Itaú expande uso de IA em 88% e corta custos com tokens em 65%: o que muda para empresas que buscam escala

Itaú cresce 88% no uso de IA e reduz custos com tokens em 65%. Veja lições para empresas sobre escala, governança e eficiência em projetos de inteligência artificial.

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Itaú expande uso de IA em 88% e corta custos com tokens em 65%: o que muda para empresas que buscam escala

Com mais de 800 iniciativas de IA, o Itaú acelera a adoção, reduz custos e repensa processos. O avanço revela desafios de governança, escolha de tecnologia e impacto operacional para grandes organizações.

por Atlas Upnetix Review Team · 25 de agosto, 2026 · 8 min de leitura
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O avanço da inteligência artificial (IA) no setor financeiro brasileiro desafia a crença de que escalar tecnologia é apenas uma questão de investimento em ferramentas de última geração. O caso do Itaú Unibanco, detalhado em entrevista exclusiva à TI Inside com André Palma, diretor de TI do banco e CEO da ZUP, expõe um cenário em que eficiência operacional, governança e escolha criteriosa de tecnologias são tão decisivos quanto a inovação em si. Para organizações que buscam transformar IA em diferencial competitivo, os números do Itaú incomodam: um crescimento de 88% no uso de IA no primeiro semestre de 2026 frente ao mesmo período de 2025, mais de 800 iniciativas em andamento e uma redução de 65% nos custos com tokens entre 2024 e 2025. O que está sendo subestimado, segundo o próprio banco, não é a capacidade de experimentar, mas o desafio de transformar experimentos em aplicações de uso massivo sem perder controle de custos, segurança e alinhamento ao negócio.

André Palma em reunião estratégica no escritório do Itaú, discutindo avanços em IA com equipe.
André Palma, diretor de TI do Itaú e CEO da ZUP, lidera a expansão da inteligência artificial no banco, que cresceu 88% no uso de IA em 2026.

Escala de IA: do laboratório à operação massiva

O Itaú não é novato em IA. Dados e machine learning (aprendizado de máquina) já faziam parte da trajetória tecnológica do banco há décadas. Mas, a partir de 2022, com o avanço da IA generativa, a instituição acelerou a criação de ambientes de experimentação, como a StackSpot AI, desenvolvida em parceria com a ZUP. O objetivo, segundo Palma, foi permitir que profissionais de diversas áreas pudessem aprender e testar soluções, desde que sob controles rígidos. Em 2026, esse movimento resultou em mais de mil modelos de IA disponíveis para uso interno, com machine learning crescendo 30% no mesmo período em que a adoção geral de IA saltou 88%.

O salto de escala não se deu apenas pela quantidade de projetos, mas pela capacidade de transformar experimentos pontuais em soluções massificadas. O conceito de “IA massificada” defendido pelo Itaú implica desenvolver aplicações com potencial de rápida expansão, desde que o valor percebido pelo usuário final seja claro. Segundo Palma, quando pessoas identificam ganhos individuais, a adoção se torna orgânica e o impacto para o negócio é ampliado.

Redução de custos: eficiência além do hype

Um dos aspectos mais provocativos do case Itaú é a redução de 65% nos custos com tokens de IA, obtida entre 2024 e 2025. Esse número, apresentado por Palma à TI Inside, não resulta apenas da negociação de preços ou da adoção de modelos mais baratos, mas de uma mudança estratégica: aplicar IA apenas onde ela realmente agrega valor e escolher o modelo adequado para cada problema. Tecnologias já consolidadas e de menor custo continuam sendo usadas quando atendem à demanda, enquanto modelos avançados entram em cena para criar diferenciação ou melhorar a experiência do cliente.

Essa abordagem contraria a tendência de substituir indiscriminadamente sistemas legados por IA generativa. O Itaú defende que a escolha da tecnologia deve começar pela definição clara do problema a ser resolvido e pela avaliação do impacto potencial para o negócio. O resultado é um portfólio de soluções que equilibra inovação com sustentabilidade financeira, algo que muitas empresas, especialmente fora do setor financeiro, ainda subestimam.

Impacto na operação: velocidade, squads híbridas e reengenharia de processos

Profissionais utilizando o ambiente StackSpot AI para experimentação e aprendizado de IA no Itaú.
StackSpot AI, plataforma criada pelo Itaú em parceria com a ZUP, facilitou a experimentação e o aprendizado de IA para mais de mil modelos internos em 2026.

O uso intensivo de IA não se limita à interface com o cliente. Internamente, o Itaú tem reimaginado processos de desenvolvimento de produtos e tecnologia, buscando reduzir ciclos que antes levavam semanas para poucas horas. Em squads híbridas, especialmente na área de seguros, o banco reportou ganhos de 80% a 90% na velocidade de entrega de novas funcionalidades. Em partes específicas da engenharia de software, a aceleração chegou a ser de 20 a 30 vezes em relação ao modelo anterior.

Esses ganhos, porém, exigiram mais do que automação. O banco revisou fluxos completos e redesenhou métodos de trabalho para extrair o máximo da IA. A experiência reforça que apenas adicionar IA a etapas existentes não basta: é preciso reconstruir processos, integrar equipes multidisciplinares e garantir que a experimentação aconteça dentro de limites claros de governança e segurança.

Governança e Responsible AI: condição para escalar sem perder controle

Para o Itaú, escalar IA sem governança é receita para desastre. O banco enfatiza que a fundação tecnológica precisa garantir proteção de dados, controle de uso e aderência a requisitos regulatórios. A governança aparece como pré-requisito para que soluções que funcionam bem localmente possam ser expandidas para toda a organização, sem comprometer segurança ou compliance.

Outro ponto crítico é a adoção de princípios de Responsible AI, que assegurem que as respostas e decisões automatizadas sejam adequadas e seguras para o cliente. O desafio aumenta quando a solução precisa sair do “ótimo local” para o “ótimo global”, exigindo mudanças de comportamento, capacitação técnica e guardrails para orientar o uso responsável da tecnologia.

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O Itaú também trata suas próprias plataformas internas como produtos, buscando entregar boa experiência e valor no dia a dia dos usuários corporativos. Isso facilita a democratização do acesso à IA e permite que diferentes perfis, de produto, design, tecnologia e negócio, possam se beneficiar das novas capacidades.

O contra-argumento: IA não é solução para tudo

Apesar dos resultados expressivos, o próprio Itaú alerta para o risco de aplicar IA de forma indiscriminada. Palma defende que a delimitação do escopo e a clareza sobre o problema a ser resolvido são pontos de partida obrigatórios. Nem toda iniciativa precisa funcionar de primeira, e experimentos que falham também geram aprendizado. O banco rejeita a ideia de que IA deva substituir todas as tecnologias existentes, reforçando a importância de avaliar custo-benefício caso a caso.

Tela de sistema de IA ilustrando a redução de custos com tokens no Itaú.
Estratégia do Itaú reduziu em 65% os custos com tokens entre 2024 e 2025, otimizando o uso de IA conforme o valor gerado ao negócio.

Essa visão contraria o discurso comum de que a adoção massiva de IA é sempre vantajosa. Para empresas que operam em setores menos regulados ou com menor maturidade digital, o risco de dispersão de recursos e aumento de custos operacionais é real se não houver governança e foco. O consenso entre especialistas, refletido na experiência do Itaú, é que a escala só é sustentável quando acompanhada de controle rigoroso e alinhamento estratégico.

O que ainda não se sabe: limites e próximos desafios

Embora o Itaú tenha avançado em escala, redução de custos e reengenharia de processos, ainda existem incertezas relevantes. O banco não detalhou, por exemplo, quais áreas da operação obtiveram maiores ganhos de eficiência ou como a expansão da IA impactou indicadores de satisfação do cliente em larga escala. Também não há informações públicas sobre o efeito dessas mudanças em métricas de segurança cibernética ou em custos indiretos de governança.

Outro ponto em aberto é a replicabilidade do modelo Itaú em outros setores ou geografias. O ambiente regulatório do setor financeiro é mais rigoroso que em muitos outros segmentos, o que pode limitar ou dificultar a adoção de práticas semelhantes em empresas do Polo Industrial de Manaus ou em órgãos públicos. A experiência do Itaú, embora inspiradora, ainda é um caso isolado e depende de uma base tecnológica e de governança difícil de replicar sem investimentos robustos e cultura organizacional alinhada.

Implicações para empresas: infraestrutura e decisões de escala

Para organizações que buscam expandir o uso de IA, a experiência do Itaú oferece lições valiosas. Primeiro, a infraestrutura tecnológica precisa ser capaz de suportar múltiplos modelos, experimentação controlada e integração entre áreas. Em ambientes como o Polo Industrial de Manaus, onde a conectividade pode ser um gargalo, garantir disponibilidade, baixa latência e segurança de dados é pré-condição para qualquer iniciativa de IA em escala.

Segundo, a governança não pode ser tratada como etapa posterior. Ela deve estar presente desde o início, orientando escolhas tecnológicas e a própria definição dos problemas a serem resolvidos. Por fim, o equilíbrio entre inovação e custo-benefício é decisivo: adotar IA onde ela realmente gera valor, sem embarcar em modismos que podem aumentar custos sem retorno claro.

Equipe híbrida de squads do Itaú trabalhando em reengenharia de processos para acelerar desenvolvimento.
Squads híbridas do Itaú reestruturam processos internos, reduzindo o ciclo de desenvolvimento de semanas para poucas horas, impulsionando a escala da IA.

O caso Itaú mostra que a jornada de IA não é linear nem isenta de riscos. Empresas que subestimam a complexidade de escalar IA acabam pagando caro em custos operacionais, dispersão de esforços e riscos de compliance. O próximo passo, para quem decide, é avaliar se a infraestrutura atual está pronta para suportar experimentação, governança e expansão segura de modelos de IA, especialmente em mercados desafiadores como o Norte do Brasil.

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