Mastercard ativa pagamentos por agentes de IA no Brasil: Itaú e Santander já processaram as primeiras transações reais

Mastercard Agent Pay chega ao Brasil em 2026: como funcionam as compras feitas por agentes de IA, o papel de Itaú e Santander, tokenização, Know Your Agent e o que muda para quem vende online.


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Mastercard ativa pagamentos por agentes de IA no Brasil: Itaú e Santander já processaram as primeiras transações reais

Apresentado no Fórum E-Commerce Brasil 2026, o Agent Pay permite que um agente de inteligência artificial pesquise, compare e conclua uma compra sem intervenção humana, com tokens temporários no lugar dos dados do cartão e limites definidos pelo consumidor.

Upnetix

2 de agosto, 2026

7 min de leitura

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Uma compra concluída do início ao fim sem que nenhum ser humano clicasse em nada. Foi isso que a Mastercard demonstrou ao mercado brasileiro ao apresentar o Agent Pay, sua infraestrutura para pagamentos iniciados por agentes de inteligência artificial, e, segundo a empresa, parceiros locais como Itaú e Santander já processaram transações reais usando essa tecnologia. O serviço começa a operar no Brasil no início de 2026 e será habilitado em toda a América Latina e Caribe ao longo do ano.

Executivo da Mastercard apresentando tecnologia Agent Pay em fórum corporativo com público atento.
Apresentação da infraestrutura Agent Pay da Mastercard no Fórum E-Commerce Brasil 2026, demonstrando pagamentos por agentes de IA.

O anúncio, detalhado durante o Fórum E-Commerce Brasil 2026 e o Mastercard Innovation Forum, marca a chegada oficial do chamado comércio agêntico ao país: um modelo em que o consumidor delega a um agente de IA a tarefa de pesquisar produtos, comparar preços, avaliar condições e, dentro de limites pré-autorizados, concluir o pagamento sozinho.

O que exatamente foi demonstrado

Na demonstração, um agente de IA recebeu uma instrução de compra, varreu ofertas em diferentes lojas, escolheu a melhor opção e finalizou a transação de ponta a ponta, sem intervenção humana em nenhuma etapa. A liquidação passou pela infraestrutura do Agent Pay, e os bancos emissores envolvidos no circuito, no Brasil, Itaú e Santander figuram entre os primeiros, aprovaram a operação como fariam com qualquer compra convencional.

A Mastercard afirma ter realizado testes com mais de 17 emissores na América Latina para processar transações iniciadas por agentes. Entre os primeiros parceiros habilitados na região estão nomes como Getnet, MagaluPay, Bemobi, Checkout.com, Evertec e Yuno. Os bancos da região têm até fevereiro de 2026 para se habilitar na primeira leva.

Como uma máquina paga: tokens no lugar do cartão

A peça central da arquitetura é o token agêntico: em vez de entregar os dados reais do cartão ao agente de IA, o sistema gera um código temporário, criptografado e vinculado àquela transação específica. Se o token vazar, ele não serve para mais nada, não há número de cartão em circulação.

“A tokenização retira os dados do cartão de circulação”, resumiu José Luiz Alves Pereira, diretor responsável por pagamentos digitais da Mastercard, durante o Fórum E-Commerce Brasil 2026. Cada relação entre consumidor, agente e loja recebe um token diferente. A autenticação usa payment passkeys, que aproveitam a biometria do próprio dispositivo do usuário.

Representação realista do processo de tokenização e autenticação em pagamento por agente de IA.
Visualização conceitual do uso do token agêntico e autenticação biométrica para garantir segurança nas transações do Agent Pay.

Antes de qualquer compra, o consumidor define as regras do jogo: valor máximo por transação, frequência permitida e escopo de atuação do agente. A IA só opera dentro dessa cerca. Não há cheque em branco, há uma procuração digital com limites auditáveis.

Os três pilares do Agent Pay

A Mastercard estruturou o modelo sobre três fundamentos técnicos:

  • Know Your Agent (KYA): assim como bancos precisam conhecer seus clientes (KYC), a rede registra e valida cada agente de IA, que recebe uma identidade própria antes de poder transacionar. Agente não cadastrado não compra.
  • Padronização: protocolos de interoperabilidade que permitem ao agente consultar catálogo, estoque e preço das lojas de forma estruturada, sem depender de interpretar páginas feitas para olhos humanos.
  • Intenção verificável: cada operação carrega a documentação dos limites de autorização, do escopo da tarefa e da validade do token, a prova de que aquela compra específica foi, de fato, autorizada pelo dono do cartão.

O objetivo declarado é ambicioso: a Mastercard quer tokenizar 100% das transações de e-commerce em sua rede até 2030. No Brasil, transações tokenizadas já registram taxa de aprovação cerca de 5 pontos percentuais maior que as convencionais.

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“O agente não vai ver o site bonito”

Para quem vende, a mudança de paradigma é brutal, e foi dita com todas as letras no palco do Fórum. “O agente não vai ver o site bonito. Ele vai ver um catálogo bem integrado, inventário, dados e tecnologias corretas”, afirmou Pereira.

Um agente de software não se impressiona com banner, não hesita diante de um pop-up de desconto e não “negocia”: ele filtra. Se o preço não está atualizado, se o prazo de entrega é ambíguo, se a política de troca não está documentada de forma legível por máquina, a loja simplesmente não entra na comparação. O corte é silencioso, o lojista nunca fica sabendo das vendas que deixou de disputar.

Executivos do Itaú e Santander em reunião sobre pagamentos por agentes de IA.
Reunião entre representantes do Itaú e Santander para análise das primeiras transações reais processadas pelo Agent Pay no Brasil.

Isso inverte décadas de investimento em persuasão visual. O novo checkout começa muito antes do checkout: começa em catálogos estruturados, APIs de estoque respondendo em tempo real, preços consistentes entre canais e políticas publicadas em formato que um agente consiga ler, validar e citar.

O movimento é do mercado inteiro, não de uma bandeira

A Mastercard não está sozinha. A Visa prepara o piloto do seu Intelligent Commerce no Brasil para o fim de 2026, em parceria com OpenAI, Perplexity, Microsoft e Anthropic, as mesmas empresas cujos assistentes de IA já são usados por milhões de brasileiros todos os dias. Estimativas citadas pelo setor projetam que agentes de IA podem responder por até 20% das operações de e-commerce ainda neste ano.

Na prática, o comprador que chega à sua loja pode deixar de ser uma pessoa navegando e passar a ser um software executando uma missão: encontrar o melhor fornecedor de um item, dentro de um orçamento, até uma data. Quem estiver tecnicamente legível para esse comprador participa do jogo. Quem não estiver, desaparece da prateleira, sem drama, sem aviso, sem segunda chance.

A conta que ninguém mostra no palco: infraestrutura

Há um detalhe que costuma ficar fora dos anúncios: comércio agêntico é comércio em tempo real, o tempo todo. Um agente que consulta catálogo, estoque e preço via API não tem paciência de cliente, tem timeout de máquina. Uma API que demora a responder é tratada como uma API que não existe. Uma loja fora do ar às 3h da manhã não perde “movimento da madrugada”; perde as compras que outros agentes estavam executando naquele exato momento.

Para empresas que vendem, integram ou atendem digitalmente, inclusive no Polo Industrial e no comércio de Manaus, isso transforma requisitos que pareciam luxo em pré-condição: link com disponibilidade contratual (SLA), latência baixa e estável, IP fixo para expor integrações com segurança e redundância real de acesso. O agente de IA não sabe que “a internet caiu”; ele só sabe que o seu concorrente respondeu e você não.

Diagrama realista explicando os pilares técnicos do Agent Pay com ícones representando KYA, padronização e intenção verificável.
Diagrama explicativo dos fundamentos técnicos do Agent Pay que garantem segurança e interoperabilidade nas transações.

A janela até o início de 2026 é curta, mas suficiente para quem começar agora: estruturar catálogo e APIs, tokenizar o checkout com o parceiro de pagamento e, na base de tudo, garantir que a conexão que sustenta essas integrações tenha a mesma seriedade contratual que o restante da operação. Quando o próximo comprador da sua empresa for uma máquina que decide em milissegundos, a infraestrutura que responde por você precisa estar à altura da conversa. Em Manaus, essa base já pode ser contratada hoje, e é ela que vai decidir quem aparece na prateleira dos agentes.

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