Informativo · análise
União Europeia propõe selo de eficiência energética para data centers com classificação A a G
Nova proposta da Comissão Europeia prevê etiquetas obrigatórias de consumo de energia e água para data centers a partir de 2027. Medida busca transparência e eficiência em meio à expansão acelerada do setor.

O mercado de tecnologia costuma tratar eficiência energética como uma preocupação distante, restrita a grandes indústrias ou à pauta ambiental. A proposta da Comissão Europeia para criar etiquetas de eficiência em data centers desafia essa crença confortável: a partir de 2027, instalações de processamento de dados na União Europeia poderão ser avaliadas publicamente, como geladeiras ou ar-condicionado, com notas de A a G para consumo de energia e água. Segundo o Telesíntese, a medida, se aprovada, trará consequências diretas para custos operacionais, reputação e competitividade de qualquer empresa que dependa de infraestrutura digital.

Como funcionará o selo europeu para data centers
De acordo com a proposta divulgada pela Comissão Europeia em setembro de 2024, data centers com potência instalada de TI acima de 500 kW deverão exibir etiquetas de eficiência energética e hídrica. O modelo segue o padrão já conhecido dos eletrodomésticos, com classificações de A (mais eficiente) a G (menos eficiente). A escala energética será baseada no PUE (Power Usage Effectiveness), indicador internacionalmente utilizado para medir quanta energia total é consumida em relação ao gasto apenas com equipamentos de TI. Para receber a nota máxima, o data center deverá atingir índice igual ou inferior a 1,15. Já a nota mínima será atribuída a instalações com PUE acima de 1,9.
Além disso, haverá uma classificação separada para eficiência no uso de água, baseada no WUE (Water Usage Effectiveness), que compara o volume de água doce consumido com o consumo energético dos equipamentos de TI. As etiquetas também trarão informações sobre fontes de energia utilizadas, oferta de serviços de flexibilidade à rede elétrica, infraestrutura para fornecimento de calor residual e dados de identificação do operador, localização e categoria de tamanho.
Pressão do crescimento e transparência obrigatória
A iniciativa surge no contexto de uma expansão acelerada do setor de data centers na Europa. Segundo dados apresentados pela Comissão Europeia e citados pelo Telesíntese, essas instalações consumiram 68 TWh (terawatts-hora) de eletricidade em 2024, com previsão de saltar para 114 TWh em 2030, o equivalente a 3,2% da demanda elétrica do bloco. O objetivo declarado é triplicar a capacidade de data centers nos próximos cinco a sete anos, sem triplicar a pressão sobre redes elétricas, recursos hídricos e custos de energia. Teresa Ribera, vice-presidente executiva da Comissão Europeia, resumiu o desafio: “Triplicar nossa capacidade de data centers não pode significar triplicar a pressão sobre nossas redes, nossa água e nossas contas de energia”.
As etiquetas serão atualizadas anualmente e deverão ser disponibilizadas eletronicamente em uma base europeia, acessível a qualquer interessado. Instalações menores, abaixo de 500 kW, poderão aderir voluntariamente. A proposta prevê ainda a possibilidade de participação de data centers em construção, com indicadores projetados, desde que atualizem os dados após o início das operações.

O que muda para empresas e para o setor público
A adoção de etiquetas de eficiência energética para data centers representa uma mudança de paradigma para empresas e órgãos públicos que contratam serviços de nuvem, colocation ou hospedagem de sistemas críticos. Até agora, a maioria das decisões de compra era pautada por preço, disponibilidade e localização. A partir da implementação das etiquetas, a eficiência energética e hídrica se tornarão critérios objetivos, comparáveis e auditáveis.
Na prática, empresas que dependem de data centers para rodar aplicações, armazenar dados ou garantir continuidade de operações poderão exigir selos de alta eficiência como parte dos requisitos de contratação. Isso pode impactar diretamente o custo total de propriedade (TCO), já que instalações mais eficientes tendem a repassar menos custos de energia e, em alguns casos, oferecer maior previsibilidade em contratos de longo prazo. Para o setor público, a transparência das etiquetas pode se tornar critério obrigatório em licitações, alinhando-se a políticas de sustentabilidade e responsabilidade ambiental.
Desafios, críticas e o debate sobre padronização
A proposta da Comissão Europeia ainda passará por análise do Parlamento Europeu e do Conselho, com possibilidade de objeções. Entre os pontos de debate, está a confiabilidade dos dados fornecidos pelos operadores, já que inicialmente as informações serão autodeclaradas. O regulamento prevê uma revisão do sistema até o final de 2028, quando poderão ser discutidas mudanças nas escalas, inclusão de certificação ou auditoria independente e ajustes nos indicadores.
Outro ponto levantado é a contextualização dos resultados: a etiqueta virá acompanhada de documento explicativo, detalhando fatores como clima, escassez local de água, idade e ocupação das instalações, para evitar comparações injustas entre data centers em condições ambientais muito distintas. Ainda assim, o risco de distorções permanece, especialmente para operadores em regiões com desafios climáticos ou de infraestrutura.
Por outro lado, há consenso entre fontes do setor de que a pressão por eficiência é inevitável diante do crescimento do consumo energético impulsionado por inteligência artificial, big data e aplicações críticas. Discussões paralelas, como a consulta pública sobre padrões mínimos de desempenho para data centers em operação, indicam que a tendência é de endurecimento gradual das exigências, com impacto direto na operação e nos custos das empresas usuárias.

O que ainda não se sabe e as incertezas para o Brasil
Apesar do detalhamento da proposta europeia, vários pontos permanecem em aberto. Ainda não está definido, por exemplo, se haverá auditoria obrigatória dos dados ou sanções para operadores que apresentarem informações inconsistentes. Também não se sabe como a classificação será ajustada para diferentes perfis de uso ou para data centers de missão crítica, que podem priorizar redundância e disponibilidade em detrimento da eficiência máxima.
No Brasil, a discussão sobre selos de eficiência para data centers ainda está em estágio inicial. Segundo o Telesíntese, a Anatel planeja lançar um selo nacional que incluirá critérios de segurança, resiliência e sustentabilidade, mas sem cronograma definido ou detalhes sobre os indicadores que serão adotados. Enquanto isso, empresas brasileiras que operam internacionalmente ou atendem clientes globais precisarão acompanhar de perto a evolução das regras na Europa, já que requisitos de sustentabilidade tendem a se espalhar rapidamente por cadeias globais de fornecimento.
Implicações para quem decide em Manaus e no Polo Industrial
Para gestores de TI, compradores corporativos e decisores públicos em Manaus, onde o Polo Industrial concentra operações sensíveis e com alta demanda por processamento de dados, a tendência europeia de etiquetagem energética traz desafios e oportunidades. De um lado, pode pressionar operadores locais a investir em infraestrutura mais eficiente, sob risco de perder competitividade em contratos internacionais ou licitações públicas. De outro, abre espaço para diferenciação: data centers que comprovarem eficiência energética e hídrica poderão se posicionar como parceiros estratégicos para empresas preocupadas com custos operacionais e sustentabilidade.
O contexto amazônico, com desafios próprios de fornecimento de energia, disponibilidade hídrica e logística, torna ainda mais relevante o debate sobre eficiência. Empresas que anteciparem a adoção de práticas e métricas reconhecidas internacionalmente estarão melhor preparadas para responder a exigências futuras, seja de clientes, órgãos reguladores ou investidores.

O avanço da etiquetagem de eficiência energética para data centers na Europa sinaliza um novo padrão de transparência e pressão por resultados concretos em sustentabilidade. Para empresas do Polo Industrial de Manaus e de todo o Brasil, acompanhar e se adaptar a essas exigências pode ser a diferença entre manter contratos estratégicos ou ser preterido por concorrentes mais alinhados às novas regras globais. A infraestrutura de conectividade e a escolha criteriosa de parceiros de data center passam a ser fatores críticos para garantir não apenas desempenho, mas também conformidade e vantagem competitiva em um mercado cada vez mais regulado e exigente.
Conteúdo B2B sobre conectividade, infraestrutura digital e gestão de TI, direto na caixa de entrada, sem spam.
Selo de eficiência pode ser critério de corte em contratos globais. Se a eficiência do data center do seu fornecedor impacta custos e contratos, o IP Premium Dedicado permite acesso estável, com IP fixo, a infraestruturas alinhadas às melhores práticas internacionais. Avaliamos a viabilidade técnica no seu endereço antes de qualquer proposta. Nossa equipe entra em contato em até 1 dia útil com uma proposta sob medida.Fale com um especialista da Upnetix
O Atlas é o portal editorial da Upnetix. Conteúdo informativo, apurado em fontes públicas com apoio de inteligência artificial sob supervisão editorial; não constitui aconselhamento técnico, jurídico ou financeiro. Termos de uso e política editorial. Correções e direito de resposta: comercial@upnetix.com.br.
