Testar backups é decisivo para garantir a continuidade operacional, alerta Hospital das Clínicas

Backup testado é essencial para continuidade operacional. Saiba por que empresas precisam validar rotinas e envolver a gestão no processo.

ATLAS.
tech & business · o portal da Upnetix
Continuidade & SLA · análise

Testar backups é decisivo para garantir a continuidade operacional, alerta Hospital das Clínicas

Apenas possuir rotinas de backup não basta: a validação periódica dos planos de contingência é fundamental para que empresas e instituições estejam preparadas diante de incidentes e ameaças cibernéticas. O alerta, feito pelo gestor de TI do Hospital das Clínicas da USP, expõe desafios de maturidade digital e governança em todo o país.

por Atlas Upnetix Review Team · 6 de agosto, 2026 · 8 min de leitura
Compartilhe este artigo: WhatsApp

O debate sobre continuidade operacional ganhou novo fôlego após o alerta feito por Ademir Henri, Gestor de Governança de TI do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP), durante o Fórum Saúde Digital 2026. Segundo Henri, a simples existência de planos de contingência, ambientes redundantes e rotinas de backup não garante que uma organização consiga se recuperar rapidamente após um incidente cibernético. O fator decisivo, diz ele, é a frequência com que esses mecanismos são testados na prática.

Retrato realista de Ademir Henri em ambiente de TI do Hospital das Clínicas
Ademir Henri, Gestor de Governança de TI do HC-FMUSP, alerta sobre a importância de testar backups para garantir a continuidade operacional.

Essa análise, publicada pela TI Inside, traz à tona uma discussão relevante para empresas de todos os portes e setores, não apenas para hospitais: a diferença entre ter processos documentados e garantir que eles funcionem sob pressão. O caso do Hospital das Clínicas serve como exemplo de como a maturidade operacional exige mais do que tecnologia de ponta, envolve cultura, governança e preparação constante.

Testar rotinas de backup: o que está em jogo

De acordo com Henri, muitas organizações mantêm planos de contingência e rotinas de backup, mas negligenciam a validação periódica desses recursos. O gestor questiona: “Você tem o plano de contingência, o disaster recovery, o backup… mas você testa isso?”. O ponto central é que, sem testes regulares, não há garantia real de que a recuperação será possível ou rápida quando um incidente ocorrer.

O risco de confiar apenas na documentação é alto. Falhas não identificadas em backups, incompatibilidades entre sistemas ou mudanças não registradas podem inviabilizar a restauração de dados no momento crítico. Para Henri, a verificação deve ser incorporada à rotina organizacional e não restrita à equipe de tecnologia. A continuidade operacional, portanto, é uma responsabilidade compartilhada e estratégica.

Essa abordagem é especialmente relevante diante do aumento das ameaças cibernéticas no Brasil, apontado por diferentes estudos do setor. Embora o artigo da TI Inside foque no setor de saúde, a lógica se aplica a qualquer segmento que dependa de dados e sistemas digitais para operar, ou seja, praticamente todas as empresas e órgãos públicos atualmente.

O papel da alta gestão na continuidade operacional

Outro aspecto destacado por Henri é a necessidade de envolver a alta gestão no entendimento dos riscos e dos tempos de recuperação. Saber quanto tempo leva para restabelecer a operação após um incidente não pode ser privilégio da equipe de TI. Essa informação é fundamental para orientar investimentos, definir prioridades e preparar as áreas de negócio para atuar durante períodos de indisponibilidade.

Centro de Operações de Segurança do Hospital das Clínicas em operação
O Hospital das Clínicas mantém redes segregadas e monitoramento contínuo via Centro de Operações de Segurança (SOC) para proteção contra incidentes cibernéticos.

O gestor do HC-FMUSP defende que a gestão precisa conhecer os limites e as capacidades dos planos de contingência. Isso permite que decisões críticas, como a priorização de sistemas, a comunicação com clientes e parceiros, e a alocação de recursos, sejam tomadas de forma informada e alinhada com a realidade técnica da organização.

No caso do hospital, a instituição mantém redes segregadas, monitoramento contínuo via Centro de Operações de Segurança (SOC) e mecanismos específicos para proteger dispositivos médicos conectados. No entanto, Henri ressalta que esses recursos só são efetivos quando integrados a planos claros de continuidade de negócio, amplamente divulgados e compreendidos por todos os envolvidos.

Desafios culturais e maturidade digital no cenário brasileiro

O avanço na proteção de dados e na continuidade operacional esbarra, segundo Henri, em questões culturais e na heterogeneidade do cenário nacional. O executivo relata que, mesmo em instituições de excelência, a integração de sistemas e a interoperabilidade de dados enfrentam resistência. “Ainda existe muito essa questão de ‘o dado é meu’. Todo mundo acha que é dono do dado e não quer compartilhar”, afirmou durante o evento.

Essa barreira cultural dificulta a consolidação de ambientes digitais integrados e a resposta coordenada a incidentes. Fora dos grandes centros, a situação é ainda mais complexa: muitas instituições ainda dependem de processos em papel e enfrentam dificuldades para digitalizar e integrar informações. Henri observa que essa diversidade de maturidade digital torna o avanço da interoperabilidade um desafio nacional.

Gostando do conteúdo? Compartilhe: WhatsApp

Para empresas que atuam em mercados menos digitalizados, o risco de interrupção operacional por falhas de backup ou incidentes cibernéticos é potencializado pela ausência de processos padronizados e pela falta de cultura de testes. Isso amplia a importância de investir não apenas em tecnologia, mas também em treinamento, conscientização e governança.

Governança de dados e inteligência artificial: novos desafios

A discussão sobre continuidade operacional se conecta diretamente ao debate mais amplo sobre governança de dados e o uso crescente de inteligência artificial (IA) nas organizações. Henri aponta que o Hospital das Clínicas acompanha iniciativas de IA tanto para assistência quanto para áreas administrativas, mas alerta que o principal desafio agora é definir regras claras para o uso dessas tecnologias.

Diagrama ilustrativo do processo de testes periódicos de backup e envolvimento da gestão
Fluxo de testes regulares de backup e a importância da participação da alta gestão para garantir a efetividade dos planos de contingência.

O executivo compara o momento atual à fase inicial da governança de dados, quando as organizações precisaram criar políticas para garantir segurança, privacidade e integridade das informações. Agora, com a IA, o desafio é incorporar essas novas ferramentas às políticas já existentes, garantindo que a inovação não crie novas vulnerabilidades ou riscos de continuidade.

Outro ponto relevante é que a regulamentação tende a acompanhar a inovação com atraso, como ocorreu com a telemedicina após a pandemia. Isso significa que as empresas precisam antecipar-se, adotando práticas sólidas de governança e testes antes mesmo que as normas sejam formalizadas.

O que muda para empresas e órgãos públicos: implicações práticas

Para gestores de TI, diretores e responsáveis pela continuidade de negócios em empresas privadas e órgãos públicos, o alerta do Hospital das Clínicas reforça a necessidade de revisar não apenas as rotinas de backup, mas todo o ciclo de validação dos planos de contingência. O simples fato de possuir backups não elimina o risco de paralisação, é preciso garantir, com testes regulares, que esses backups são recuperáveis e que os processos críticos podem ser restabelecidos no prazo necessário.

Outro ponto é a importância de envolver a alta gestão e as áreas de negócio nesse processo. A definição de prioridades, o entendimento dos impactos e a preparação para períodos de indisponibilidade são tarefas que transcendem o departamento de TI. Isso vale especialmente para empresas do Polo Industrial de Manaus, onde a dependência de sistemas digitais e a necessidade de disponibilidade contínua são críticas para a competitividade e o atendimento a clientes nacionais e internacionais.

Além disso, a heterogeneidade do cenário brasileiro exige que cada organização avalie sua própria maturidade digital e desenvolva estratégias compatíveis com sua realidade. Para algumas, isso pode significar migrar de processos em papel para sistemas digitais básicos. Para outras, o desafio está em integrar múltiplos sistemas legados, consolidar dados e criar uma cultura de testes e validação contínua.

Conclusão: continuidade operacional depende de prática, não só de teoria

Reunião da alta gestão discutindo continuidade operacional e riscos cibernéticos
A alta gestão do Hospital das Clínicas participa ativamente do entendimento dos riscos e dos tempos de recuperação para decisões estratégicas na continuidade operacional.

O caso do Hospital das Clínicas evidencia que a continuidade operacional não se sustenta apenas em planos bem escritos ou em tecnologia de ponta. O verdadeiro diferencial está na capacidade de testar, validar e envolver toda a organização na preparação para incidentes. Empresas e órgãos públicos que negligenciam essa etapa correm o risco de descobrir, no pior momento, que seus backups não são suficientes para garantir a retomada das operações. No contexto de Manaus e do Brasil, onde a maturidade digital é desigual e os riscos cibernéticos crescem, investir em processos de validação e em infraestrutura confiável é o passo que separa a resiliência do improviso.

Compartilhe com sua equipe: WhatsApp
Receba os próximos artigos no seu e-mail

Conteúdo B2B sobre conectividade, infraestrutura digital e gestão de TI, direto na caixa de entrada, sem spam.





Upnetix · Conectividade empresarial em Manaus

Backup só serve se for testado regularmente.

A falta de testes em backups pode paralisar operações críticas e expor sua empresa a riscos evitáveis. O Coyote Cloud da Upnetix oferece backup seguro, com suporte humano local e redundância de acesso. Avaliamos a viabilidade técnica no seu endereço antes de qualquer proposta.

Fale com o comercial

Fale com um especialista da Upnetix

Nossa equipe entra em contato em até 1 dia útil com uma proposta sob medida.