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Vivo implanta IA generativa na auditoria interna do Assaí e inaugura nova fase de automação em áreas críticas corporativas
Auditoria interna do Assaí adota agente de IA generativa desenvolvido pela Vivo em parceria com a Microsoft, automatizando análise documental e padronização de processos. Projeto sinaliza avanço da IA em funções de alta criticidade e impõe novos desafios de segurança, governança e infraestrutura para grandes empresas.

O avanço da inteligência artificial generativa para áreas corporativas tradicionalmente avessas à automação, como auditoria interna, desafia a crença de que processos críticos dependem exclusivamente da análise humana para garantir precisão, segurança e conformidade. A recente implantação do agente Auditus, desenvolvido pela Vivo em parceria com o Assaí e a Microsoft, expõe o quanto essa fronteira já foi ultrapassada e obriga empresas de todos os portes a repensarem riscos, custos e a própria arquitetura operacional.

Auditoria automatizada: o que muda com a IA generativa
Segundo apuração do Telesíntese, IT Forum e TeleTime, o projeto nasceu da necessidade do Assaí, maior varejista alimentar do Brasil, de acordo com dados da Abras e NielsenIQ Homescan citados pelo IT Forum, de lidar com um volume crescente de documentos, dados e análises que exigem precisão e agilidade. O Auditus, agente de IA generativa criado no Microsoft Copilot Studio, foi integrado ao ecossistema Microsoft 365, atuando diretamente em ferramentas como Teams, SharePoint, Word e Copilot Chat.
O agente é capaz de ler e interpretar documentos, responder consultas alinhadas às políticas internas, sugerir abordagens técnicas e padronizar a linguagem utilizada pela equipe de auditoria. A automação dessas etapas reduz o tempo dedicado a tarefas operacionais, permitindo que profissionais concentrem esforços em atividades estratégicas, segundo consenso das três publicações.
Para viabilizar a solução, a Vivo estruturou toda a base tecnológica, incluindo licenciamento Microsoft, integração ao Microsoft 365, testes de validação e capacitação de multiplicadores internos do Assaí. A implantação ocorreu após uma prova de conceito (PoC) em ambiente isolado, com protocolos de segurança aderentes ao Microsoft Purview e à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), conforme detalhado por Telesíntese e IT Forum.
O que está em jogo: eficiência, padronização e riscos emergentes
O salto de automação promovido pelo Auditus não é trivial. Valdério Matias, diretor de Auditoria Interna e Investigações Corporativas do Assaí, afirma que a solução foi “alinhada às nossas necessidades e capaz de apoiar o fortalecimento da nossa atuação com mais inteligência e governança” (IT Forum). O ganho de eficiência operacional é explícito: menos etapas manuais, padronização da linguagem e maior consistência nos processos.
Por outro lado, a transição para IA generativa em áreas sensíveis implica desafios inéditos. O Telesíntese destaca que a adoção de mecanismos de segurança da informação e proteção de dados foi central desde a prova de conceito, e que a solução foi validada em ambiente isolado antes da adoção definitiva. A preocupação com governança e compliance é reforçada por Karina Baccaro, diretora de Negócios Corporate da Vivo, que define o Auditus como um “copiloto da auditoria” e ressalta a necessidade de padronização e segurança em funções críticas (TeleTime).

O consenso entre as fontes é que a IA generativa, quando aplicada com protocolos robustos de segurança e governança, pode transformar radicalmente áreas que antes eram vistas como intransponíveis para automação. No entanto, a dependência crescente de sistemas integrados e conectividade estável expõe as organizações a novos vetores de risco operacional e cibernético.
O contra-argumento: limites da IA e o papel insubstituível do humano
Apesar do entusiasmo das empresas envolvidas, há um debate legítimo sobre até que ponto a IA generativa pode substituir ou complementar o trabalho humano em auditoria. Nenhuma das fontes consultadas apresenta dados sobre redução de quadros ou eliminação de funções, nem há menção a métricas de erro ou falhas do sistema.
O IT Forum e o Telesíntese enfatizam que a IA atua como suporte, não como substituto integral, e que o foco permanece em liberar profissionais para tarefas de maior valor agregado. O próprio processo de implantação, com capacitação de multiplicadores internos e validação em ambiente isolado, sugere uma abordagem cautelosa, reconhecendo que decisões finais continuam sob responsabilidade humana.
Fica ausente, porém, uma análise detalhada sobre eventuais falhas do sistema, vieses algorítmicos ou impactos de longo prazo na cultura de governança. O silêncio das fontes sobre esses pontos indica que o debate sobre limites e riscos da IA em auditoria ainda está em aberto.
O que ainda não se sabe: métricas, ROI e escalabilidade
Apesar da visibilidade do projeto, há lacunas relevantes. Nenhuma das reportagens apresenta números sobre redução de custos, tempo economizado ou retorno sobre o investimento (ROI) após a adoção do Auditus. Também não há informações sobre eventuais incidentes de segurança, falhas de integração ou resistência interna à mudança.

Outro ponto em aberto é a escalabilidade da solução: embora a Vivo destaque o reconhecimento internacional obtido com a certificação Copilot 365 JumpStart Prioritized Partner (primeira operadora da América Latina e terceira do mundo, segundo TeleTime e IT Forum), não há dados sobre quantas empresas já adotaram sistemas semelhantes, nem sobre a viabilidade de replicação em setores com requisitos regulatórios distintos.
O próprio Assaí, apesar de operar mais de 310 lojas e atender 40 milhões de pessoas por mês (IT Forum), não detalha como a IA será expandida para outras áreas ou unidades, nem como eventuais aprendizados serão compartilhados com o mercado.
Implicações práticas para empresas: conectividade, segurança e o novo papel da TI
Para organizações que operam em setores críticos, seja varejo, indústria, finanças ou setor público, a experiência do Assaí com IA generativa na auditoria interna impõe uma revisão urgente das prioridades de infraestrutura. A automação de processos sensíveis depende de conectividade estável, integração com plataformas corporativas e políticas de segurança que vão além do básico.
Em mercados como Manaus, onde a infraestrutura de conectividade pode ser um gargalo para operações distribuídas, a adoção de agentes de IA que processam grandes volumes de dados em tempo real exige links dedicados, baixa latência e suporte técnico local. A dependência de plataformas em nuvem e integrações com sistemas críticos amplia o risco de indisponibilidade e reforça a necessidade de contratos com SLA (Acordo de Nível de Serviço) explícito.
Além disso, a experiência do Assaí evidencia o papel estratégico da TI como área de negócio, não apenas suporte, responsável por garantir que a automação avance sem comprometer a governança e a segurança. O sucesso do Auditus dependeu tanto do ecossistema tecnológico quanto da capacitação dos profissionais e da validação criteriosa dos processos.
O recado para quem decide é claro: a automação de áreas críticas já não é uma questão de futuro, mas de sobrevivência competitiva. Ignorar essa tendência pode significar custos operacionais crescentes, maior exposição a erros humanos e perda de vantagem em mercados cada vez mais orientados por dados.

Ao inaugurar a automação em auditoria interna com IA generativa, o Assaí e a Vivo demonstram que a fronteira entre processos críticos e automação está se tornando cada vez mais tênue. Para empresas que operam em ambientes regulados ou de alta complexidade, a lição é inequívoca: a infraestrutura de TI, da conectividade à segurança, deixa de ser coadjuvante e passa a ser o eixo central da governança e da inovação. O próximo passo não é perguntar se a IA pode transformar a operação, mas se a rede e os sistemas estão prontos para suportar essa transformação sem comprometer o controle e a confiança.
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