Sateliot e Constanta iniciam testes de IoT via satélite LEO para utilities no Brasil

Sateliot e Constanta testam IoT via satélite LEO no Brasil, conectando utilities em áreas sem cobertura e ampliando alternativas para infraestrutura crítica.

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Sateliot e Constanta iniciam testes de IoT via satélite LEO para utilities no Brasil

Parceria entre Sateliot e Grupo Constanta marca o primeiro teste de IoT por satélite LEO em redes de energia no país, mirando áreas sem cobertura terrestre. Iniciativa pode redefinir a conectividade em setores críticos e desafia o modelo tradicional de gestão de infraestrutura.

por Atlas Upnetix Review Team · 2 de setembro, 2026 · 7 min de leitura
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O avanço da Internet das Coisas (IoT) em setores críticos do Brasil sempre esbarrou em um pressuposto confortável: a expansão das redes terrestres seria suficiente para conectar ativos distribuídos em todo o território nacional. A recente parceria entre Sateliot e Grupo Constanta, que inicia testes de IoT via satélite de baixa órbita (LEO) em redes de energia, desafia esse paradigma ao propor uma alternativa para regiões onde a infraestrutura tradicional não chega, e expõe o custo real da desconexão para empresas e órgãos públicos.

Linha de transmissão de energia elétrica em região remota sem cobertura celular no Brasil.
Linha de transmissão de energia elétrica em área remota do Brasil onde redes celulares não alcançam, cenário para testes de IoT via satélite LEO da Sateliot e Grupo Constanta.

Primeira implementação de IoT via satélite LEO em energia no Brasil

Segundo consenso entre Telesíntese, TeleTime, Convergência Digital e InforChannel, Sateliot e Grupo Constanta anunciaram um acordo para testar, a partir de 2026, a conexão direta de dispositivos IoT a satélites LEO em redes de distribuição de energia. O projeto é apresentado como a primeira iniciativa do tipo no país nesse segmento, com demonstração prevista para acontecer ainda em 2026.

A proposta inicial é conectar sensores e equipamentos de utilities, especialmente energia elétrica, em locais onde a cobertura celular é inexistente ou intermitente. O objetivo declarado é viabilizar o monitoramento remoto de ativos, detecção de falhas e redução da necessidade de deslocamento de equipes, especialmente em regiões remotas.

De acordo com a InforChannel, a lacuna de cobertura é significativa: dados da Anatel e da GSMA apontam que entre 80% e 82% do território brasileiro está fora do alcance efetivo de redes celulares. Essa realidade afeta diretamente a digitalização do monitoramento de ativos e a detecção ágil de falhas, sobretudo em linhas de transmissão, subestações e pontos de medição afastados dos centros urbanos.

Integração entre redes terrestres e satélite: arquitetura e vantagens

O diferencial técnico do projeto está na arquitetura baseada em padrões abertos do 3GPP para 5G NTN (Non-Terrestrial Networks), conforme detalhado por todas as fontes. A Sateliot opera uma rede compatível com NB-IoT, permitindo que um mesmo dispositivo possa se conectar tanto a redes terrestres quanto à constelação de satélites LEO, sem necessidade de redesign de hardware, apenas certificação e configuração adicional.

Essa abordagem elimina a necessidade de dispositivos dedicados exclusivamente à comunicação via satélite, reduzindo custos e facilitando a adoção em larga escala. O Grupo Constanta, que reúne empresas como Laager, Nexum IoT e HartBR, está finalizando o processo de habilitação dos equipamentos para operar de forma híbrida, segundo TeleTime e Convergência Digital.

O modelo é especialmente relevante para aplicações que exigem longa autonomia, baixo volume de dados e distribuição geográfica ampla, características típicas de sensores de infraestrutura crítica.

Dispositivo sensor IoT NB-IoT instalado em poste de energia para monitoramento remoto.
Sensor IoT compatível com NB-IoT para conexão híbrida a redes terrestres e satélites LEO, testado pela Sateliot e Grupo Constanta para monitoramento de redes de energia.

Mercados-alvo e potencial de expansão

Embora o teste inicial foque na distribuição de energia, as empresas envolvidas apontam para um leque mais amplo de aplicações futuras. Telesíntese e TeleTime citam iluminação pública, smart grids, eficiência energética, saneamento e agricultura como mercados potenciais para a tecnologia.

O Grupo Constanta, com atuação fabril em Manaus e Atibaia e portfólio que cobre toda a cadeia de IoT, vê na parceria uma oportunidade de ampliar o alcance de suas soluções e conectar infraestruturas que permanecem fora do radar das redes tradicionais. O CEO da Constanta, Roberval Tavares, sintetiza o desafio: “O Brasil precisa de soluções de conectividade capazes de alcançar onde as redes tradicionais não chegam”.

Já Gianluca Redolfi, CCO da Sateliot, destaca que a conectividade via satélite LEO baseada em padrões abertos “está abrindo novas oportunidades para países de grande extensão territorial e ambições digitais crescentes”.

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O que muda para empresas e setor público: custos, riscos e operação

O ponto mais incômodo revelado pelas fontes é o impacto operacional e financeiro da falta de conectividade em áreas remotas. Segundo a InforChannel, a ausência de monitoramento digital eleva custos, dificulta a gestão remota e retarda a solução de incidentes em infraestruturas críticas, um problema que afeta diretamente concessionárias de energia, água, gás e órgãos públicos responsáveis por serviços essenciais.

Para empresas que operam ativos dispersos, a dependência exclusiva de redes terrestres implica em riscos de indisponibilidade, aumento de deslocamentos e maior exposição a falhas não detectadas. A integração de IoT via satélite LEO reduz esses riscos ao criar uma camada de conectividade redundante, capaz de manter o fluxo de dados mesmo em regiões fora da cobertura celular.

Diagrama da arquitetura de rede híbrida 5G NTN para IoT via satélite LEO e terrestre.
Arquitetura técnica do projeto Sateliot e Grupo Constanta para integração híbrida de redes terrestres e satélites LEO usando padrões 3GPP 5G NTN.

Além disso, o modelo híbrido proposto, em que o dispositivo alterna automaticamente entre rede terrestre e satélite, simplifica a logística de implantação e manutenção. Não há, até o momento, informações públicas sobre custos de implementação, cronograma de expansão comercial ou metas de dispositivos conectados, como alertam Telesíntese e InforChannel. Isso representa uma incerteza relevante para quem avalia o investimento.

Contrapontos, limitações e o que ainda não se sabe

Apesar do entusiasmo das empresas envolvidas, algumas limitações permanecem. Nenhuma das fontes apresenta dados sobre a quantidade de dispositivos que participarão do teste, localização exata da demonstração ou qual empresa de energia será a primeira a utilizar a solução. Também não há informações sobre valores de investimento, SLA (acordo de nível de serviço) garantido ou desempenho esperado em termos de latência e disponibilidade.

Outro ponto a ser considerado é que, embora a arquitetura baseada em padrões abertos facilite a integração, a dependência de satélites LEO ainda é novidade operacional para a maioria das utilities brasileiras. O sucesso do projeto dependerá da robustez da integração, da maturidade dos processos de certificação e da capacidade de escalar a solução sem gargalos técnicos ou regulatórios.

Não há, até o momento, manifestação pública de órgãos reguladores ou de concessionárias de energia sobre a adoção em larga escala da tecnologia. O histórico de projetos-piloto no setor sugere que o caminho até a massificação pode ser mais longo do que o discurso comercial indica.

Implicações para a infraestrutura digital e o contexto amazônico

Para empresas e gestores públicos na região Norte, especialmente no Polo Industrial de Manaus, a iniciativa ganha contornos ainda mais estratégicos. A presença fabril da Constanta em Manaus e o histórico de dificuldades de conectividade na Amazônia tornam o projeto um teste de viabilidade para modelos de gestão de ativos em áreas de difícil acesso.

Se bem-sucedida, a integração de IoT via satélite pode reduzir custos logísticos, otimizar a manutenção preditiva e criar novas oportunidades de digitalização para utilities, agronegócio e cidades inteligentes na região. Por outro lado, a ausência de dados sobre custos, SLA e escala real do projeto exige cautela de quem decide: a promessa de cobertura universal precisa ser confrontada com os desafios de integração, regulação e sustentabilidade financeira.

Retrato profissional do CEO da Constanta, Roberval Tavares, em escritório moderno.
Roberval Tavares, CEO da Constanta, destaca a importância da conectividade via satélite para alcançar infraestruturas críticas fora do alcance das redes tradicionais no Brasil.

Em síntese, a parceria entre Sateliot e Constanta inaugura um novo capítulo na conectividade de infraestrutura crítica no Brasil, mas não elimina a necessidade de redes terrestres robustas e de avaliação criteriosa dos riscos e benefícios. Para quem opera no interior do Amazonas ou em qualquer outro ponto fora do mapa da cobertura celular, a lição é clara: depender de um único tipo de conexão é um risco operacional que o mercado já não pode mais ignorar.

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