Investimento dos bancos brasileiros em tecnologia chegará a R$ 50,4 bilhões em 2026, aponta Febraban

Bancos brasileiros investirão R$ 50,4 bilhões em tecnologia em 2026, com foco em cibersegurança, IA e nuvem, segundo pesquisa Febraban-Deloitte.

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Investimento dos bancos brasileiros em tecnologia chegará a R$ 50,4 bilhões em 2026, aponta Febraban

Setor bancário eleva orçamento em 8% e prioriza cibersegurança, IA generativa e modernização de infraestrutura, mas enfrenta desafios de maturidade e integração.

por Atlas Upnetix Review Team · 28 de agosto, 2026 · 8 min de leitura
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O setor bancário brasileiro está diante de um paradoxo: nunca se investiu tanto em tecnologia, mas a distância entre ambição e maturidade operacional permanece desconfortavelmente grande. Segundo a 34ª pesquisa de tecnologia bancária da Febraban, realizada em parceria com a Deloitte e apresentada no Febraban Tech 2026, os bancos do país devem destinar R$ 50,4 bilhões a tecnologia em 2026, um aumento de 8% sobre o ano anterior. Esse crescimento, porém, não se traduz automaticamente em transformação digital plena, e o próprio levantamento revela que a infraestrutura e a integração de dados ainda são gargalos para a adoção em escala de novas soluções, especialmente inteligência artificial generativa.

Executivo bancário brasileiro analisando dados de investimentos em tecnologia em escritório moderno.
Executivo analisando a pesquisa da Febraban que aponta investimento de R$ 50,4 bilhões em tecnologia pelos bancos brasileiros em 2026.

Prioridades de investimento: cibersegurança e IA generativa no topo

O estudo da Febraban, que ouviu representantes de instituições responsáveis por mais de 80% dos ativos bancários do Brasil, aponta que a cibersegurança responde por cerca de 10% do orçamento tecnológico do setor. Esse protagonismo reflete a preocupação com ameaças sofisticadas e a necessidade de proteger operações cada vez mais digitais. Entre as iniciativas, destacam-se autenticação multifator, monitoramento preditivo de transações, biometria comportamental e uso de inteligência artificial para detecção de fraudes, com percentuais de adoção que chegam a 88% em alguns casos.

A inteligência artificial generativa, por sua vez, é tratada como prioridade alta por 68% dos bancos, com expectativa de receber aproximadamente R$ 3 bilhões em investimentos em 2026. No entanto, apenas 28% das instituições declaram maturidade média ou alta no uso dessa tecnologia, enquanto 72% ainda operam em estágio experimental ou pontual. Sérgio Biagini, sócio-líder de Banking & Capital Markets da Deloitte, atribui esse descompasso à necessidade de modernizar arquiteturas legadas e calibrar a infraestrutura de dados antes de escalar o uso de IA.

Nuvem e modernização: pré-requisito para inovação real

O orçamento destinado à migração para nuvem deve crescer 30% em 2026, saltando de R$ 3 bilhões para R$ 3,9 bilhões, segundo a pesquisa. Esse avanço é interpretado pelos executivos do setor como uma etapa obrigatória para viabilizar a adoção de IA em maior escala. Biagini enfatiza que “para processar com inteligência artificial, você precisa estar com a infraestrutura redonda e com a infraestrutura de dados muito bem calibrada”. A ordem dos investimentos, portanto, não é casual: sem modernização de aplicações e arquitetura de dados, a promessa da IA generativa permanece distante da operação cotidiana.

Os ganhos de eficiência já começam a aparecer, ainda que de forma incremental. Entre 2024 e 2025, o ganho médio nos processos bancários subiu de 8,4% para 11,8%, enquanto no backoffice o salto foi de 7,4% para 11,5%. No atendimento ao cliente, a melhoria foi de 7% para 10,3%. Esses resultados sugerem que, mesmo com maturidade limitada, o uso básico de tecnologia já gera valor tangível, especialmente em tarefas rotineiras e automação de processos internos.

Profissionais em central de monitoramento de cibersegurança bancária com múltiplas telas de controle.
Central de cibersegurança que representa o investimento de cerca de 10% do orçamento tecnológico dos bancos em proteção contra ameaças digitais sofisticadas.

IA generativa: entre o entusiasmo e a realidade

Apesar do discurso otimista, o uso de agentes de IA generativa ainda é restrito. Apenas 16% dos bancos relatam utilização em grande escala com captura efetiva de valor, enquanto 52% já experimentam algum nível de adoção. As principais aplicações mapeadas são automação de processos internos (76%), atendimento via chatbots e voicebots (71%) e suporte a equipes internas (71%). Rodrigo Mulinari, diretor setorial de tecnologia da Febraban, ressalta que a agenda é recente e cercada de controles, com governança e análise de risco no centro das atenções.

O próximo passo, segundo Mulinari, é levar a IA para a borda do cliente, ampliando a autonomia no atendimento e assessorando de maneira mais personalizada. No entanto, a baixa maturidade operacional indica que o setor ainda está longe de capturar todo o potencial dessas tecnologias. O hiato entre prioridade e maturidade é atribuído à complexidade de integrar novas soluções a sistemas legados, um desafio que não se resolve apenas com aumento de orçamento.

Computação quântica e o horizonte da segurança pós-quântica

O relatório da Febraban aponta que 71% dos bancos já consideram a computação quântica como altamente relevante para o curto ou médio prazo, com foco prioritário em criptografia e segurança pós-quântica. Mulinari associa diretamente o avanço da computação quântica à agenda de IA, prevendo que a tecnologia vai acelerar processos hoje limitados pela capacidade de processamento convencional. Ainda assim, o grau de preparação do setor para lidar com riscos e oportunidades desse novo paradigma permanece uma incógnita, e o tema está mais no radar estratégico do que no cotidiano operacional.

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Contra-argumentos: maturidade e impacto real

Datacenter moderno com servidores e infraestrutura para inteligência artificial e migração para nuvem.
Infraestrutura tecnológica necessária para a migração para nuvem e modernização de arquiteturas legadas, pré-requisito para escalar o uso de inteligência artificial generativa no setor bancário.

Embora o volume de investimento seja recorde, há quem questione a efetividade desse aporte diante dos desafios de integração e capacitação. A diretora de inovação e tecnologia bancária da Febraban, Eduarda Davidovic, reconhece que “embora muitos pontos ainda estejam em caráter experimental, os bancos estão ganhando maturidade”. O setor já domina o uso básico da IA, mas a escala e o impacto ainda são limitados. O próprio levantamento mostra que a maioria das aplicações de IA generativa está restrita a automação de processos internos e análise de risco, com pouco avanço em personalização e atendimento ao cliente.

Outro ponto de tensão é o ritmo de adoção do Open Finance. Para 92% das instituições, o valor está na obtenção de dados financeiros e personalização de ofertas, mas a adesão do cliente ainda esbarra na compreensão do modelo. Mais da metade dos bancos apontam que o principal fator de avanço são casos de uso em que o cliente percebe valor, sinalizando que a transformação digital depende tanto de infraestrutura quanto de educação do usuário.

Implicações para empresas e o desafio da infraestrutura

O cenário desenhado pela pesquisa Febraban-Deloitte escancara um alerta para gestores de empresas e órgãos públicos: a transformação digital no setor financeiro brasileiro é inevitável, mas não automática. O aumento do investimento em tecnologia, especialmente em IA e nuvem, pressiona toda a cadeia de fornecedores e parceiros a elevar seus padrões de infraestrutura, conectividade e segurança. Para empresas que dependem de serviços bancários digitais, seja para pagamentos, gestão de caixa ou integração via Open Finance, a estabilidade da rede, a disponibilidade de dados e a proteção contra fraudes tornam-se fatores críticos de operação.

Em Manaus e no Polo Industrial da região, a necessidade de garantir conectividade robusta e de baixa latência ganha contornos ainda mais estratégicos, dada a distância dos principais centros de dados e a complexidade logística local. A migração acelerada para nuvem e a adoção de IA em escala exigem links dedicados, redundância e suporte técnico especializado, sob pena de transformar a promessa de eficiência em risco de indisponibilidade.

O avanço dos bancos em marketplaces digitais, seguros online e atendimento mobile, que já responde por 78% das transações, indica que o padrão de exigência do cliente corporativo também mudou. A recorrência de acesso e o volume de operações pressionam por redes mais estáveis e SLA rigoroso, especialmente quando a automação de processos e a análise de risco passam a depender de dados em tempo real.

Equipe bancária discutindo estratégias de IA generativa para atendimento e automação.
Bancos brasileiros priorizando a inteligência artificial generativa para automação de processos internos, atendimento via chatbots e suporte a equipes, conforme levantamento da Febraban.

Em resumo, a escalada dos investimentos em tecnologia bancária no Brasil não é apenas um termômetro do apetite por inovação, mas um aviso claro para quem opera no ecossistema: sem infraestrutura de conectividade à altura, o salto digital pode se transformar em gargalo operacional. Para empresas e gestores públicos, o desafio é antecipar essa demanda e garantir que a base tecnológica acompanhe o ritmo do setor financeiro, sob risco de ficar à margem das novas oportunidades e exposto a riscos crescentes de segurança e disponibilidade.

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