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Tentativas de fraude no setor financeiro crescem quase 10% no primeiro semestre de 2026, aponta Serasa Experian
Setor financeiro brasileiro registrou 1,74 milhão de tentativas de fraude de identidade nos primeiros seis meses de 2026, segundo levantamento da Serasa Experian. Empresas de meios de pagamento concentram a maioria dos ataques, enquanto financeiras lideram em crescimento proporcional.

O setor financeiro brasileiro convive com um aumento expressivo nas tentativas de fraude de identidade, contrariando a expectativa de que investimentos em tecnologia e processos de validação já seriam suficientes para frear o avanço dos ataques. Segundo levantamento da Serasa Experian, divulgado pelo portal TI Inside, foram registradas 1.747.373 tentativas de fraude apenas nos seis primeiros meses de 2026, o que representa um crescimento de 9,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. A cada nove segundos, uma nova investida é detectada nos processos de entrada e cadastro de clientes.

Fraude de identidade: escala e impacto financeiro em alta
O dado mais desconfortável do relatório da Serasa Experian é que o impacto financeiro potencial das fraudes cresceu em ritmo ainda mais acelerado do que o volume de tentativas. O valor salvo pelas tecnologias antifraude praticamente dobrou em um ano, saltando de R$ 51,3 milhões para R$ 100,4 milhões, um aumento de 95,8%. Isso significa que, além de mais frequentes, as tentativas bloqueadas passaram a mirar transações de maior valor, elevando o risco para as instituições financeiras e seus clientes.
Segundo Leandro Bartolassi, Diretor de Autenticação e Prevenção a Fraude da Serasa Experian, “os criminosos não estão apenas tentando mais vezes, mas mirando oportunidades com potencial de retorno financeiro maior”. Ele destaca que a aprovação de uma identidade fraudulenta pode dar acesso a uma série de produtos e serviços, como abertura de contas, solicitação de cartões e contratação de empréstimos, ampliando o potencial de dano para as empresas afetadas.
Segmentos mais visados: meios de pagamento e financeiras
O levantamento da Serasa Experian detalha que as empresas de meios de pagamento, responsáveis por viabilizar a aceitação e o processamento de pagamentos, incluindo maquininhas de cartão e canais digitais, concentraram a maior parte das tentativas de fraude. Foram 1.219.793 ocorrências no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 11,9% em relação ao ano anterior. Esse segmento respondeu por sete em cada dez ataques identificados no setor financeiro e por 86% das novas ocorrências registradas entre os dois períodos.
Já as financeiras, especializadas em crédito, empréstimos e financiamentos, lideraram em crescimento proporcional: registraram aumento de 22,2% nas tentativas de fraude, ultrapassando 50 mil ocorrências no semestre. O valor salvo nessas operações também mais que dobrou, de R$ 1,9 milhão para R$ 4,2 milhões. O avanço acelerado nesse nicho indica que criminosos têm direcionado esforços para segmentos onde a validação de identidade pode ser menos rigorosa ou onde o potencial de ganho é maior.

Barreiras técnicas e limites das soluções antifraude
O relatório da Serasa Experian, citado pelo TI Inside, reforça que não existe uma solução única capaz de impedir todos os tipos de fraude. A recomendação é a combinação de múltiplas camadas de proteção, incluindo análise cadastral, validação de documentos, biometria, inteligência de dispositivos e avaliação de comportamento. Essa abordagem busca identificar inconsistências antes da aprovação do cadastro, sem dificultar a experiência do cliente legítimo.
O desafio, porém, é que o aumento das tentativas e do valor das fraudes pressiona os sistemas antifraude a operar em escala, sem perder precisão. Quanto maior o volume de ataques, maior a chance de falsos positivos (clientes legítimos barrados) ou falsos negativos (fraudes aprovadas). O equilíbrio entre segurança e usabilidade permanece como um dos principais dilemas para as áreas de tecnologia e risco das instituições financeiras.
O que está sendo subestimado: riscos para a operação e reputação
O crescimento quase contínuo das tentativas de fraude indica que o setor financeiro pode estar subestimando o apetite dos criminosos e a velocidade com que eles adaptam suas estratégias. O relatório mostra que, mesmo com investimentos em tecnologia, o volume de ataques não só persiste, como se intensifica, especialmente em segmentos que movimentam grandes volumes de dados e transações.
Empresas que tratam a validação de identidade como etapa burocrática e não como parte crítica da jornada do cliente tendem a correr riscos maiores. Uma falha nesse ponto pode permitir que fraudadores acessem múltiplos produtos e serviços, gerando prejuízos financeiros diretos e danos à reputação da marca. O dado de que mais de meio milhão de reais são protegidos diariamente pelas tecnologias antifraude ilustra o tamanho do desafio e do potencial de perdas evitadas, mas também sugere que o risco residual permanece elevado.
Contra-argumentos e pontos de incerteza

O relatório da Serasa Experian, único consolidado disponível até o momento, não apresenta contrapontos de outras entidades ou órgãos reguladores sobre o ritmo de crescimento das fraudes. Não há, por exemplo, dados públicos da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) ou do Banco Central que confirmem ou contestem os números apresentados. Isso limita a análise comparativa e deixa em aberto a possibilidade de variações metodológicas ou de subnotificação em outros levantamentos.
Outro ponto relevante é que o estudo da Serasa Experian foca especificamente em tentativas de fraude de identidade na etapa de cadastro e onboarding, sem detalhar o impacto em outros pontos da jornada do cliente, como transações financeiras já em andamento ou fraudes internas. A ausência de dados sobre a eficácia de diferentes tecnologias antifraude também impede uma avaliação mais granular sobre quais soluções oferecem melhor custo-benefício para cada tipo de instituição.
Implicações práticas para empresas e gestores de TI
Para empresas do setor financeiro, especialmente aquelas que atuam em regiões com infraestrutura de conectividade desafiadora, como Manaus e o Polo Industrial, o aumento das tentativas de fraude reforça a necessidade de revisar processos de validação de identidade e investir em soluções que operem com baixa latência e alta disponibilidade. A pressão por respostas rápidas e precisas exige que as plataformas antifraude estejam integradas a redes estáveis, capazes de suportar picos de acesso sem comprometer o tempo de resposta ou a experiência do usuário.
Gestores de TI e responsáveis por segurança da informação precisam considerar que o risco não está apenas na quantidade de tentativas, mas no potencial de dano de cada fraude bem-sucedida. O crescimento acelerado do valor salvo pelas tecnologias antifraude indica que os ataques estão cada vez mais sofisticados e direcionados a operações de maior impacto financeiro. Em ambientes corporativos, a indisponibilidade de sistemas de validação pode abrir brechas para fraudes em massa, tornando a resiliência da infraestrutura um fator crítico na estratégia de prevenção.
Em resumo, o cenário apresentado pelo levantamento da Serasa Experian desafia a crença de que o aumento dos investimentos em tecnologia, por si só, seria suficiente para conter a escalada das fraudes. O setor financeiro precisa encarar o risco como uma variável dinâmica, que exige revisão constante de processos, atualização de ferramentas e, sobretudo, uma infraestrutura de conectividade robusta e adaptável às novas demandas de segurança.

O avanço das tentativas de fraude no setor financeiro brasileiro, com destaque para o crescimento nas financeiras e nos meios de pagamento, evidencia que a proteção de dados e a validação de identidade seguem como pontos vulneráveis na operação. Para empresas que atuam em ambientes de alta concorrência e risco, como Manaus, a capacidade de integrar soluções antifraude a uma rede confiável pode ser o diferencial entre bloquear uma fraude milionária ou arcar com prejuízos irreversíveis.
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