Monitoramento de IA já supera resposta a incidentes como foco de SRE em grandes empresas, aponta Dynatrace

Monitoramento de IA já é principal foco de SRE em grandes empresas, segundo pesquisa da Dynatrace. Veja o impacto para operações e infraestrutura B2B.

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Monitoramento de IA já supera resposta a incidentes como foco de SRE em grandes empresas, aponta Dynatrace

Pesquisa global revela que o acompanhamento de modelos de IA se tornou prioridade para engenheiros de confiabilidade, superando tarefas tradicionais. O movimento impõe novos desafios de integração e visibilidade para operações corporativas.

por Atlas Upnetix Review Team · 27 de agosto, 2026 · 8 min de leitura
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O avanço acelerado da inteligência artificial (IA) nas operações corporativas está mudando, de forma concreta, o que se espera das equipes de engenharia de confiabilidade de sites (SRE) e de engenharia de plataformas. A crença confortável de que IA seria apenas mais uma ferramenta de automação, sem alterar profundamente a rotina de quem garante a disponibilidade dos sistemas, já não se sustenta diante dos dados mais recentes. O monitoramento de modelos de IA já ultrapassou a resposta a incidentes como principal prioridade dos engenheiros de SRE em grandes empresas, segundo o estudo global The State of SRE and Platform Engineering 2026, realizado pela Dynatrace.

Equipe de engenheiros de SRE monitorando sistemas de IA em sala de operações corporativa moderna
Engenheiros de SRE em grandes empresas priorizam o monitoramento de modelos de IA, segundo estudo da Dynatrace com 919 líderes de TI.

Monitoramento de IA: nova prioridade para SRE

O levantamento, conduzido entre outubro de 2025 e janeiro de 2026 com 919 líderes de TI de empresas com receita anual acima de US$ 500 milhões, revela que 67% dos profissionais de SRE já consideram o acompanhamento de modelos de IA o principal caso de uso de sua função. Esse número supera tarefas tradicionais como resposta a incidentes e gestão de acordos de nível de serviço (SLOs). O dado, divulgado pelo IT Forum, indica uma inflexão clara: a confiabilidade digital moderna passa a depender menos de métricas clássicas e mais da capacidade de entender, em tempo real, o comportamento dos modelos de IA em produção.

O estudo destaca ainda que metade dos profissionais de SRE já utiliza recursos de IA para resposta automatizada a incidentes, enquanto 55% dos engenheiros de plataforma priorizam ferramentas de IA para desenvolvedores, como copilotos de programação. Apesar disso, a supervisão humana e a visibilidade continuam sendo prioridades antes da ampliação da automação, com 58% dos SREs apontando o monitoramento de desempenho e precisão de modelos como o recurso de IA mais comum em uso.

Desafios de integração e maturidade organizacional

Apesar da adoção acelerada, a pesquisa da Dynatrace revela que a infraestrutura das empresas ainda não acompanha o ritmo da demanda por avaliação de modelos de IA. Mais de um terço dos engenheiros de plataforma entrevistados aponta a integração de ferramentas como o maior obstáculo para o avanço da IA nas operações. A fragmentação entre as soluções usadas por equipes de engenharia de IA e as de operações cria lacunas de visibilidade e dificulta a gestão eficiente.

Segundo o estudo, SRE e engenharia de plataformas já são práticas consolidadas nas grandes empresas: 92% das organizações relatam apoio da liderança executiva a iniciativas de SRE, 89% das que praticam engenharia de plataformas implementaram uma plataforma interna para desenvolvedores (IDP), e 73% das equipes de SRE e engenharia de plataformas já colaboram e compartilham responsabilidades. Contudo, quase metade dos profissionais de SRE afirma que o excesso de fontes de dados e métricas dificulta a definição e a gestão eficaz de SLOs, o que impacta diretamente a confiabilidade dos serviços baseados em IA.

Resultados aquém do esperado: custo e tempo de resolução

Gráfico de barras profissional mostrando 67% dos SREs priorizando monitoramento de IA
67% dos profissionais de SRE consideram o monitoramento de modelos de IA sua principal prioridade, ultrapassando resposta a incidentes e gestão de SLOs.

Mesmo com a evolução das práticas de SRE e a incorporação da IA, os resultados ainda ficam aquém das expectativas em dois pontos sensíveis: redução de custos e tempo médio de resolução de incidentes (MTTR). O estudo da Dynatrace aponta que, embora haja avanços em automação e detecção de falhas, a complexidade trazida pela multiplicidade de dados e ferramentas limita ganhos mais expressivos. A promessa de que a IA reduziria drasticamente custos operacionais e aceleraria a resolução de problemas ainda não se concretizou de forma ampla.

Nas Américas, que incluem Brasil, Estados Unidos e México, os indicadores são ligeiramente melhores que nas regiões da Ásia-Pacífico (APAC) e Europa, Oriente Médio e África (EMEA): 57% relatam detecção e resposta mais rápidas a incidentes, ante 49% na APAC e 43% na EMEA, e 54% observam melhoria no tempo de atividade dos serviços. Ainda assim, o maior desafio apontado por 46% dos entrevistados das Américas é manter a padronização entre equipes, taxa mais que o dobro da registrada em EMEA e APAC.

Contra-argumentos: cautela e supervisão humana

Apesar do entusiasmo com a automação baseada em IA, a pesquisa indica uma postura deliberadamente cautelosa entre os profissionais de SRE e engenharia de plataformas. O monitoramento de IA é visto como indispensável, mas não substitui a necessidade de supervisão humana e de visibilidade total sobre o ambiente operacional. As equipes priorizam a orquestração de sistemas, conectando observabilidade, automação e IA, mas sem abrir mão do controle manual em etapas críticas.

Steve Tack, Chief Product Officer da Dynatrace, resume esse equilíbrio: “SRE e engenharia de plataformas estabeleceram as bases para a confiabilidade digital moderna, mas a Inteligência Artificial está reescrevendo as regras. As empresas precisam agora deixar de apenas gerenciar sistemas e passar a orquestrá-los, conectando observabilidade, automação e IA agêntica para operar na velocidade exigida por essas iniciativas”.

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O movimento de aquisição da Arize pela Dynatrace, citado no estudo, evidencia a busca por ferramentas que unifiquem dados e processos, aproximando desenvolvedores e operadores em torno de uma mesma plataforma de observabilidade. A fragmentação atual é vista como insustentável à medida que a IA avança para a produção empresarial.

Engenheiro de plataforma trabalhando na integração de ferramentas de IA em ambiente corporativo moderno
Mais de um terço dos engenheiros de plataforma apontam a integração de ferramentas como o maior obstáculo para o avanço da IA nas operações, segundo pesquisa da Dynatrace.

O que ainda não se sabe e as incertezas para o futuro

Embora a pesquisa da Dynatrace seja abrangente, há pontos que permanecem incertos e que impactam diretamente a tomada de decisão em empresas e órgãos públicos. Não há consenso sobre qual será o ritmo de amadurecimento das ferramentas de integração entre equipes de IA e operações. Tampouco está claro até que ponto a automação baseada em IA conseguirá, de fato, reduzir custos operacionais sem sacrificar a visibilidade e o controle de riscos.

Outro aspecto pouco explorado é como empresas de médio porte, especialmente fora do eixo dos grandes centros, conseguirão acompanhar a sofisticação das práticas de SRE e engenharia de plataformas. No contexto de Manaus e do Polo Industrial, por exemplo, a dependência de infraestrutura robusta de conectividade e a necessidade de suporte local podem se tornar fatores críticos para a adoção segura e eficiente de IA em escala corporativa.

Implicações práticas para operações e infraestrutura B2B

Para quem decide em empresas ou órgãos públicos, o avanço do monitoramento de IA como prioridade de SRE impõe a necessidade de repensar a arquitetura de infraestrutura. A multiplicidade de ferramentas, a fragmentação de dados e a busca por padronização elevam o risco operacional e aumentam a pressão por conectividade estável e de alta disponibilidade. Em ambientes onde a automação de incidentes e o acompanhamento de modelos de IA são críticos, a latência, a redundância e o suporte especializado deixam de ser diferenciais e passam a ser pré-requisitos para a continuidade do negócio.

No contexto de Manaus, onde o Polo Industrial concentra operações de missão crítica e alto valor agregado, a capacidade de integrar observabilidade, automação e IA depende diretamente da qualidade do acesso à infraestrutura de fibra dedicada e do suporte técnico local. A experiência das grandes empresas globais, como mostra o estudo da Dynatrace, indica que a evolução das práticas de SRE e engenharia de plataformas é inevitável, mas os resultados só aparecem quando a base tecnológica acompanha o ritmo das demandas de negócio.

O dado mais incômodo do levantamento é que, mesmo com todo o investimento em IA, metade dos profissionais ainda enfrenta dificuldades para definir e gerenciar SLOs devido ao excesso de dados e à falta de integração. Para as organizações que operam em ambientes complexos ou remotos, como Manaus, a escolha da infraestrutura de conectividade e a capacidade de resposta a incidentes podem ser o fator determinante entre a promessa e a realidade da transformação digital baseada em IA.

Líderes de TI reunidos discutindo estratégias de SRE e inteligência artificial em empresa de grande porte
92% das organizações relatam apoio da liderança executiva a iniciativas de SRE, mas desafios como custo e tempo de resolução ainda persistem, conforme levantamento da Dynatrace.

O avanço do monitoramento de IA como prioridade de SRE não é apenas uma tendência tecnológica, mas um divisor de águas na forma como empresas e órgãos públicos precisam planejar sua infraestrutura. A diferença entre operar no limite da confiabilidade e liderar a transformação digital está, cada vez mais, na capacidade de unir conectividade dedicada, visibilidade operacional e suporte local para sustentar a próxima geração de sistemas inteligentes.

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