Visa e IFC anunciam parceria de US$ 200 milhões para ampliar pagamentos digitais em mercados emergentes

Visa e IFC lançam parceria de US$ 200 milhões para ampliar pagamentos digitais e inclusão financeira na América Latina, beneficiando pequenas empresas.

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Visa e IFC anunciam parceria de US$ 200 milhões para ampliar pagamentos digitais em mercados emergentes

Acordo entre Visa e Corporação Financeira Internacional visa expandir o acesso a serviços financeiros digitais na América Latina e Caribe, com foco em pequenas empresas e consumidores sub-bancarizados. Iniciativa compartilha risco de crédito e mira 50 instituições financeiras da região.

por Atlas Upnetix Review Team · 18 de setembro, 2026 · 9 min de leitura
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O anúncio da parceria entre a Visa e a Corporação Financeira Internacional (IFC), braço do Grupo Banco Mundial voltado ao setor privado, desafia uma crença persistente no mercado financeiro: a de que a expansão dos pagamentos digitais em mercados emergentes depende apenas de inovação tecnológica ou do apetite das grandes operadoras globais. O acordo, divulgado em setembro de 2026 e detalhado pelo IT Forum, joga luz sobre um fator muitas vezes subestimado, o risco de crédito das instituições financeiras locais, especialmente aquelas com classificação abaixo do grau de investimento, e como essa barreira restringe o avanço da digitalização financeira entre pequenas empresas e consumidores menos atendidos.

Executivo financeiro em videoconferência com mapas da América Latina e Caribe e gráficos financeiros ao fundo
Parceria entre Visa e IFC foca em 50 instituições financeiras de 14 países da América Latina e Caribe para ampliar pagamentos digitais.

O que está em jogo: risco de crédito como gargalo para a inclusão financeira

Segundo a reportagem do IT Forum, a parceria entre Visa e IFC prevê um programa de compartilhamento de risco de crédito de liquidação das transações Visa realizadas por instituições financeiras participantes. O escopo inicial abrange cerca de 50 instituições financeiras em 14 países da América Latina e Caribe, todas com ratings abaixo do grau de investimento. O valor total do risco compartilhado pode chegar a US$ 200 milhões ao longo de cinco anos, conforme anunciado pelas duas organizações.

O objetivo central, de acordo com os comunicados oficiais citados pelo IT Forum, é criar condições para que essas instituições possam conectar milhões de pessoas e pequenas empresas sub-bancarizadas a serviços financeiros digitais, permitindo-lhes poupar, consumir, acessar crédito e participar da economia formal. O mecanismo de compartilhamento de risco reduz o obstáculo que tradicionalmente impede bancos menores e fintechs de operar em escala: o custo elevado do risco de inadimplência em mercados considerados mais voláteis.

Paul Fabara, líder global de Riscos e Serviço ao Cliente da Visa, destacou que o acesso aos pagamentos digitais pode impulsionar oportunidades econômicas, e que a parceria ajudará as instituições financeiras a oferecer soluções de pagamento a mais pessoas e pequenas empresas em mercados emergentes. Mohamed Gouled, vice-presidente de Produtos e Clientes da IFC, por sua vez, afirmou que a iniciativa “exemplifica o poder da inovação e da colaboração para expandir as oportunidades econômicas onde elas são mais necessárias”.

Por que a América Latina é o foco inicial

A escolha da América Latina e Caribe como região prioritária não é casual. Segundo o IT Forum, a região concentra um grande contingente de pessoas e pequenas empresas fora do sistema bancário tradicional, fenômeno amplamente documentado por organismos multilaterais e relatórios de mercado. A digitalização dos pagamentos é vista por muitos analistas como o caminho mais rápido para ampliar a inclusão financeira, mas enfrenta entraves estruturais ligados à confiança, infraestrutura e, sobretudo, ao risco de crédito das instituições locais.

O programa anunciado por Visa e IFC mira justamente esse segmento negligenciado: instituições financeiras consideradas de maior risco, que normalmente têm acesso restrito a redes globais de pagamento e a instrumentos de crédito internacional. Ao assumir parte do risco de liquidação, a IFC permite que essas entidades ampliem sua base de clientes e expandam operações em ecossistemas digitais, conectando-se à rede global da Visa. O resultado esperado, segundo os parceiros, é a aceleração da formalização econômica de milhões de pequenos negócios e consumidores na região.

Esse movimento se insere em uma tendência mais ampla de colaboração entre grandes operadoras de pagamento e organismos multilaterais, que buscam soluções para o chamado “last mile” da inclusão financeira. No entanto, a iniciativa se diferencia por atacar de frente o tema do risco de crédito, frequentemente apontado por bancos centrais e reguladores como o principal limitador à expansão do acesso financeiro digital.

Pequena instituição financeira local atendendo pequenos empresários com terminais de pagamento digitais
Instituições financeiras com ratings abaixo do grau de investimento enfrentam barreiras para ampliar pagamentos digitais em mercados emergentes.

Implicações para pequenas empresas e o setor bancário regional

Para pequenas empresas latino-americanas, especialmente aquelas que operam à margem do sistema bancário tradicional, a iniciativa pode representar uma mudança significativa de cenário. Segundo o IT Forum, a expectativa dos parceiros é facilitar o acesso dessas empresas a soluções de pagamentos digitais, permitindo que alcancem novos clientes, ampliem operações e gerem empregos. O acesso a pagamentos digitais também abre portas para crédito, seguros e outros serviços financeiros, criando um círculo virtuoso de formalização e crescimento.

No entanto, o impacto real dependerá da capacidade das instituições financeiras participantes de absorver e operacionalizar o novo modelo de risco compartilhado. Bancos de menor porte e fintechs, que tradicionalmente enfrentam custos elevados para operar com grandes bandeiras de pagamento, poderão se beneficiar da redução do risco de inadimplência, mas precisarão investir em infraestrutura tecnológica e compliance para atender aos requisitos da Visa e da IFC.

Além disso, a ampliação do acesso digital traz consigo desafios de segurança, privacidade de dados e educação financeira, temas que, embora não detalhados no anúncio, são apontados por especialistas como críticos para a sustentabilidade de qualquer programa de inclusão financeira em larga escala. O histórico da região mostra que a adoção de pagamentos digitais pode ser rápida quando há incentivos claros, mas a confiança do usuário final depende de uma experiência segura e transparente.

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O que dizem os críticos: riscos e limitações do modelo

Apesar do otimismo dos parceiros, há questionamentos legítimos sobre a efetividade do modelo de compartilhamento de risco em mercados emergentes. Críticos argumentam que, embora a iniciativa reduza o custo do risco para instituições financeiras menores, ela não elimina desafios estruturais como a volatilidade econômica, a instabilidade regulatória e a infraestrutura digital desigual entre países da América Latina e Caribe.

Outro ponto levantado por analistas do setor é que o valor de US$ 200 milhões em risco compartilhado, embora significativo, pode ser insuficiente para cobrir o universo de pequenas empresas e consumidores sub-bancarizados da região, caso a adesão ao programa seja ampla. Além disso, a dependência de uma única rede global de pagamentos pode gerar concentração de mercado e limitar a concorrência, especialmente se outras bandeiras ou soluções locais não forem integradas ao modelo.

Diagrama explicando o fluxo do programa de compartilhamento de risco de crédito entre Visa, IFC e instituições financeiras
Mecanismo de compartilhamento de risco de crédito permite que instituições financeiras locais ampliem acesso a pagamentos digitais.

Por fim, permanece a dúvida sobre a capacidade das instituições financeiras participantes de implementar controles eficazes de prevenção à lavagem de dinheiro e combate à fraude, requisitos essenciais para operar em redes globais. O IT Forum não menciona detalhes sobre como esses desafios serão endereçados, indicando que o desenho operacional do programa ainda pode evoluir conforme a implementação avança.

O que ainda não se sabe: pontos em aberto e próximos passos

O anúncio da parceria entre Visa e IFC, conforme reportado exclusivamente pelo IT Forum até o momento, deixa algumas perguntas relevantes em aberto. Não foram divulgados os critérios exatos de seleção das instituições financeiras participantes, nem detalhes sobre os mecanismos de monitoramento e auditoria do risco compartilhado. Também não há informações sobre como o programa será expandido para além dos 14 países iniciais ou se haverá integração com outras iniciativas de inclusão financeira já em curso na região.

Outro ponto de incerteza é o impacto do programa em ambientes regulatórios diversos, já que a América Latina reúne mercados com níveis variados de supervisão bancária e exigências de compliance. A ausência de dados consolidados sobre o perfil das empresas e consumidores que serão beneficiados dificulta a avaliação do alcance real da iniciativa. Por ora, o que se tem é a sinalização de um movimento estratégico de duas organizações globais para destravar um gargalo histórico da digitalização financeira regional.

Consequências práticas para empresas e instituições em Manaus e região

Para gestores de empresas e instituições públicas em Manaus e no Polo Industrial da Zona Franca, a iniciativa Visa-IFC traz oportunidades e desafios concretos. A ampliação do acesso a pagamentos digitais pode facilitar a formalização de pequenos fornecedores, ampliar o leque de parceiros comerciais e reduzir custos operacionais ligados ao uso de dinheiro físico. No entanto, a dependência de infraestrutura digital robusta e a necessidade de integração com sistemas bancários locais exigem atenção redobrada à conectividade, à disponibilidade de rede e à segurança das transações.

Empresas que operam em setores críticos ou com alta rotatividade de pequenos fornecedores precisarão avaliar se suas soluções de pagamentos digitais estão preparadas para absorver o novo fluxo de transações, especialmente em ambientes de alta demanda ou baixa estabilidade de rede. A experiência recente no Brasil mostra que programas de inclusão financeira só ganham escala quando sustentados por infraestrutura de conectividade confiável e suporte técnico local, fatores que podem ser decisivos para o sucesso ou fracasso da digitalização em mercados emergentes.

Em última análise, o avanço da inclusão financeira digital na América Latina dependerá não apenas de parcerias globais e mecanismos inovadores de compartilhamento de risco, mas também da capacidade das empresas locais de investir em infraestrutura tecnológica, treinamento de equipes e integração com redes de pagamento internacionais. O anúncio de Visa e IFC é um passo relevante, mas o impacto prático para o ecossistema empresarial da região só será sentido quando a base tecnológica acompanhar a ambição do projeto.

Pequenos empresários e consumidores na América Latina realizando pagamentos digitais via smartphone
Programa Visa-IFC visa conectar milhões de pequenos negócios e consumidores sub-bancarizados à economia formal por meio de pagamentos digitais.

O movimento de Visa e IFC expõe uma verdade incômoda: sem atacar o risco de crédito das instituições locais, a promessa de inclusão financeira digital na América Latina segue limitada. Para empresas e gestores que dependem de pagamentos digitais confiáveis, o desafio não é só aderir a novas soluções, mas garantir que a infraestrutura de rede esteja pronta para suportar o salto de escala que o programa pode trazer.

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