InovaHC propõe modelo de mensageria inspirado no sistema financeiro para destravar interoperabilidade na saúde

Open Care Interop do InovaHC aposta em mensageria descentralizada para interoperabilidade na saúde, com foco em eficiência e segurança de dados.

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InovaHC propõe modelo de mensageria inspirado no sistema financeiro para destravar interoperabilidade na saúde

Projeto Open Care Interop aposta em arquitetura descentralizada e governança colaborativa para conectar hospitais e laboratórios, mirando ganhos operacionais e melhor assistência. O modelo, inspirado na infraestrutura bancária, enfrenta desafios culturais, regulatórios e de financiamento.

por Atlas Upnetix Review Team · 6 de agosto, 2026 · 8 min de leitura
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O avanço da digitalização no setor de saúde brasileiro tem esbarrado em um obstáculo recorrente: a fragmentação dos sistemas e a dificuldade de integração entre diferentes instituições. Em resposta a esse cenário, o InovaHC, núcleo de inovação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, apresentou o Open Care Interop, um projeto que busca acelerar a interoperabilidade entre hospitais, laboratórios e operadoras de saúde. A proposta se inspira na infraestrutura de mensageria que transformou o sistema financeiro nacional a partir da implantação do TED há mais de duas décadas.

InovaHC propõe modelo de mensageria inspirado no sistema financeiro para destravar interoperabilidade na saúde
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Fragmentação digital e o desafio da interoperabilidade

Segundo Marcia Ogawa Matsubayashi, Senior Advisor do InovaHC, a saúde brasileira ainda opera em um ambiente de digitalização fragmentada, onde sistemas funcionam como “ilhas” e dificultam o compartilhamento de informações essenciais para a assistência ao paciente. O relato, feito durante o Fórum Saúde Digital 2026, destaca que a interoperabilidade não deve ser vista apenas como um desafio técnico, mas como uma estratégia para destravar ganhos de eficiência operacional, promover inovação e melhorar a qualidade do atendimento.

A executiva enfatizou que a fragmentação não se limita à tecnologia, mas reflete também barreiras culturais e econômicas. A resistência à interoperabilidade, segundo ela, decorre do receio de perda de vantagem competitiva e da percepção de que o compartilhamento de dados pode beneficiar concorrentes. Esse cenário, porém, acaba penalizando o paciente, que enfrenta dificuldades no acesso a informações clínicas completas, e os próprios profissionais de saúde, que operam com dados incompletos ou redundantes.

Open Care Interop: arquitetura inspirada no sistema financeiro

O Open Care Interop reúne instituições como Beneficência Portuguesa, Hospital Sírio-Libanês, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Fleury, Dasa e Sabin, com apoio de entidades como RNDS, Abramed e Anahp. O projeto propõe uma camada de mensageria que horizontaliza a troca de informações, eliminando a necessidade de integrações bilaterais entre cada par de parceiros. Segundo Marcia, essa abordagem reduz o esforço técnico e operacional para conectar novos participantes, permitindo que uma única conexão distribua informações para toda a rede.

A inspiração veio do sistema financeiro, que há cerca de 25 anos enfrentou desafios semelhantes para viabilizar a interoperabilidade entre bancos. A implantação do TED criou uma infraestrutura comum de mensageria, permitindo transferências entre instituições de forma padronizada e segura. Para o setor de saúde, o Open Care Interop busca replicar essa lógica, mas adaptando-a às especificidades clínicas e regulatórias.

Uma diferença fundamental em relação a outras tentativas de integração é a decisão de não centralizar dados clínicos em um único repositório. Em vez disso, cada instituição mantém suas informações, e a plataforma registra apenas metadados que indicam por onde o paciente passou. Essa arquitetura descentralizada foi apontada como fator decisivo para superar resistências e garantir a adesão de grandes hospitais e laboratórios.

Barreiras culturais, econômicas e de governança

InovaHC propõe modelo de mensageria inspirado no sistema financeiro para destravar interoperabilidade na saúde
InovaHC propõe modelo de mensageria inspirado no sistema financeiro para destravar interoperabilidade na saúde

De acordo com a apresentação de Marcia Ogawa Matsubayashi no Fórum Saúde Digital 2026, o maior desafio do Open Care Interop não foi tecnológico, mas sim convencer as instituições participantes de que a interoperabilidade pode gerar valor para todos. A primeira barreira foi cultural: foi necessário desconstruir a ideia de que compartilhar informações representa risco ou perda de vantagem competitiva.

Outro ponto crucial foi demonstrar que os benefícios assistenciais, embora importantes, não bastam para justificar o investimento. Segundo a executiva, “por mais que o paciente seja beneficiado, se não houver também a captura de valor sob a ótica financeira, dificilmente o projeto decola”. Entre os ganhos econômicos destacados estão a redução de atividades administrativas que não agregam valor, como disputas e judicializações, além da simplificação das integrações técnicas entre parceiros.

A governança do projeto também foi cuidadosamente desenhada para garantir segurança jurídica e regulatória. O InovaHC, por não competir comercialmente com hospitais ou laboratórios, assumiu o papel de mediador neutro, o que ajudou a criar um ambiente de confiança. O desenvolvimento da plataforma envolveu departamentos jurídicos e encarregados de proteção de dados (DPOs) para definir regras de consentimento, autorização de acesso e conformidade com normas de proteção de dados.

Segurança, descentralização e inspiração bancária

A segurança dos dados foi tratada como prioridade desde o início. Inspirado no rigor do sistema financeiro, o Open Care Interop adotou uma arquitetura resiliente, com protocolos de proteção de dados alinhados às exigências das instituições participantes. A opção por não centralizar os dados clínicos, mantendo-os na origem, foi decisiva para eliminar resistências e mitigar riscos de vazamento ou uso indevido.

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Segundo Marcia, “nós não armazenamos dados de nenhum hospital”, o que representa uma ruptura em relação a modelos baseados em grandes data lakes centralizados. Essa escolha também responde à crítica de que padronizar todos os prontuários eletrônicos do país seria inviável. O projeto busca, assim, um caminho intermediário: promover interoperabilidade sem impor uniformização total dos sistemas legados.

Outro aspecto relevante é a inspiração explícita no modelo bancário. A infraestrutura de mensageria do TED, que permitiu a integração entre bancos concorrentes, serviu como referência para mostrar que é possível criar ambientes colaborativos mesmo em setores altamente competitivos. A diferença, porém, está no modelo de financiamento: enquanto o sistema financeiro contou com investimentos conjuntos das instituições, o Open Care Interop recebeu aporte inicial da B3 e optou por começar pelo setor privado para acelerar aprendizados antes de expandir ao setor público.

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Implicações para empresas e o setor público

Para organizações de saúde, operadoras e fornecedores de tecnologia, o avanço do Open Care Interop sinaliza uma mudança de paradigma na integração de dados clínicos. A possibilidade de conectar múltiplos parceiros por meio de uma única camada de mensageria reduz custos de integração, simplifica operações e pode acelerar o lançamento de novos serviços digitais, incluindo aplicações de inteligência artificial e analytics.

Empresas que atuam no ecossistema de saúde devem considerar que a interoperabilidade passa a ser não apenas uma exigência regulatória, mas um diferencial competitivo. A descentralização dos dados, combinada com governança colaborativa, reduz riscos de compliance e pode facilitar a adesão de parceiros estratégicos, inclusive em regiões com infraestrutura tecnológica heterogênea, como a Amazônia e o Polo Industrial de Manaus.

Para o setor público, a estratégia de iniciar pelo privado e transferir aprendizados para o SUS pode acelerar a digitalização de hospitais públicos e ampliar o acesso a informações clínicas, com impacto direto na eficiência do sistema e na qualidade do atendimento. No entanto, a ausência de um modelo de financiamento conjunto, como ocorreu no sistema bancário, permanece como desafio para a sustentabilidade e a escala da iniciativa.

O que muda na prática para a infraestrutura de conectividade

A adoção de modelos de interoperabilidade baseados em mensageria exige infraestrutura de conectividade robusta, baixa latência e alta disponibilidade. Para hospitais, laboratórios e operadoras localizados fora dos grandes centros, como em Manaus, a estabilidade da conexão passa a ser fator crítico para garantir o fluxo contínuo de informações clínicas e a segurança dos dados em trânsito.

Além disso, a descentralização dos dados implica que cada instituição deve investir em políticas de segurança cibernética, redundância de acesso e governança local, uma vez que a responsabilidade pelo armazenamento e proteção das informações permanece distribuída. O modelo proposto pelo Open Care Interop, ao evitar a centralização, reduz riscos de grandes vazamentos, mas exige maturidade operacional de todos os participantes da rede.

Para empresas que fornecem infraestrutura de TI e conectividade, o movimento de interoperabilidade na saúde representa uma oportunidade e um novo patamar de exigência. Soluções que garantam SLA, disponibilidade contratual e suporte técnico local passam a ser diferenciais decisivos para a adesão de hospitais e laboratórios a projetos colaborativos de integração de dados.

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O avanço do Open Care Interop, inspirado na experiência do sistema financeiro, mostra que a transformação digital na saúde depende tanto de tecnologia quanto de governança e confiança entre os atores do ecossistema. Para os gestores que buscam destravar eficiência, inovar em serviços e garantir segurança de dados, a infraestrutura de conectividade deixa de ser apenas suporte e se torna elemento estratégico para a viabilização da interoperabilidade em escala nacional.

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