das empresas já utilizam Inteligência Artificial Generativa, percentual que sobe para 98% considerando as organizações que planejam implementá-la nos próximos 12 meses. Além disso, 69% já superaram a fase de testes e possuem investimentos estruturados em IA Generativa para os próximos 18 meses, incluindo capacitação, aquisição de software e contratação de serviços especializados.

Investimentos em TI crescem e mudam de foco

O avanço da IA está diretamente ligado ao aumento dos orçamentos de tecnologia. Segundo o estudo, 86% das empresas pretendem ampliar seus investimentos em TI em 2026, enquanto apenas 0,9% planejam reduzi-los. O dado indica uma mudança significativa no papel da tecnologia dentro das organizações, que passam a enxergar a IA como motor de crescimento e inovação, e não apenas como ferramenta de eficiência operacional.

As prioridades dos investimentos também mudaram. O aumento da produtividade lidera a lista de motivações (43%), seguido pela melhoria da experiência dos clientes (35%), enfrentamento da concorrência (34%) e desenvolvimento de novos produtos e serviços (33%). A redução de custos, tradicionalmente um dos principais argumentos para adoção de novas tecnologias, aparece apenas na décima posição, com 13%. Esse deslocamento do foco ilustra como a IA está sendo incorporada como diferencial competitivo e não apenas como mecanismo de corte de despesas.

Painel digital com dados de uso e investimento em IA nas empresas brasileiras.
Dados do estudo IDC e ABES mostram alta adoção da IA e planos de investimento no setor de TI em empresas brasileiras.

Fabio Martinelli, Senior Analyst Enterprise da IDC Brasil, sintetiza a mudança: “A IA deixou de ser um projeto experimental para ocupar posição central na estratégia empresarial. As organizações agora buscam transformar investimentos em ganhos concretos de produtividade, inovação e competitividade”.

Infraestrutura e governança de dados: os novos gargalos

Apesar do avanço acelerado, a pesquisa destaca desafios estruturais que podem limitar o potencial da IA nas empresas brasileiras. Apenas 48% das organizações afirmam possuir dados bem estruturados e governados, enquanto 49% reconhecem operar com dados parcialmente estruturados ou com lacunas. Outros 3% classificam a gestão de dados como um gargalo significativo. Esses números revelam que a maturidade em IA depende menos da disponibilidade da tecnologia e mais da qualidade da infraestrutura digital, governança e preparo organizacional.

O estudo também aponta que tecnologias como computação em nuvem, infraestrutura de data centers, governança de dados e cibersegurança deixam de ser iniciativas isoladas e passam a formar a base necessária para que a IA gere valor real aos negócios. Em outras palavras, a integração dessas áreas é condição para escalar projetos de IA com segurança e eficiência.

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Esse cenário coloca pressão sobre as equipes de TI para revisar processos, investir em qualificação e, principalmente, garantir que a infraestrutura digital acompanhe o ritmo das demandas impostas pela IA. O risco de projetos de IA fracassarem por falta de dados de qualidade ou por infraestrutura insuficiente é real, especialmente em setores que dependem de processamento intensivo e baixa latência.

Brasil ganha protagonismo, mas desafios de maturidade persistem

O estudo da IDC indica que o mercado brasileiro de TI corporativa deverá crescer a uma taxa média anual de 12,3% entre 2024 e 2028, ficando atrás apenas da China entre os dez maiores mercados globais. Esse dado reforça o protagonismo do Brasil na corrida tecnológica, mas também evidencia que o desafio agora é de maturidade e não mais de adoção.

Profissional brasileiro de TI gerenciando infraestrutura de servidores em data center.
Infraestrutura tecnológica é destaque na transformação digital orientada pela inteligência artificial nas empresas.

Para a ABES, o país entra em uma nova etapa da transformação digital, em que a competitividade dependerá menos da simples adoção de IA e mais da capacidade de utilizá-la com estratégia, governança, segurança e desenvolvimento de competências. A pesquisa sugere que as empresas que não avançarem nessas frentes correm o risco de perder relevância diante de concorrentes mais preparados para extrair valor dos dados e da automação inteligente.

Outro ponto de atenção é a necessidade de integração entre inovação, infraestrutura, dados e segurança. A fragmentação dessas áreas pode criar gargalos que limitam a escalabilidade e a efetividade dos projetos de IA, especialmente em setores que operam com grandes volumes de dados sensíveis ou que exigem alta disponibilidade.

Implicações práticas para empresas: infraestrutura e integração como diferenciais

Para empresas que atuam em ambientes de alta competitividade, como o Polo Industrial de Manaus, as conclusões do estudo da IDC e da ABES têm implicações diretas. A universalização da IA eleva o patamar de exigência sobre a infraestrutura digital: conexões de alta disponibilidade, baixa latência e capacidade de escalar rapidamente tornam-se pré-requisitos para que projetos de automação, análise preditiva e atendimento inteligente tragam resultados concretos.

Além disso, a governança de dados emerge como fator crítico. Organizações que ainda operam com dados fragmentados ou sem processos claros de qualidade e segurança correm o risco de ver seus investimentos em IA limitados ou até mesmo desperdiçados. O desafio não está mais em “ter IA”, mas em garantir que ela funcione de forma integrada ao restante da operação, com dados confiáveis e infraestrutura robusta para suportar picos de processamento e demandas de conectividade.

Na prática, para gestores de TI e tomadores de decisão, isso significa revisar contratos de conectividade, avaliar a resiliência das redes corporativas, investir em soluções que permitam integração entre matriz e filiais, e adotar práticas de governança de dados alinhadas às exigências de segurança e privacidade. O ambiente regulatório, cada vez mais rigoroso, também demanda atenção especial, especialmente em setores industriais e de serviços críticos.

O próximo passo: infraestrutura digital integrada para escalar IA com segurança

Diagrama conceitual da integração entre inovação, infraestrutura, dados e segurança nas empresas.
Integração entre inovação, infraestrutura, dados e segurança sustenta novos modelos de negócio, segundo estudo IDC e ABES.

O estudo da IDC para a ABES deixa claro: a corrida pela IA já não é sobre quem adota primeiro, mas sobre quem consegue integrá-la de forma segura, escalável e orientada a resultados. Empresas que investem apenas em algoritmos ou ferramentas isoladas correm o risco de esbarrar em limitações de dados, infraestrutura ou governança. O diferencial competitivo, especialmente em polos industriais e mercados dinâmicos como Manaus, passa a ser a capacidade de construir uma base digital integrada, capaz de sustentar projetos de IA do laboratório à operação em larga escala. Para quem lidera a transformação digital, o desafio agora é garantir que a infraestrutura de conectividade, processamento e dados esteja à altura das novas demandas de produtividade e inovação.

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