Trump autoriza empresas privadas dos EUA a realizar ataques cibernéticos contra crime internacional

Trump autoriza empresas privadas dos EUA a atacar cibercriminosos internacionais. Entenda impactos para empresas e infraestrutura digital.

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Trump autoriza empresas privadas dos EUA a realizar ataques cibernéticos contra crime internacional

Novo memorando de segurança nacional permite que companhias americanas participem ativamente de operações cibernéticas ofensivas contra organizações criminosas estrangeiras. Medida pode afetar grupos brasileiros classificados como terroristas.

por Atlas Upnetix Review Team · 14 de agosto, 2026 · 9 min de leitura
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O anúncio do governo dos Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, de que empresas privadas poderão conduzir operações cibernéticas ofensivas contra organizações criminosas internacionais, rompe com a crença predominante de que o setor privado deve se limitar à defesa de suas próprias redes. Segundo reportagem do Canaltech, a medida foi formalizada por meio de um memorando de segurança nacional assinado em 12 de agosto de 2026, com confirmação da Casa Branca e da agência Reuters.

Executivos e especialistas em segurança cibernética em reunião estratégica em sala corporativa moderna.
Reunião de especialistas em segurança cibernética discutindo o novo programa dos EUA que autoriza empresas privadas a realizar ataques cibernéticos contra organizações criminosas internacionais.

Historicamente, a participação de empresas privadas em ações cibernéticas era restrita à colaboração com autoridades e à proteção de ativos próprios. O novo programa, no entanto, coloca companhias selecionadas no centro de operações ofensivas, abrindo espaço para que atuem diretamente contra grupos estrangeiros. Essa mudança de paradigma traz à tona debates sobre riscos, responsabilidades e as reais consequências para o ecossistema digital global, especialmente para empresas que operam infraestrutura crítica ou dependem de cadeias internacionais de dados.

O que prevê o memorando: vigilância e ataque sob contrato

De acordo com o Canaltech, o memorando cria um programa sob responsabilidade do Centro Nacional de Coordenação (NCC), vinculado à Força-Tarefa de Segurança Interna dos EUA, com supervisão dos Departamentos de Justiça e Segurança Interna. As empresas privadas interessadas passarão por avaliação técnica e, se aprovadas, firmarão contratos com o governo americano.

O texto obtido pela Reuters detalha dois tipos de operação: vigilância cibernética, que envolve acesso não autorizado a sistemas para coleta de informações, e operações de efeitos cibernéticos, que podem manipular, degradar, interromper ou destruir redes e infraestruturas digitais de organizações criminosas. Para participar, as companhias precisam manter uma garantia financeira mínima de US$ 1 milhão, valor que pode ser confiscado em caso de descumprimento das regras contratuais.

O governo dos EUA terá até 60 dias para definir critérios detalhados, incluindo experiência técnica e segurança das instalações das empresas envolvidas. O memorando também estabelece limites: está vedada a autorização para ações que possam causar mortes, ferimentos graves ou serem interpretadas como uso da força segundo o direito internacional. Caso operações atinjam, mesmo que acidentalmente, cidadãos ou sistemas americanos, a atividade deve ser imediatamente interrompida e reportada.

Alvos potenciais e alcance internacional

O memorando não cita explicitamente organizações brasileiras, mas, segundo apuração do Canaltech baseada em informações do g1, grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) podem ser enquadrados, já que os EUA os classificam como organizações criminosas transnacionais e, desde junho, como terroristas estrangeiros. No entanto, para que sejam efetivamente alvo, é necessário que se encaixem na definição de envolvimento em crimes cibernéticos.

O alcance internacional da medida amplia o escopo de atuação das empresas americanas, permitindo que intervenham em redes e sistemas localizados fora dos EUA. Isso pode incluir infraestruturas digitais em países parceiros ou mercados emergentes, como o Brasil, especialmente se houver indícios de uso dessas redes por organizações criminosas de interesse do governo norte-americano.

Analistas de segurança cibernética operando em centro de comando e controle com múltiplos monitores digitais.
Centro Nacional de Coordenação (NCC) dos EUA supervisiona as operações ofensivas de empresas privadas autorizadas pelo memorando presidencial.

Segundo o fact sheet divulgado pelo governo dos EUA e citado pelo Canaltech, consumidores americanos relataram perdas superiores a US$ 20,8 bilhões em crimes cibernéticos apenas em 2025, e 73% dos adultos do país já foram vítimas de golpes ou ataques online. O avanço de ataques de ransomware, fraudes financeiras e esquemas de sextorsão é apontado como justificativa para a nova postura.

Do papel defensivo à ofensiva privada: por que agora?

O Wall Street Journal, citado pelo Canaltech, destaca que o setor privado americano sempre ocupou um papel predominantemente defensivo em questões de cibersegurança, atuando como vítima ou colaborador das autoridades. Desde novembro do ano anterior, porém, a Casa Branca vinha sinalizando uma mudança de estratégia, com maior ênfase em ações ativas contra hackers patrocinados por Estados-nação.

O memorando integra uma série de iniciativas recentes, como ordens executivas para proteção de infraestrutura crítica e uma lei de 2025 voltada ao combate de golpes com imagens íntimas e deepfakes. O pano de fundo é a percepção de que a resposta estatal tradicional não tem sido suficiente para conter o avanço do cibercrime transnacional, especialmente diante da sofisticação de grupos organizados e do uso de tecnologias avançadas para burlar defesas convencionais.

Para empresas de infraestrutura digital, a mudança representa um novo cenário de riscos e oportunidades. A possibilidade de atuação ofensiva pode aumentar a pressão sobre provedores de serviços, operadoras e empresas de tecnologia para reforçarem seus controles internos, revisarem contratos internacionais e avaliarem o impacto de possíveis retaliações ou danos colaterais.

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Riscos, críticas e o debate sobre limites

A autorização para que empresas privadas conduzam operações ofensivas levanta questionamentos sobre governança, soberania digital e responsabilidade jurídica. O memorando, segundo a Reuters, impõe restrições para evitar escaladas militares e danos a terceiros, mas não elimina o risco de efeitos colaterais em redes de países aliados ou de impacto sobre usuários legítimos.

Críticos argumentam que a medida pode abrir precedentes para abusos ou para a terceirização de funções tradicionalmente reservadas ao Estado, como o uso da força em ambiente digital. Há também preocupações quanto à transparência dos critérios de seleção das empresas, à supervisão efetiva das operações e à possibilidade de retaliações por parte de grupos criminosos ou governos estrangeiros.

Por outro lado, defensores da nova abordagem sustentam que o envolvimento do setor privado é necessário diante da escala e da velocidade dos ataques cibernéticos, que frequentemente superam a capacidade de resposta dos órgãos públicos. Para eles, a expertise técnica e a agilidade das empresas podem ser diferenciais na identificação e neutralização de ameaças emergentes.

Diagrama didático mostrando o fluxo do programa de ataques cibernéticos autorizados pelo governo dos EUA.
Fluxo do programa autorizado pelo memorando de 2026, detalhando avaliação técnica, contratos e tipos de operações permitidas: vigilância e efeitos cibernéticos.

O que ainda não se sabe e os desafios para empresas brasileiras

Apesar da clareza sobre os objetivos do memorando, vários pontos permanecem indefinidos. Não há, até o momento, lista pública das empresas que poderão participar, nem detalhes sobre os mecanismos de supervisão e auditoria das operações. Tampouco se sabe como serão tratados eventuais danos colaterais em infraestruturas críticas de países terceiros ou como se dará a cooperação internacional em incidentes transfronteiriços.

Para empresas brasileiras, especialmente aquelas que operam no Polo Industrial de Manaus ou mantêm relações com parceiros americanos, o novo cenário exige atenção redobrada. A possibilidade de que infraestruturas digitais nacionais sejam alvo, direta ou indiretamente, de operações ofensivas conduzidas por empresas dos EUA impõe a necessidade de revisão de políticas de segurança, análise de contratos internacionais e fortalecimento de mecanismos de monitoramento de tráfego e incidentes.

Além disso, a classificação de grupos brasileiros como organizações terroristas estrangeiras pelos EUA pode aumentar o escrutínio sobre transações, comunicações e fluxos de dados envolvendo o Brasil, elevando o risco de bloqueios, interrupções ou investigações cruzadas. Empresas que dependem de conectividade internacional, serviços em nuvem ou integrações com parceiros globais devem considerar cenários de contingência e avaliar sua exposição a ações extraterritoriais.

Implicações para infraestrutura e decisões de negócio

O avanço da ofensiva cibernética privada nos EUA pressiona empresas de todos os portes a repensarem sua postura diante de ameaças digitais. Para organizações que atuam em setores críticos ou dependem de conectividade internacional, o risco de serem afetadas por operações conduzidas por terceiros, seja como alvo direto, dano colateral ou parte de uma cadeia de suprimentos, deixa de ser uma hipótese remota e passa a integrar o planejamento estratégico.

Em Manaus, onde o Polo Industrial concentra operações industriais e logísticas com forte dependência de redes digitais, a resiliência da infraestrutura de conectividade se torna ainda mais relevante. A incerteza sobre os limites e consequências das novas operações ofensivas reforça a necessidade de monitoramento constante, redundância de acesso e parcerias com provedores capazes de responder rapidamente a incidentes e mudanças regulatórias.

O memorando assinado por Trump sinaliza que a fronteira entre defesa e ataque digital está se tornando cada vez mais difusa, e que empresas, mesmo fora dos EUA, podem ser impactadas por decisões tomadas em Washington. O desafio para quem decide é antecipar cenários, investir em visibilidade sobre o tráfego de dados e garantir que a infraestrutura local seja capaz de suportar tanto ataques quanto eventuais interrupções externas.

Sala de servidores de data center com foco em equipamentos de infraestrutura digital crítica.
Infraestrutura digital crítica que pode ser afetada por operações cibernéticas ofensivas autorizadas, ressaltando riscos e responsabilidades do novo programa dos EUA.

Em um contexto em que empresas privadas americanas passam a atuar como agentes ofensivos em nome do governo, a gestão de riscos digitais deixa de ser apenas uma questão de compliance ou proteção de dados e passa a ser um fator crítico de continuidade operacional. Para organizações brasileiras, especialmente as que operam em setores estratégicos ou com forte integração internacional, a preparação para lidar com ameaças vindas de múltiplas frentes, inclusive de atores privados autorizados por governos estrangeiros, se torna uma prioridade inadiável.

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